Confira a crítica de Dunkirk, novo filme de Christopher Nolan
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Crítica: Dunkirk

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Christopher Nolan dirige filme ambientado na guerra.

A guerra é talvez um dos acontecimentos mais tristes da humanidade. Pessoas matando pessoas o tempo inteiro, de forma cruel e fria. Essa é a visão que nós temos disso e agradeço muito por não ter passado nem perto de uma situação assim na minha vida. Nasci quase meio século após o fim da Segunda Guerra Mundial.

Mas e se víssemos a perspectiva de quem está realmente lá? No caso de Dunkirk, de soldados encurralados em uma cidade rodeada de alemães, esperando o resgate enquanto são bombardeados diariamente pelo inimigo? Este é o ponto focado por Christopher Nolan em seu novo filme: a busca pela sobrevivência, a vontade de sair daquele inferno e voltar pra casa.

Quando o drama foi anunciado, não fiquei empolgada porque queria um outro suspense do diretor. Agora, preciso admitir que queimei minha língua, pois o que ele fez aqui é diferente de qualquer outra produção do gênero. O roteiro possui três arcos distintos: ar (pilotos que tentam evitar os ataques aéreos dos nazistas em Dunkirk), água (civis que usam os próprios barcos para resgatar os soldados Aliados) e terra (soldados que tentam viver a qualquer custo). Nas quase duas horas de enredo, vemos pouquíssimos diálogos. É quase que um filme mudo, regido pela trilha sonora, sons de bombardeios e tiros, desespero e medo por toda parte (planos fechados nos rostos dos atores são recorrentes na tela, que o diga Tom Hardy).

Com uma trilha sonora carregada de angústia e intensidade, Hans Zimmer encaixa sua música perfeitamente à narrativa criada por Nolan, deixando-nos aflitos assim como os personagens. É como se estivéssemos lá, no meio da guerra, fugindo da morte 24 horas por dia. E desorientados, sem saber o que fazer.

Não dá pra comparar Dunkirk com os outros filmes de Nolan porque o que ele fez aqui é único em sua filmografia. Porém, é bem claro que, desta vez, ele se superou de certa forma. O cineasta conta uma história fictícia que nos transmite o terror da guerra e nos faz senti-lo na pele por meio da imagem e do som. Uma aposta nova em sua carreira que comprova, mais uma vez, a genialidade dele e sua capacidade em nos tocar com o seu olhar único sobre o mundo.

Estreia no Brasil em em 27 de julho.

 

Daniela Pacheco

Fascinada por cinema desde pequena. Ídolos? River Phoenix, Audrey Hepburn, Wagner Moura e Marion Cotillard.