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Review: Westworld s01e04 – “Dissonance Theory”

Neste quarto episódio, parece que Alice (aquela do país das maravilhas) veio para ficar! Além do vestido azul e os cabelos sempre bem penteados, na conversa com Bernard (Jeffrey Wright), Dolores claramente apresenta uma dissonância em seus pensamentos (por isso o título) quanto ao que lhe foi programado. A jovem já não se mostra preocupada apenas com os fatos de sua narrativa, mas também com a possibilidade de ser livre, em um mundo novo que se apresenta. Sim, ela está perdendo a inocência original de sua personagem.

Tanto Dolores quanto a prostituta Maeve (Thandie Newton) têm tido visões, lembranças de quando foram levadas ao “estaleiro” dos andróides, nos bastidores do parque, o que as faz questionar sobre o que realmente é aquele lugar e o que elas estão fazendo ali. Qualquer humano também questionaria. É por essa aproximação dos andróides com a realidade humana que a série pode ser considerada um das produções mais interessantes do momento.

Continuando. Para alguns visitantes recentes como William (Jimi Simpson), Westworld ainda é deslumbrante e cheio de muito mistérios. Como todo calouro, o rapaz ainda teme passar dos limites em suas atitudes, mesmo sabendo que está em um mundo fictício, ao contrário de seu cunhado Logan (Ben Barnes) que só pensa em sexo e matar andróides.

Já para o homem de preto (Ed Harris), frequentador antigo do temático, o único mistério que resta é um tal labirinto, do qual ainda conhecemos pouco mas que ele continua procurando implacavelmente. Como parte de um acordo para ter informações sobre Wyatt, que parece ter a fama de “último chefão” daquele deserto, ele tira Hector da cadeia. Aliás, Harris quando faz um vilão é melhor sair da frente! Em Marcas da Violência (2005), seu personagem surge sem explicação prévia e vai até as últimas consequências, perseguindo o protagonista, vivido por Viggo Mortensen, do começo ao fim do filme. Como pode ser tão bom assim interpretando sujeitos inescrupulosos?

Agora, quer mais crueldade? Com fala tranquila e aparência inofensiva, Anthony Hopkins parece estar, aos poucos, adicionando pitadas de Hannibal Lecter ao Dr. Ford. Ao ser questionado por Theresa (Sidse Babett Knudsen), membro do conselho, sobre o caos nas narrativas causado pela dissonância nos pensamentos de alguns anfitriões, ele mostra que manda e desmanda, pausa e edita a história a seu bel-prazer. Desafiá-lo não parece ser uma opção vantajosa.

Westworld, como outras produções da HBO, não é tão clara e objetiva. Se atentar aos detalhes é fundamental para maior entendimento. Embora ainda esteja tudo meio confuso, essa discordância dos andróides, a iminente descoberta do homem de preto e as questionáveis decisões do Dr. Ford são ingredientes suficientes para continuar ligado nesta ficção.

Walter Riedlinger

Jornalista. Palmeirense fanático e Pé vermelho com orgulho. Escrever e cantar são minhas paixões.