Cinema de Buteco

Cinema por quem entende mais de mesa de bar

Pi

Postado por em 14 de julho de 2008

Quem lê os posts pensa que sou uma fã do Darren Aronofsky, mas to aproveitando o embalo de Requiem para falar desse filme que me foi muito indicado.

Primeiro filme do diretor, de 1998, com Sean Gullette no papel principal.

A 16ª letra do alfabeto grego e também constante matemática (que já irritou muitos jovens no ensino médio) é o assunto que leva não só o ator, como também nós, espectadores, a uma especulação inquietante. A teoria de que o mundo é todo números foi criada há muito tempo, e levantada por famosos matemáticos de nossa história. Da Vinci é conhecido por, em uma de suas obras mais famosas, “O Homem Vitruviano”, explicar a relação que cada parte do nosso corpo possui, graças à divina proporção, ou o número de ouro (quem assistiu ou leu O Código Da Vinci deve lembrar). De acordo com essa divina proporção, todo o universo possui uma relação numérica, explicada pela única ciência capaz de desvendar os enigmas e mistérios com precisão.

Diante desse assunto polêmico, vários estudiosos levantaram questões e desenvolveram teorias, e coube a Darren Aronofsky comprimir essa obsessão humana em 84 minutos, e transmití-la de forma, às vezes não tão clara, para nós, leigos ou não.

Max Cohen acredita na correlação entre padrões matemáticos e padrões existenciais, e transforma essa idéia numa busca incessante pela resposta de perguntas até então insolúveis. A ponto de encontrar uma solução para o maior sistema de caos “ordenado” do mundo, a bolsa de valores, ele se vê mergulhado na loucura e na pressão para desvendar esse código.

Quando uma poderosa firma da Wall Street, faminta por poder, e uma seita judaica que acredita piamente que no Torá está a mensagem enviada por Deus que definirá o futuro do mundo começam a perseguí-lo em busca desse código, Max é atormentado por seus demônios pessoais, caindo num poço de paranóia e auto-destruição.

O filme, todo em preto e branco, é puro simbolismo. Metáforas em cafés e fumaça de cigarro, além de conchas, reforçam o significado do título. O próprio protagonista cái numa espécie de espiral de demência, onde a realidade e a alucinação se misturam.
O estilo de filmagem de Aronofsky também contribui para nos transmitir a angústia em que Max vive. Pressionado a sugar de seu cérebro respostas que não surgem, e aconselhado por seu professor Sol Robeson (Mark Margolis) a desistir dessa busca, fica em sua mente o terrível dilema: desistir ou ir até o fim?

Recomendo demais.

E você? Qual a sua nota para o filme?
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