Cinema de Buteco

Cinema por quem entende mais de mesa de bar

Busca Frenética

Postado por em 15 de junho de 2012

ASSISTINDO AO THRILLER BUSCA FRENÉTICA FIQUEI NA DÚVIDA SOBRE OS MOTIVOS QUE LEVARAM ROMAN POLANSKI A ACEITAR DIRIGIR O FILME. Afinal de contas, a obsessão e o sexo – elementos contantes em suas narrativas – não aparecem aqui com a mesma força, sendo substituídas pela ansiedade e desespero do personagem interpretado por Harrison Ford. Até mesmo o sexo surge de forma tímida, mas que ganha força justamente por também ser contido em insinuações incertas. Mas antes de criar qualquer confusão, esses detalhes sórdidos em nada atrapalham a qualidade do filme.

A sequência inicial chama atenção especialmente por sua música. Acostumado com os clássicos temas dos faroestes, fica difícil reconhecer a pegada do compositor Ennio Morricone em uma trilha menos grandiosa. O efeito do baixo é agressivo e logo na primeira nota já consegue atrair a atenção do espectador, que provavelmente se esquecerá de tirar a pipoca do microondas ou da cerveja que está ficando congelada. Coisas que apenas os melhores e mais talentosos músicos conseguem fazer. Morricone é um gênio que sabe entrar no filme tão bem quanto o próprio diretor. Sua música ajuda a manter a tensão desejada o tempo inteiro.

Ford vive um médico que viaja com a esposa para Paris e então descobre que ela foi sequestrada. Ele começa a tentar entender o que aconteceu e acaba conhecendo uma provocante “laranja” interpretada por Emmanuelle (boas recordações…) Seigner, que vira sua parceira para tentar resolver todo a situação. A união improvável dos dois personagens gera toda a temática sexual do filme. Como se não bastasse ter a esposa sequestrada, o personagem de Ford acaba criando uma relação curiosa com a garota, que provavelmente teria achado uma excelente ideia transar com o médico, tanto que troca de roupa na frente dele e faz várias caras e bocas que poderiam ser interpretadas como indiretas.

Polanski, que também escreveu o roteiro, é sutil ao apresentar o desespero do personagem de Ford. No começo do filme existe uma bela cena em que ele está tomando banho (porra, gente, não precisa ser mente poluída) e não escuta uma só palavra que a esposa está dizendo. O espectador vê aquela cena sob a perspectiva do médico e também fica sem entender o que aconteceu, o que ela estava dizendo e o que ela foi fazer fora do quarto. Apenas essa cena já poderia ser considerada um dos principais momentos de Busca Frenética, mas a cena ganha ainda mais força com o que vai acontecendo depois, quando o médico descobre que a esposa desapareceu. Ford fica desorientado, pois ele não entende francês e a maioria das pessoas ao seu redor, não fala inglês. Ou seja, como buscar ajuda nessa situação? Pior ainda foi ele entrar numa loja de flores e o vendedor entender que ele está procurando uma rosa.

Para quem ainda não conhece muito do trabalho de Polanski, Busca Frenética é uma boa opção. Além de um roteiro interessante e angustiante, o filme oferece uma mistura muito bem dosada de humor (vide a cena em que Ford está procurando Dede numa boate e um sujeito se aproxima afirmando que pode ajudar), sensualidade exótica (a maneira que Emmanuelle dança me lembrou um episódio de Friends, com a Phoebe tentando seduzir o Chandler) e suspense (com uma cena bem tensa e que provavelmente serviu de inspiração para Johnny Depp em O Turista).

 

Nota:   

E você? Qual a sua nota para o filme?
1 Caipirinha2 Caipirinhas3 Caipirinhas4 Caipirinhas5 Caipirinhas (1 votos, média: 5,00 do total de 5 votos)
Loading ... Loading ...



Publicidade

  • RSS
  • Twitter
  • Facebook

Publicidade