Review: Scream Queens s01e13 - "Final Girl(s)" | Cinema de Buteco
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Review: Scream Queens s01e13 – “Final Girl(s)”

Scream-Queens-s01e13-Final-Girls-838x471 Review: Scream Queens s01e13 - "Final Girl(s)"
Acabou. Com esse review se encerra a nossa cobertura especial da série de humor negro Scream Queens. Ao longo de seus 13 episódios, a série demonstrou irregularidade e dificuldade em sustentar o ritmo engraçado, politicamente incorreto, sarcástico e narcisista que apresentou na maioria da temporada. Mesmo assim, muito por causa do carisma dos seus personagens, Scream Queens encerra seu primeiro ano de uma maneira digna e com a cabeça erguida.

Muito corajoso existir uma série capaz de tanto desapego com os bons modos. Nenhum personagem de Scream Queens é santo ou livre de qualquer suspeita. Todos possuem seus crimes, mas ainda assim, apenas alguns deles receberam a punição justa. O roteiro foi implacável com a chamada justiça divina e mostrou que pessoas como Chanel acabam sendo seus piores inimigos (vide a cena do julgamento, quando a jurada vai ler a sentença e muda de ideia depois de ouvir desaforos). Depois de 13 episódios destilando todos seus preconceitos e desvios morais, a personagem de Emma Roberts encontra a sua paz num sanatório.

Ainda não há nenhuma garantia oficial da Fox em garantir o segundo ano de Scream Queens, embora as conversas já estejam ocorrendo há algum tempinho. Caso a série não retorne (o plano é imitar o que True Detective e Fargo fizeram, com uma trama 100% diferente), fica a sensação de dever cumprido com uma temporada recheada de mortes sangrentas e que acabou sofrendo com a rejeição do público slasher que não se sentiu representado por uma egocêntrica como Chanel e para o público normal, que não aprecia a tanta violência na televisão. Como um fã do gênero (e de piadas crueis), Scream Queens me conquistou exatamente pela falta de humanidade de sua protagonista e o jeito como o dinheiro a transformou numa sociopata que vive numa realidade alternativa. Mais do que as homenagens aos clássicos de terror ou ao mistério sobre a identidade da assassina, o trunfo está na perigosa inocência e prepotência de Chanel Oberlin.

Scream-Queens-s01e13-Final-Girls-838x471 Review: Scream Queens s01e13 - "Final Girl(s)"

“The Final Girl(s)” começa com a voz de Hester confirmando que ela é a assassina, como a investigação de Grace e Zayday revelou. Temos todo um flashback sobre a sua história, detalhes sobre seu treinamento e o que a motivou para cometer tantos crimes – ou estimular o irmão, numa alusão que seria quase perfeita ao “serial killer” Charles Manson, que foi preso sem nunca ter matado alguém de verdade. Hester e seu jeitinho de sonsa dissimulada despeja mil acusações sobre Chanel e suas comparsas, que acabam levando a culpa. Numa série em que todos são cheios de segredos, ninguém ousou questionar a firmeza com que as acusações apareciam.

O episódio brinca com a passagem de tempo indo para o passado, presente e até o futuro (que revela uma nova fraternidade liderada por Zayday, Grace e a própria Hester), mas não tropeça na narrativa para causar qualquer confusão nas mentes de seus telespectadores. Paralelamente ao que que acontece no campus, temos o julgamento e a condenação de Chanel. Ao serem levadas para um sanatório, o trio passa a viver melhor, inclusive se alimentando adequadamente (“não existem garotos para você ficar magra”), o que é só mais uma das várias críticas que o roteiro faz para o comportamento imposto pela mídia. Quanto mais alienado e conectado você for (irônico), “melhor” é a sua vida. Na internação, as garotas descobrem que podem ser felizes longe das regras dos padrões de beleza e comportamento.

A falta de noção característica de Scream Queens, tão comum nas narrações de Oberlin, é substituída pelo discurso inflamado de Hester e sua disposição em provar que as três loiras são as assassinas. Ela contrata um casal de atores de segunda categoria para fingirem ser seus pais e mesmo depois do cara ser reconhecido, ninguém suspeita de que tudo pudesse ser uma farsa. Essa simplicidade ou evocação do mundo das fantasias é algo apaixonante nesse roteiro. Não precisamos de explicações lógicas, precisamos apenas de um desenvolvimento narrativo que acompanhe a lógica interna maluca da série.

Até parecia que Scream Queens finalmente teria um episódio em que o Demônio Vermelho passaria em branco, mas como disse, a relação com Manson não é perfeita porque Hester matou Pete e provavelmente está por trás da suposta morte de Oberlin. Se é que tudo não passou de um delírio psicótico pensado como um encerramento com chave de ouro da temporada.

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.