Crítica: Gostosas Lindas e Sexies (2017) | Cinema de Buteco
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Crítica: Gostosas Lindas e Sexies (2017)

O Cinema de Buteco convidou as meninas do blog Garotas FDP para a cabine de imprensa do filme Gostosas, Lindas e Sexies e contar pra gente o que acharam. Confira!

Com estreia marcada para o dia 20 de abril (quinta-feira), uma das comédias nacionais mais esperadas do ano, Gostosas, Lindas e Sexies tenta trazer para a tela uma versão plus size de Sexy and the city.

O filme retrata a rotina de quatro amigas inseparáveis:  Beatriz (Carolinie Figueiredo), Tânia (Lyv Ziese), Ivone (Cacau Protásio) e Marilu (Mariana Xavier). Apesar de se tratar de um filme estrelado por protagonistas plus sizes, uma coisa fica clara: a vida de nenhuma delas gira em torno do peso.

Elas passam sim por diversas situações de constrangimento, mas tiram isso de letra: rebatem com um show de humor, beleza e sensualidade. Porém, ficam claras as piadas de mau gosto feitas com as pessoas gordas, as dificuldades em situações cotidianas, como o simples fato de pegar um táxi, o bullying por conta do peso. Ou seja, não faltam situações para mostrar que a vida de um gordo passa longe de ser uma maravilha.

Além de quebrar o estereótipo dos filmes de mulheres bem resolvidas serem estrelados sempre por magérrimas, Gostosas, Lindas e Sexies ainda traz Cacau Protásio, negra e gorda, como uma empresária riquíssima e muito bem sucedida. Traz também a personagem de Caroline Figueiredo casada com um homem lindíssimo e desejada por outro igualmente lindo, deixando pra trás aquele padrãozinho de que gorda vai ficar encalhada para sempre. Sem esquecermos da personagem de Lyv Ziese, que, além de fazer aulas de teatro e se movimentar muito em cena, ainda luta – e você achando aí que gorda não se exercita, não é mesmo? É pra aplaudir de pé, minha gente!

comedia-brasileira-838x547 Crítica: Gostosas Lindas e Sexies (2017)

Mas nem tudo são flores…

O filme insiste em criar uma rivalidade entre magras e gordas bem desnecessária, como se fosse impossível esse convívio (nós do Garotas FDP sabemos que podemos sim conviver e nos amar muito, né Janjam?).

Além disso, fiquei com a impressão de que o empoderamento feminino está resumido ao sexo – todas as personagens são muito bem resolvidas na cama e falam sobre isso abertamente, inclusive trazendo à tona a temática do poliamor com muita naturalidade. Porém, questões como uma mãe que cria os filhos sozinha, dilemas de carreira, ou ter mais de dois empregos para se sustentar ficam deixadas de lado. O roteiro retrata com muita superficialidade a personalidade das protagonistas e perde muito com isso.

Com um enredo atropelado, a impressão que dá é que decuparam uma novela e a transformaram em um filme, onde cenas e personagens se perdem em muitos momentos. A trama ainda tem apelos pouco trabalhados, como uma geladeira falante, que tinha tudo para ser engraçada, mas deixa o filme extremamente nonsense.

Gostosas, Lindas e Sexies é um filme para ser visto despretensiosamente, principalmente por quem ainda não fez as pazes com o espelho e precisa de um pouco de inspiração. Porém, sem grandes expectativas quanto a uma obra cinematográfica mais profunda.

Redação do Buteco

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