Crítica: Belos Sonhos (2016) | Cinema de Buteco
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Crítica: Belos Sonhos (2016)

O novo filme de Marco Bellocchio (Vincere) não mostra grandes famílias italianas tradicionais e suas diferentes gerações, como vimos em diversos títulos da região. Porém, exibe a trajetória de um garoto que tem grandes dificuldades de superar o drama da perda de alguém essencial em sua vida.

Com delicadeza, nos apresenta ao garoto Massimo, perde a mãe aos 9 anos e não supera o fato. Torna-se um adulto introspectivo e a história do país avança com a sua própria, mas como pano de fundo, pois o foco da narrativa é a falta que o garoto sente da mãe e como ele se torna distante do pai. Massimo só se dá conta do espaço vazio em seu coração quando atinge a adolescência e tem a oportunidade de interagir com a mãe de um amigo.

A sensibilidade presente no filme é para poucos. Bellocchio consegue mostrar até mesmo grandes tragédias de maneira que o espectador veja beleza. A inocência e imaginação do garoto acompanham a qualidade do trabalho do cineasta e o elenco competente consegue carregar a dose certa de melancolia, dúvida, maturidade e até mesmo um pouco de suspense.

belossonhosresenha-300x200 Crítica: Belos Sonhos (2016)

        Longe da questão política e de grandes questionamentos religiosos, o longa baseado no livro de memórias do jornalista Massimo Gramellini mostra, através de detalhes, uma Itália apaixonada por futebol, característica que Bellochio afirma ser uma das poucas coisas preservadas no país desde a sua infância, a qual inclui Mussolini e a convivência em uma ditadura.

Destaque para o ator Valerio Mastandrea (A Primeira Coisa Bela), que faz um Massimo adulto, mas com pendências emocionais desde a infância. Bérénice Bejo (O Passado) também está presente e mostra, mais uma vez, sua versatilidade e aptidão. Sua personagem aparece de maneira discreta, porém importante para Massimo. Emmanuelle Devos (Violette) faz uma pequena aparição, mas que ajuda a transparecer o sentimento de Massimo diante da perda da mãe.

Não permita que a duração do filme (134 minutos) te assuste. Embora um pouco arrastado em alguns momentos, Belos Sonhos se desenvolve bem e segue um caminho em partes imprevisível. A trilha sonora é agradável e passa por nomes conhecidos pelo grande público, como Ramones e Deep Purple.

Graciela Paciência

Graciela Paciência nasceu e cresceu em São Paulo. Por muito tempo acreditou que seu futuro estivesse na direção de videoclipes, mas agora prefere gastar seu tempo livre no cinema, em frente à TV ou na companhia de um bom livro. Gosta de Stephen King, clássicos e cinema europeu. Suas metas de consumo estão (quase) sempre atrasadas, mas o importante é seguir em frente.