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Resenha: Confissões do Crematório – Verdades sinceras sobre a morte

“O silêncio da morte, do cemitério, não era punição, mas uma recompensa por uma vida bem vivida. ”

Já dizia Kafka: “O sentido da vida é que ela termina“. E é no contexto de escancarar as verdades sobre a morte, que o livro Confissões do Crematório chega ao Brasil!

Diferente do que a capa deste livro pode aparentar, Confissões do Crematório é um não ficção que conta como é todo o processo de morrer: da escolha de cremar o corpo até o pós morte. Ele não é um livro de terror como os outros livros da Darkside Books. Ele é real e biográfico. Então, não deixe a capa lhe enganar e dê uma chance para este livro que vai mudar a sua maneira de lidar com a morte.

“Embora você possa nunca ter ido a um enterro, dois humanos do planeta morrem por segundo. Oito no tempo que você levou para ler essa frase. Agora, estamos em quatorze.”

“Dez meses em meu trabalho na Westwind, eu sabia que a morte era a vida para mim. ” Quem escreveu Confissões do Crematório, foi a havaiana Caitlin Doughty, que aos 23 anos, trabalhou em um crematório na Califórnia por um bom tempo e resolveu compartilhar suas experiências conosco. O livro conta com 19 histórias (uma por capítulo) e fala sobre a morte sem tabu, ou seja, como ela precisa ser tratada.

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Esse panorama histórico sobre a morte e os rituais praticados mostram o grande conhecimento da autora no assunto e com certeza ajudará a mudar a opinião de muitos leitores que não conseguem encarar tal assunto. Seu humor tira o lado sombrio da more e nos apresenta uma perspectiva muito melhor do que a que estamos acostumados a ler por aí.

“Nunca é cedo demais para começar a pensar na própria morte e na morte das pessoas que você ama […] Aceitar a morte não quer dizer que você não ficar arrasado quando alguém que você ama morrer. Quer dizer que você vai ser capaz de se concentrar na sua dor sem o peso de questões existenciais maiores como “Por que as pessoas morrem? ” e “Por que isto está acontecendo comigo?”. A morte não está acontecendo com você. Está acontecendo com todo mundo”

O que mais gostei no livro foram os fatores históricos que Caitlin insere ao longo da obra, nos fazendo entender que o ritual já sofreu diversas modificações e é interpretado de diversas maneiras de acordo com cada cultura. Esse panorama histórico sobre a morte e os rituais praticados, mostram o grande conhecimento da autora no assunto e com certeza ajudará a mudar a opinião de muitos leitores que não conseguem encarar tal assunto. Seu humor tira o lado sombrio da morte e nos apresenta uma perspectiva muito melhor do que estamos acostumados a ler por aí. Por mais difícil ou doloroso que seja, Caitilin consegue ser clara, engraçada e direta no assunto, se tornando referência no assunto.

“Podemos nos esforçar para jogar a morte para escanteio, guardando cadáveres atrás de portas de aço inoxidável e enfiando os dentes e moribundos em quartos de hospital. Escondemos a morte com tanta habilidade que quase daria para acreditar que somos a primeira geração de imortais. Mas não somos. Vamos todos morrer e sabemos disso. ”

Durante sua experiência, Caitlin aprendeu muito mais do que imaginava barbeando cadáveres e preparando corpos para a incineração. A exposição constante à morte mudou completamente sua forma de encarar a vida e nos leva a inúmeras reflexões. Os bastidores da morte também é algo a ser considerado. Afinal, você um dia imaginaria que para cremar um corpo é preciso gastar tanta energia quanto uma viagem de carro de mais de 800 quilômetros? A relação de como as pessoas próximas e familiares são tocados, como cada um reage pelo desespero da perda e o remorso de não ter conseguido salvar a vida de quem você amava só prova que o ditado “só damos valor as coisas depois que as perdemos” é verdade.

Um tópico que é impossível passar batido depois de ler Confissões do Crematório é o quanto o ser humano consegue lucrar com qualquer coisa. A indústria da morte fatura, e não é pouco! Algumas práticas abusivas são declaradas no livro, como a alegação de leis que não existem para que os corpos sejam entregues o mais rápido possível às funerárias e como são acrescidos valores em determinados procedimentos. Nada sentimental, Caitlin é honesta ao falar sobre todos os procedimentos e coloca todos os detalhes em seu livro sem rodeios.  A leitura simples, rápida, e mesmo com alguns termos técnicos, você consegue entender tudo perfeitamente.

 

Ficha Técnica:Confissoes_do_crematorio_caitlin-doughty_cinema_de_buteco_buteco_literario-4-800x600 Resenha: Confissões do Crematório – Verdades sinceras sobre a morte

Título | Confissões do Crematório
Autora | Caitlin Doughty
Tradutora | Regiane Winarski
Editora | DarkSide®
Edição | 1a
Idioma | Português
Especificações | 260 páginas (estimadas), Limited Edition (capa dura)
Dimensões | 14 x 21 cm
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Felipe Borba

Nasceu no Pará, cresceu no Maranhão e vive em Minas Gerais. Além de se considerar um explorador da natureza; Felipe é publicitário com especialização em Marketing Estratégico, é viciado em novas tecnologias, queria ser adotado pelo Neil Gaiman e tem mais livros do que dá conta de ler.