Resenha: A Outra Casa – Sophie Hannah | Cinema de Buteco
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Resenha: A Outra Casa – Sophie Hannah

“Eu vou ser morta por causa de uma família chamada Gilpatrick. (…). É isso. É onde, como, quando e porque vou morrer. Pelo menos entendo o porquê, finalmente. Kit está com tanto medo quanto eu. Por isso não para de falar, porque sabe, assim como todos que esperam aterrorizados, que quando silêncio e medo se combinam, formam um composto mil vezes mais horrendo que a soma de suas partes. ”

Para quem ainda não conhece a autora, Sophie Hannah é considerada no Reino Unido uma das mais conceituadas autoras de romances policiais e foi escolhida pelos herdeiros de Agatha Christie para dar vida nova ao célebre detetive Hercule Poirot. Sua fama é dada pela série Spilling (que conta com dez títulos), porém, tivemos apenas dois livros lançados no Brasil: A Vítima Perfeita (2015) e A Outra Casa (2016).

O suspense criado em A Outra Casa já começa nas primeiras páginas. Nesta trama somos apresentados a Connie, uma mulher desequilibrada que está obcecada com uma casa. Ao acessar o site da imobiliária para fazer o tour virtual, acaba se deparando com algo perturbador: uma mulher morta no chão em meio ao seu próprio sangue. Seu marido acorda assustado com os gritos de Connie, mas não encontra nada do que foi dito por sua mulher. Tamanha obsessão leva Connie a entrar em contato com a polícia para relatar o que viu na casa de Bentley Grove, 11.

A personagem criada por Sophie Hannah nos cria uma certa antipatia pelo excesso de histeria e seu marido sempre paciente (a personagem e a situação nos lembram um tanto a protagonista de A Garota no Trem, de Paula Hawkins). Além de acessar o site da imobiliária, Connie também costuma visitar o local. Essa obsessão é dada por conta de a protagonista estar desconfiada de uma traição e o endereço da casa de Bentley Grove estava cadastrado como “casa” no GPS de seu marido. Marcado por muito contexto e pouca ação, até a primeira metade do livro somos marcados por uma relação perturbada entre Connie e seu marido, além de entendermos mais sobre Simon Waterhouse, que interrompeu sua lua-de-mel para poder retornar ao trabalho e auxiliar no mistério em questão.

“ (…) digo, dando de ombros, de repente, constrangida com o quanto a minha história deve soar estranha e patética. – Foi nisso que minha vida se transformou desde janeiro. Girando e girando: acreditando, não acreditando, questionando minha sanidade, não chegando a lugar nenhum. Não é muito divertido. ”

Mais do que uma trama fora do convencional, A Outra Casa convida a uma instigante reflexão sobre relacionamentos familiares, profissionais e amorosos. A história é instigante e vai dando pistas do que realmente aconteceu. O problema mesmo é saber se autora está te conduzindo para a verdade ou não. Afinal, a condição mental da protagonista não nos permite saber o que de fato é verdade ou imaginação. O final do livro não é nada previsível e agrada facilmente os fãs de mistério!

“ – (…). Nada nunca é o que parece, nada é previsível – disse [Simon], e suspirou, antes de completar. – Talvez a solução mais simples aconteça sempre que não estou por perto, mas nunca funcionou comigo. ”

Ficha Técnica17180024-ACFB-4B77-801B-D459C542FE69 Resenha: A Outra Casa – Sophie Hannah

Título: A Outra Casa 

Título original: Lasting Damage

Série: Spilling

Autora: Sophie Hannah

Editora: Rocco

ISBN: 9788532530264

Ano: 2016

Páginas: 464

 

Felipe Borba

Nasceu no Pará, cresceu no Maranhão e vive em Minas Gerais. Além de se considerar um explorador da natureza; Felipe é publicitário com especialização em Marketing Estratégico, é viciado em novas tecnologias, queria ser adotado pelo Neil Gaiman e tem mais livros do que dá conta de ler.