Resenha: Expresso da Meia-Noite – Billy Hayes | Cinema de Buteco
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Resenha: Expresso da Meia-Noite – Billy Hayes

Ler Expresso da Meia-Noite é como se sentir um voyeur de um horror real e fascinante. O livro nada mais é que as memórias de um estudante de letras de Nova York que acaba largando a faculdade em busca de aventuras e é preso ao tentar embarcar com dois quilos de haxixe no aeroporto de Istambul. A obra escrita pelo protagonista Bill Hayes com William Hoffer contém passagens que dão a real dimensão do rigor com que o crime de tráfico de drogas é punido na Turquia.

Brutal, forte e polêmico, esta obra além de ser um relato real, nos apresenta muitos detalhes do sofrimento vivido pelo jovem na prisão. As descrições da penitenciária turca é praticamente uma visão do inferno. As torturas praticadas lá dentro por policiais violentos, o risco de cair na ala psiquiátrica e tudo aquilo que você nem imagina que acontece em uma prisão é jogado na sua cara, fazendo até sentir um pouco de dó do protagonista. E para falar a verdade, é um pouco difícil sentir simpatia pelo autor, que passa seu egoísmo ao longo da narrativa. Dó mesmo, você vai sentir dos pais, que chegaram à beira da falência e se esforçaram como ninguém para tirar o seu filho da prisão depois que lhe é sentenciado prisão perpétua.

Depois de cinco anos brutais, Billy conseguiu sair da prisão, mas não com a ajuda da justiça. Ele conta com a ajuda dos amigos que fez na prisão. Max, o viciado da prisão, conta para Billy o segredo da fuga já que estava doente demais para pôr em prática o plano. Numa noite escura, durante uma grande tempestade, ele deu início a sua ousada e desesperada fuga rumo à liberdade. O título da obra “Expresso da Meia-Noite” é um termo bastante comum utilizado pelos prisioneiros sobre a fuga da prisão ou uma espécie de lembrete para seguir em frente e evitar situações que possam levar à prisão.

Preciso enfatizar que tanto no livro quanto no filme, a visão da Turquia é completamente negativa, sendo descrita praticamente um inferno na terra, o que causou grandes problemas quando o filme foi lançado, gerando inclusive censura do filme entre 1978 e 1992. Muitos dizem que com Expresso da Meia-Noite, Hollywood conseguiu demonizar toda uma nação. Polêmicas à parte, a escrita de Bill Hayes e William Hoffer não foi uma das melhores, o que não desmerece a história vivida pelo autor. Um dos pontos que me chamou atenção na obra foi a honestidade de Billy ao manter em seu relato o caso que teve com outro homem na prisão (narrado de forma suave e bonita).

Durante toda a leitura, é impossível não se questionar o que é um crime, o que é uma punição, o que é justo e não é. O relato que lemos não é sobre um homem que foi preso, é sobre a sua destruição enquanto ser humano. Atualmente, o fugitivo Billy Hayes continua escrevendo, atuando, realizando palestras e é diretor em projetos no teatro, no cinema e na televisão desde a sua fuga da prisão em 1975.

Expresso da Meia – Noite se tornou um clássico relato de sobrevivência e de persistência humana, contado com humor, honestidade e coração, quando lançado, recebeu uma adaptação cinematográfica em 1978 dirigida por Alan Parker e estrelado por Brad Davies e John Hurt recebeu dois Oscar: melhor roteiro adaptado e melhor trilha sonora. A edição lançada este ano pela editora Vestígio é mais uma aposta em clássicos ligados a grandes obras do cinema.

 

Ficha Técnica IMG_1916 Resenha: Expresso da Meia-Noite – Billy Hayes

Título | Expresso da Meia-Noite

Autor | Billy Hayes

Tradutor | Érico Assis

Editora | Vestígio

Idioma | Português

Especificações | 224 páginas

ISBN | 9788582862940

 

Felipe Borba

Nasceu no Pará, cresceu no Maranhão e vive em Minas Gerais. Além de se considerar um explorador da natureza; Felipe é publicitário com especialização em Marketing Estratégico, é viciado em novas tecnologias, queria ser adotado pelo Neil Gaiman e tem mais livros do que dá conta de ler.