Crítica: Golpe Duplo, de Glenn Ficarra e John Requa
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Crítica: Golpe Duplo

poster-golpe-duplo-187x300 Crítica: Golpe Duplo

Confuso, com Rodrigo Santoro desperdiçado, mas divertido e com uma química excelente entre Will Smith e Margot Robbie, Golpe Duplo (Focus) tem claros problemas no roteiro, só que não deixa de ser uma ótima opção para quem quer se entreter bastante no cinema.

A história acompanha Nicky (Smith), especialista em roubos que atrai a atenção de Jess (Robbie), jovem ainda inexperiente no ramo. Ela o convence de ser seu mentor e junta-se à grande equipe que ele coordena e fatura milhões, os quais são divididos entre todos. No entanto, após envolverem-se romanticamente, o homem decide deixá-la e ambos se reencontram três anos depois, na Argentina. O problema é que essa reunião vai envolver o perigoso Rafael Garriga (Santoro), que não só contrata os serviços de Nicky, como também tem um relacionamento com Jess, sem saber da conexão entre os dois.

Nos primeiros minutos, os diretores e roteiristas Glenn Ficarra e John Requa nos introduzem às estratégias de roubos de Nicky e brevemente nos informam sobre o passado do protagonista com o pai Bucky (Gerald McRaney). Isso nos prepara para as cenas seguintes, que incluem um teste feito pela mulher nas ruas de Nova Orleans e no qual podemos ver as dicas dadas por ele sendo aplicadas. Divertidíssimo, devo dizer; e extremamente rápido. A filmagem é tão bem feita que, se bobear, você nem vai conseguir ver todos os movimentos que eles fazem na hora de roubar suas vítimas. Tudo bem que é uma coisa totalmente errada de se fazer, mas que é legal de assistir isto é! Quem sabe você não fica mais esperto na rua?

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Outra cena de destaque é uma em que o casal vai a um jogo de futebol americano e protagoniza um embate eletrizante com o compulsivo apostador Liyuan Tse (B.D. Wong). Por essa e outras que considero Golpe Duplo uma atração imperdível para quem quer momentos divertidos no cinema. Ele é muito bem montado e traz diálogos cômicos na maioria das vezes, sem contar as surpresas que temos em alguns momentos.

A falha da produção de $ 50 milhões da Warner Bros está na bagunça que o roteiro acaba se tornando na segunda metade. Quando o cenário passa a ser em Buenos Aires, a trama fica confusa. Na verdade, ela fica assim no seu clímax, quando o enredo nos revela como tudo aconteceu e temos várias reviravoltas consecutivas, muitas delas até estranhas para ser sincera, com explicações incompletas ou estúpidas (um dos diálogos finais é meio que “Oi?”, mas não posso das spoilers). Enfim, virou uma bola de neve enorme e algumas decisões de enredo decepcionam um pouco.

Além disso, apesar de compreendermos a vida de Nicky, a personagem interpretada por Robbie é mal explorada, até menos que Garriga, um coadjuvante total (por isso o “desperdiçado” no primeiro parágrafo). Ela aparece praticamente o longa todo e compartilha inúmeros diálogos com o protagonista, mas não sabemos quase que nada sobre ela. Talvez o roteiro pudesse ter aproveitado essas partes para revelar detalhes sobre ela, ao invés de discussões repetidas sobre relacionamento.

Focus teve em mim um impacto semelhante ao de Truque de Mestre, em 2013. Trata-se de um filme extremamente sexy, com uma história atraente, às vezes sacada, um forte toque de humor – atenção para Farhad (Adrian Martinez) – e, em sua duração, o espectador se sente entretido o tempo todo e também é surpreendido com o fim. Porém, você sai da sala de exibição e segue a vida, foi apenas uma distração e pronto. No caso da produção de 2015, você ainda sai um pouco confuso (a). Leva um tempo para conectar tudo e algumas coisas continuam esquisitas, mas é uma opção que vale a pena para quem procura se divertir.

Daniela Pacheco

Fascinada por cinema desde pequena. Ídolos? River Phoenix, Audrey Hepburn, Wagner Moura e Marion Cotillard.