Review: Fear the Walking Dead s02e15 - "North" | Cinema de Buteco
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Review: Fear the Walking Dead s02e15 – “North”

Fear the Walking Dead chegou ao final do seu segundo ano. Uma certeza é que tivemos episódios superiores em comparação com a primeira temporada. Isso significou amadurecimento dos seus personagens, que são criações com as quais nós conseguimos nos identificar mais facilmente do que os sobreviventes de The Walking Dead, por exemplo. Mas será que o saldo foi realmente positivo?

Após Travis matar duas pessoas e ferir um dos sobreviventes, Madison sabe que precisará tomar uma decisão sem volta: deixar a segurança do hotel para voltar a andar pelas estradas em busca de um novo lar, mas acompanhada do que restou de sua família. Ao mesmo tempo, Nick continua seguindo o seu caminho para ser Jesus Cristo e evita a morte de todos na colônia.

É aceitável que “North” seja um episódio mais “fraco”, já que “Wrath” é praticamente a melhor coisa já vista em Fear the Walking Dead. Aliás, arrisco dizer que nem mesmo Rick nos seus surtos psicóticos pareceu tão real e nervoso assim. E olha que quando Rick “endoida”, não falta sangue… O ritmo de “North” é mais lento e dá mais destaque para as relações dos personagens ao invés de trabalhar apenas com momentos de tensão – que permanecem presentes o tempo inteiro.

Com a morte do sobrevivente do hotel, a segurança de Travis fica ameaçada. Um grupo invade o quarto de Madison dispostos a acabar com a vida de Travis, mas Alicia acaba interferindo e evitando o pior. É importante falar sobre essa cena e o impacto que isso poderá ter no futuro: Alicia matou um homem para salvar seu padrasto. Até então, ela havia matado apenas infectados e recebido pouca atenção do roteiro, mas podemos esperar uma mudança para a terceira temporada depois disso.

Depois da ruptura do grupo na mid-season, agora temos mais uma baixa: Victor Strand decide não fugir com Madison e permanece no hotel. Me pergunto se teremos mais do personagem no futuro ou essa é uma triste despedida. Inicialmente, me preocupo com a série se dividindo em quatro ou cinco núcleos no terceiro ano. Nick é um protagonista forte, assim como imaginar como será a rotina de Madison, Travis e Alicia, mas será que a linda Ofelia consegue segurar a onda de ter o seu próprio arco de histórias independente? Até que ponto Victor será interessante vivendo na segurança de um hotel? E por fim, caso Chris esteja vivo, quanto tempo demorará para que ele reencontre seu pai?

Parece uma sina dos produtores de ambas as séries conseguirem combinar eventos tão empolgantes com roteiros e decisões preguiçosas. Se para cada grande momento (Travis matando os dois adolescentes psicopatas) temos outro que ofusca negativamente (possível morte de um dos protagonistas contada através de um flashback), é como se todo o bom trabalho fosse anulado. Como é que posso me convencer que todos os traficantes fortemente armados foram devorados pelos mortos-vivos que faziam a “segurança” da colônia? Nenhum deles sobreviveu? Mesmo?

São muitos problemas que, como fãs, acabamos deixando passar para não diminuir nossa diversão. Mas é preciso sempre apontar e dizer que poderia ser bem melhor.

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.