Crítica: Cinderela, de Kenneth Branagh
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Crítica: Cinderela

Cinderella_2015_56-838x559 Crítica: Cinderela

Não tenho aquele amor imenso que muitos têm pelos contos de fadas da Disney, mas sei reconhecer quando vemos uma produção bem feita. Este é o caso de Cinderela (Cinderella, 2015), dirigido por Kenneth Branagh e que se baseia no clássico do estúdio lançado em 1950. Com uma belíssima fotografia e um elenco em total sintonia, especialmente o casal protagonista, temos um resultado que com certeza vai agradar o espectador.

Quem já viu ou leu a história antes, sabe muito bem que, apesar de ser uma linda história de amor, temos um enredo superficial e uma preocupação exagerada com beleza. Mas isso é Disney, o estúdio quer finais felizes, personagens lindos, um amor impossível que se torna realidade e, é claro, magia. E devo admitir que o longa até tenta reforçar a mensagem sobre a importância da bondade e gentileza em algumas partes, até demais (vários diálogos repetem isso).

Enfim, o que conhecemos é mantido: uma bela jovem, aqui chamada de Ella (Lily James), que tem um pai viúvo (Ben Chaplin) que resolve se casar novamente e acaba escolhendo uma madrasta amarga e má, além de suas filhas mimadas. Após a inesperada morte do homem, sua filha sofre nas mãos de Lady Tremaine (Cate Blanchett), Anastasia (Holliday Grainger) e Drisella (Sophie McShera) até encontrar o seu príncipe encantado e sua fada madrinha (Helena Bonham Carter).

Como em qualquer adaptação, temos algumas mudanças no roteiro de Chris Weitz. Cinderela cruza com o príncipe Kit (Richard Madden) antes do baile realizado pelo rei (Derek Jacobi); a madrasta a proíbe de ir ao evento desde o início, enquanto no desenho ela a deixa ir com a condição de que termine suas tarefas; o rei está doente e perto de morrer (drama extra); o destino da nova “família” da protagonista é revelado no fim etc. No entanto, nada que tire a magia do clássico de 65 anos atrás, sem contar os diálogos mais profundos entre as personagens, com destaque para os que envolvem Lady Tremaine. Estes são uma grande melhora em relação à animação.

Os aspectos técnicos são muito bem feitos. Figurino, maquiagem, fotografia e efeitos especiais são de altíssimo nível e traduzem perfeitamente o cenário criado por Walt Disney no passado. Assim como a versão de A Bela e a Fera lançada na França em 2014, visualmente temos um resultado magnífico, é quase impossível não se encantar com os vestidos, a produção do baile, os sapatos de cristal, a carruagem, entre outros detalhes. Se pensarmos que muitas crianças vão querer assistir ao filme, Branagh e sua equipe acertaram em cheio!

O quesito elenco também merece atenção, pois um dos requisitos para que a película desse certo era a atuação. Felizmente, James e Madden convencem da primeira à última cena e isso era básico, afinal, queremos ver um casal super apaixonado na telona; qual a graça de vermos duas pessoas e não queremos vê-las juntas no final? A atriz também foi muito bem ao interpretar a personalidade alegre, boa e atenciosa de seu papel, junto das cenas mais duras diante da madrasta (juro que quase chorei em algumas). Como ela e Blanchett souberam administrar bem perfis tão contraditórios, os embates que têm são bastantes comoventes. A história até abre um espaço para sentirmos pena de Tremaine, mesmo isso não justificando suas atitudes maliciosas.

Quem estava esperando um longa fiel ao antigo, amado por milhões de pessoas ao redor do mundo, vai encontrá-lo aqui. Não temos danças e cantos, já que não se trata de um musical, mas temos um roteiro mais detalhado sobre a infância da protagonista, uma madrasta bem maldosa e um romance extremamente convincente. Ah, e é claro, muita mágica!

Daniela Pacheco

Fascinada por cinema desde pequena. Ídolos? River Phoenix, Audrey Hepburn, Wagner Moura e Marion Cotillard.