Cinema de Buteco

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Amor Sem Escalas

Postado por em 9 de fevereiro de 2010

Leia ouvindo a trilha sonora


Foi preciso um grande esforço, mas consegui ir ver Amor sem Escalas no cinema. Foram três “viagens” perdidas até que consegui conferir o filme na última semana. Acho extremamente engraçado quando tento ver um filme nos cinemas e depois de enfrentar uma longa fila, descubro que os ingressos se encontravam esgotados (faltando mais de meia hora para a sessão e em tempos de Avatar 3d bombando); ou a namorada resolve deixar para ir outro dia; ou ainda, a minha opção favorita, quando eu prefiro deitar na minha cama só por alguns minutinhos que se transformam em horas em um passe de mágica. Valeu a pena.
amor sem escalas 04 Amor Sem Escalas

Quando começaram a aparecer os primeiros boatos de Amor Sem Escalas, pensei que seria uma comédia romântica inteligente. Tudo conspirava a favor: da presença do astro George Clooney até o talentoso diretor Jason Reitman. Depois que vi o primeiro trailer, comecei a ouvir um monte de comentários dizendo que George Clooney seria indicado e venceria o Oscar, que a bela atriz Vera Farmiga também seria indicada e que seria a vez de Jason Reitman levar o prêmio para a casa (claro que ninguém estava lembrando de James Cameron e seu Avatar quando soltaram essa). Ou seja, foi criada uma enorme expectativa para o filme e como vocês, fieis leitores, bem sabem, eu não sou muito fã de filmes que criam tanta expectativa. Odeio ver um filme e sair do cinema sem ficar satisfeito com o resultado, ficando com aquele gostinho de quero mais. Porém não foi o que aconteceu comigo depois de assistir Amor sem Escalas.

De comédia romântica ele não tem nada. Então se você estiver atrás de um filme romântico com o senhor Clooney, volte alguns anos no passado e (re)veja Um Dia Especial ou Irresístivel Paixão (que é sensacional, diga-se de passagem. Mas sendo baseado em um livro de Elmore Leonard não poderia ser diferente). Amor Sem Escalas é baseado no livro de 2001 do escritor Walter Kirn e trata de um tema bem distante dos retratados nas comédias românticas em geral. O personagem de Clooney interpreta um bem sucedido consultor que trabalha demitindo as pessoas e que dá palestras sobre a arte do desapego. Sua vida parece estar perfeita e seu único objetivo é conquistar um milhão de milhas em suas viagens. O problema acontece quando uma jovem empresária resolve mudar a estratégia de demissões de sua empresa e quando a personagem de Vera Farmiga, uma empresária igualmente bem sucedida, entra em sua vida.

Apesar de ter uma trilha sonora incrível com muitos exemplos de funks antigos, o que realmente sustenta o novo filme do diretor de Juno é a atuação da dupla George Clooney e Vera Farmiga. Anna Kendrick até aparece bem, embora seja meio caricata quando começa a chorar (o que chega a ser engraçado de tão tosco. lembrou bastante o tipo de showzinho que as patricinhas costumam dar para conseguir atenção) depois que o namorado resolve terminar o relacionamento. Já Farmiga consegue mostrar que é bem mais que um rostinho bonito e dá um show que chega QUASE a ofuscar seu parceiro. Ela consegue dar a maturidade e segurança de uma mulher independente e bem sucedida, que não precisa se apegar a nada que não seja a si mesma. Ela é exatamente a versão feminina do personagem de Clooney, que lentamente acaba se apaixonando e mudando seus conceitos, desejando, finalmente, ter um relacionamento com alguém que não seja sua própria mala de viagens.

O que mais surpreende em Amor sem Escalas é a coragem de Jason Reitman em fazer um filme tão cru e real. George Clooney e seu Ryan Bingham passam o filme inteiro dando demonstrações de devoção ao tratamento especial que o personagem recebe das empresas. Bingham coleciona diversos cartões de fidelidade e valoriza estes detalhes mais do que a própria família ou a possibilidade de se apegar a uma pessoa ou um lugar. Como passa a maior parte do tempo viajando, o aeroporto é um lugar familiar. É como se fosse a sua casa. Durante as palestras motivacionais que ministra, ele pergunta aos seus ouvintes qual é o peso da mala que eles carregam. E indica que até mesmo as pessoas são descartáveis e que é possível ser feliz sem se apegar. Claro que durante o desenvolvimento da história, ele percebe que existem coisas boas em querer amadurecer e se relacionar. O problema é que Bingham ficou tempo demais alheio ao mundo e nem mesmo sua irmã (que é responsável, indiretamente, por alguns dos momentos mais engraçados do filme) quer a sua companhia. Quando ele tenta mudar já é tarde demais ou as coisas acabam não saindo do jeito que ele pensava que seriam. Ou seja, o personagem é um retrato do que pode acontecer (ou já aconteceu) com qualquer pessoa.

Se você estiver cansado de ver filmes que tentam fantasiar sobre a vida real, este é o melhor exemplo disponível dos últimos meses. Jason Reitman pode não ter feito um filme sensacional, mas graças às atuações de Clooney e Vera Farmiga, Amor sem Escalas merece um pouco de atenção. Nem que seja só para ouvir as músicas ou ficar encantado com o charme de Clooney (quero ser como ele quando eu crescer) na telona. São quatro caipirinhas muito dignas!

Amor+sem+escalas+poster Amor Sem Escalas
Ficha Técnica:
Amor sem Escalas (Up in The Air , 2009)
Dirigido: Jason Reitman
Roteiro: Jason Reitman e Sheldon Turner, baseado em livro de Walter Kirn
Genêro: Drama
Elenco: George Clooney
Trailer:

 Amor Sem Escalas

Tullio Dias

ou 2T (pode escolher) é formado em Publicidade e Propaganda e também é o editor chefe do Cinema de Buteco. Responsável pela cobertura de todos aqueles filmes que ninguém quer ver, Tullio mostra ter mais estômago do que aparenta. Além do Cinema de Buteco este indivíduo também é redator no Cinema em Cena, colunista no Audiograma e... alguma coisa no Rock in Press.

E você? Qual a sua nota para o filme?
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