Resenha: A Colônia – Ezekiel Boone | Cinema de Buteco
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Resenha: A Colônia – Ezekiel Boone

“Estamos falando de aranhas. Embora as pessoas morram de medo de aranhas, não há quase nenhum motivo para isso. Pelo menos, não na América do Norte. A Austrália é outra história. Tudo é perigoso na Austrália, não só os crocodilos. ”

Antes de qualquer outra coisa, preciso dizer que Ezekiel Boone escreve muito bem! Sua narrativa conecta núcleos de uma forma tão primorosa, que é impossível não se sentir parte do sufoco que deve ser tentar sobreviver ao fim da humanidade. Outro ponto que Boone me ganhou, foi ao apresentar personagens femininas fortes e em papel de líderes. Em A Colônia temos personagens na presidência, nos laboratórios e no exército. Elas são independentes, possuem voz ativa e são muito bem construídas!

A Colônia é sobre o futuro fim do mundo. Um livro agonizante que conta a história de uma espécie adormecida há mil anos, que agora voltou para reconquistar o planeta. Inúmeros incidentes bizarros estão acontecendo pelo mundo. Numa floresta do Peru, uma massa negra devora um turista americano; Na China, o governo deixa uma bomba nuclear cair no próprio território, e, na Índia, os padrões sísmicos se alteram. Esse é só o começo de um desastre apocalítico, em que a humanidade pode estar com os dias contados. Este é o primeiro livro de uma trilogia escrita por Boone e narra em terceira pessoa um desastre ao redor do mundo, dando voz a personagens em uma ilha na Escócia, no escritório da CNN dos Estados Unidos, no Parque Nacional de Manu, no Peru, Índia e China. Mesmo com tantos cenários, a narrativa mantém uma linearidade e consegue construir uma boa lógica ao utilizar tantos recursos.

“Subiu o feixe da lanterna e viu que era outra coisa. Mais antigas. Ela já havia visto pinturas em cavernas antes, mas aquela era diferente. Era simples. A imagem lhe deu arrepios. Uma aranha. ”

“Melanie nunca havia entendido o pânico que as pessoas sentiam de aranhas. Por que todo mundo tinha tanto medo? (…). Talvez isso não fosse extraordinário; as crianças aprendiam a ter medo com os pais. Mas com quem os pais aprendiam a ter medo? Não, ela nunca havia entendido o medo de aranhas.

Até aquele momento.

Finalmente, ali estava um motivo para ter medo. ”

Muito além de um terror envolvendo aranhas carnívoras que se movem em bando, este livro é um verdadeiro quebra-cabeças que vai instigar sua curiosidade. Países que vivem conflitos precisam se unir e profissionais de diversas áreas precisam trabalhar em conjunto para evitar que o caos se espalhe. O que começa como uma espécie de conspiração, se confirma como verdade. Uma bolsa de ovos calcificada com datação de mais de mil anos é encontrada e as medidas de segurança começam a ser tomadas pela Presidente dos Estados Unidos. Daí em diante, a situação foge do controle e o mundo entra em um verdadeiro colapso. A narrativa pode até começar como uma simples história sobre o fim da humanidade, mas foge do clichê e traz respostas totalmente diferentes para os fãs do gênero.

“Não acho que seja ainda uma situação de “se”. Acho que é uma questão de “quando”, e nós só estamos ganhando tempo até aquilo chegar aqui. ”

Mesmo com inúmeras narrativas, o livro foca em Melanie Guyer, uma professora especialista em aranhas que luta contra o tempo para tentar usar tudo que aprendeu sobre o inseto. Será que ela vai conseguir? Este é o primeiro volume de uma trilogia, então, você vai sim terminar sua leitura com muitos questionamentos. Mas não tem problema! Ele é bem construído e só vai te deixar curioso para a continuação. Skitter, o segundo volume será lançado em maio de 2017 nos Estados Unidos.

Ficha Técnica IMG_1624 Resenha: A Colônia – Ezekiel Boone

Título | A Colônia

Autor | Ezekiel Boone

Tradutora | Leonardo Alves

Editora | Suma de Letras

Idioma | Português

Especificações | 272 páginas

ISBN | 9788556510174

Felipe Borba

Nasceu no Pará, cresceu no Maranhão e vive em Minas Gerais. Além de se considerar um explorador da natureza; Felipe é publicitário com especialização em Marketing Estratégico, é viciado em novas tecnologias, queria ser adotado pelo Neil Gaiman e tem mais livros do que dá conta de ler.