Crítica de Guardiões da Galáxia 2, de James Gunn
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Crítica de Guardiões da Galáxia 2 (2017)

baby groot rouba a cena crítica guardiões da galáxia 2

poster-critica-de-guardiões-da-galaxia-2 Crítica de Guardiões da Galáxia 2 (2017)O Cinema de Buteco adverte: a nossa humilde crítica de Guardiões da Galáxia 2 possui spoilers e deverá ser apreciada com moderação.

Continuando a fase 3 do universo da Marvel nos cinemas, Guardiões da Galáxia vol. 2 (Guardians of the Galaxy 2), de James Gunn, preserva os ingredientes básicos apresentados no original e segue firme ao manter esse grupo de heróis espaciais no topo das melhores adaptações do estúdio.

Guardiões da Galáxia vol 2 apresenta Peter Quill (Chris Pratt) reencontrando seu pai Ego (Kurt Russell), enquanto a equipe começa a desconfiar que essa reunião familiar pode colocar toda a galáxia em perigo – mais uma vez.

Qual é a do filme?

Com um tom um pouco mais sério, na medida do possível, a sequência mostra uma equipe mais madura e mais unida. É um autêntico ambiente familiar com direito até a um bebê para ser cuidado. O longa fala sobre o medo da rejeição e também dedica parte do seu roteiro para tratar uma relação paternal problemática, como é comum em tantas produções por aí.

Ego surge como a ilusão perfeita capaz de confortar o coração de nosso herói. A identificação é imediata e não demora para que os dois criem uma conexão, construída em cima de uma cena com a música “Brandy”. No entanto, o plano cruel do vilão é revelado e encerra a alegria de Peter ao reencontrar o que restou de sua família.

É legal notar como todos os personagens passam por conflitos relacionados a aceitação. As irmãs Gamora e Nebula brigando para escancararem o amor que sentem uma pela outra, apesar das diferenças; Drax sendo caminhoneiro com a formiga Mantis; e, claro, Rocket e Yondu virando melhores amigos ao perceberem que possuem medo de relações familiares e por isso tratam de afastar a todos.

Mais que um vídeo-clipe musical com roteiro e efeitos visuais, Guardiões da Galáxia 2 é uma grande história sobre a incrível capacidade de encontrar o nosso lar na cia de amigos.

Baby Groot rouba a cena

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Baby Groot é a minha parte favorita de Guardiões da Galáxia 2. Logo nos minutos iniciais, quando os heróis estão prestes a lutar contra uma criatura espacial nojenta, o “gravetinho” dá seu show. Enquanto seus amigos sofrem brigando, Groot presenteia o público com um belo número musical ao som de “Mr. Blue Sky” – naquela que provavelmente é a melhor sequência do filme inteiro. Ao deixar a ação em segundo plano, Gunn acerta em cheio e já ganha o seu público. É o tipo de atitude de um diretor confiante e que tem tudo sob controle.

O pequeno Groot é o bichinho fofo que deixa até os vilões apaixonados (“Ele é adorável demais para você matar”, diz um vigarista espacial) e o mascote da produção. Imaginem a quantidade de produtos que serão comercializados para se aproveitar desse charme? É como se os produtores de Guardiões da Galáxia tiverem gasto horas assistindo vídeos de gatinhos e de bebês no YouTube para criar essa mistura fantástica que é o Baby Groot. Apaixonante!

Um outro ponto curioso sobre Groot é sua participação especial durante os créditos de encerramento. Conscientes da força do personagem, os produtores incluíram uma brincadeira substituindo o nome de alguns membros da equipe por “Eu sou Groot”. É uma forma de passar o tempo durante os créditos enquanto esperamos as várias cenas pós-créditos.

Se o roteiro fosse ruim, ainda assim valeria a pena assistir Guardiões da Galáxia para se divertir com o “gravetinho”, que recebe uma cena pós-créditos revelando seu amadurecimento.

As músicas de Guardiões de Galáxia vol.2

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Ao contrário de Esquadrão Suicida, que abusou do uso de músicas, Guardiões da Galáxia sabe usar muitas músicas sem que isso pareça uma muleta. Deadpool, por exemplo, aprendeu bem a lição e usou uma trilha sonora recheada para fazer sucesso. Inclusive, temos um post dedicado para as músicas do filme. Leia aqui!

Preferi a mixtape presente no original. Eram músicas mais gostosas de se ouvir e que criaram momentos únicos na história do cinema da Marvel. “Brandy” ganha atenção e destaque, mas não consegue ser o suficiente. “Father and Son” fez eu me sentir meio dããã por não ter percebido a quantidade de homenagens e referências a Star Wars: O Império Contra-Ataca nos minutos finais. E é tudo.

As músicas foram selecionadas ainda na etapa de produção do roteiro – o que mostra a importância que James Gunn dá para a trilha sonora. Ele sabe que boas histórias precisam da companhia de músicas para se tornarem memoráveis.

As cenas pós-créditos de Guardiões da Galáxia 2

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O que não falta em Guardiões da Galáxia 2 são as cenas pós créditos. No entanto, se você esperava uma conexão com Thor, Vingadores ou Dr. Estranho, pode desistir. Todas as cenas funcionam como piadas para fãs, o que é uma pena.

Sylvester Stallone faz uma breve participação especial, mas é o suficiente para receber uma cena extra. Dá a entender que em breve teremos um novo grupo de “heróis” espaciais, no entanto se trata da formação clássica dos Guardiões da Galáxia nos quadrinhos. Ou seja, pode ser apenas uma homenagem aos fãs.

Stan Lee NUNCA recebeu tanta atenção no cinema quanto em Guardiões da Galáxia 2. Poderia ter passado batido para os mais distraídos (ou que ficaram empolgados demais com os Observadores), mas os produtores se encarregaram de cuidar para que todos percebessem sua presença. Um exercício de metalinguagem bem esperto.

Groot deixou de ser um bebê para se tornar um adolescente chato. Acho que fiquei chateado demais em ser obrigado a aceitar que ele não seria um bebê para sempre. Uma das cenas mostra Groot jogando games e levando um esporro de Quill.

Kraglin, parceiro de Yondu, se torna o novo integrante da equipe dos Guardiões e herdeiro da flecha do seu antigo capitão. Ele ganha uma cena em que assistimos ao seu treinamento que termina com um pequeno (e hilário) acidente com Drax.

Por último, a personagem mais humilhada de Guardiões da Galáxia 2 dá a entender que é brasileira e não desiste nunca. Ayesha está lá, puta da vida, mas com um plano. Aparentemente, ela vai usar o poderoso Adam Warlock numa continuação para se vingar de Peter Quill.

Crítica de Guardiões da Galáxia 2: considerações finais e links

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Guardiões da Galáxia vol.2 é uma continuação de respeito. Se as piadas deixam de ser menos escrachadas, elas se tornam mais divertidas e até mais sutis (como a parte que Groot para de dançar quando está no campo de visão de Drax). Geralmente, as continuações sofrem demais em atender as expectativas. Não vamos esquecer que o primeiro Guardiões foi uma grande aposta da Marvel em personagens desconhecidos e o resultado surpreendeu a todos. Não existia pressão naquela época, mas agora existiu. Felizmente, James Gunn deu conta do recado e nos presenteou com mais uma aventura inesquecível.

Veja as críticas de outros veículos:

Omelete: “Despretensiosa, sequência foca na relação entre os personagens e brinca com as possibilidades do Universo Cósmico da Marvel” – 4/5

Cinema em Cena: “Exibe a confiança de uma superprodução que sabe o que tem que fazer para agradar seu público.“- 4/5

IGN: “Guardians of the Galaxy Vol. 2 is a fun go-around with characters we love to spend time with, but the second film is far denser and has a few more pacing and story problems than the first.

 

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.