Corra Lola Corra

(Lola Rennt) De Tom Tykwer. Com Franka Potente, Moritz Bleibtreu.

Corra Lola Corra é o que eu poderia chamar de “cultura pop” traduzida em películas. É como se a história servisse apenas de pano de fundo para que o diretor Tom Tykwer nos contaminasse com trilha sonora, movimentos de câmera, edição… Tudo bem característico da década de 90. O mais interessante neste caso é que isto não é um demérito para o filme, já que a história em nada decepciona. Se é que ela existe.

“Não cessaremos de explorar, e ao fim de nossa exploração, voltaremos ao ponto de partida, como se não o tivéssemos conhecido”. Esta frase de T. S. Eliot abre o filme. Se a princípio ela pode parecer um pouco enigmática, passa a fazer sentido lá pelos primeiros 30 minutos. Lola namora Manni que lhe pede ajuda sobre um problema que envolve uma sacola de 100 mil dinheiros, quantia que deve ser recuperada. Caso contrário ele morreria. Sem pensar muito ela corre atrás de alternativas, muitas vezes improvisadas para resolver o problema. O que vemos a partir de então é saga de nossa heroína que segue incansável para salvar seu amado.

É um efeito dominó que se inicia. A cada passo Lola se depara com várias figuras. Cada contato faz com que seus destinos se dêem de uma forma. Por que um minuto pode fazer muita diferença. E faz. Lola luta contra o tempo para que seu namorado não cometa uma loucura. Mas no fim das contas os acasos coincidem para que dê tudo certo.

Protótipo de GTA com videoclipe de música eletrônica, Corra Lola Corra mais parece uma brincadeira, um jogo que o diretor nos convida a jogar. Com direito a “continue” e tudo mais. Só não tem o tal password pra pular algumas partes. E nem precisa. Ver Lola passar por determinadas situações, que a afetam assim como afetam as pessoas ao seu redor é o que há de mais sensacional no filme. Mas o que acontecerá com o casal principal? O filme não nos conta.

No fim dá vontade de rir. É entretenimento, é gratuito, mas o que não é gratuito nessa vida? Um dos filmes mais divertidos que vi nos últimos tempos, Corra Lola Corra é imperdível. E não deixa de ser curioso que um filme tão pop quanto este, tenha aberto portas para que Tom Tykwer dirigisse outros fimes mais “sérios” como Perfume e Trama Internacional.

Author: João

Filósofo, arte educador, amante de cinema, funk carioca e de uma boa conversa acompanhada de cerveja.

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Comentários

  1. 2T disse:

    Lembro do buzz que esse filme gerou quando entrou em cartaz nos cinemas. Até hoje não sei se cheguei a ver inteiro ou não, acho que irei somar na minha lista.

    Mandou demais, Jão!

  2. dai.ari disse:

    O filme paresse uma versão diferenciada de "Efeito Borboleta".