Crítica: Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017) | Cinema de Buteco
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Crítica: Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017)

Era difícil expressar o que esperávamos de um novo filme protagonizado pelo Homem-Aranha. Após diferentes abordagens e interpretações de Tobey Maguire e Andrew Garfield, o Peter Parker interpretado por Tom Holland (O Impossível) apareceu em Capitão América: Guerra Civil e mostrou uma veia mais cômica, acompanhando o perfil dos filmes da Marvel.

Acho importante também mencionar que eu não acho melhor Homem-Aranha: De Volta ao Lar melhor do que Mulher-Maravilha (recente longa da DC) porque noto diferentes abordagens e acredito que os dois filmes alcancem seus objetivos com vigor. Mas Homem-Aranha: De Volta ao Lar arranca mais risadas.

O filme de Jon Watts segue um caminho diferente daqueles realizados por Sam Raimi e Marc Webb. Enquanto os anteriores mostravam um Peter Parker consideravelmente adulto, o elenco de Homem-Aranha: De Volta ao Lar é predominantemente mais jovem, apresenta conflitos mais condizentes com a vida de um super-herói adolescente e ajuda no desenrolar da história e dos conflitos que Peter Parker vai encontrar pela frente. Isso não o impede de fazer uma homenagem a um dos filmes dirigidos por Raimi.

Após a participação na aventura que colocou Homem de Ferro e Capitão América em lados opostos, Peter precisa retomar sua vida de estudante em Nova York. Mas como se adaptar a uma vida “simples” depois de atuar ao lado de grandes super-heróis?

Peter tenta conciliar a vida de estudante com a de super-herói e esconder a paixão pela estudante Liz (Laura Harrier). Se sente frustrado por se mostrar à disposição de Tony Stark, mas nunca ser chamado para uma missão que ele considera estar à sua altura. A aparição do Homem de Ferro é menor do que eu imaginava, mas ainda importante e, com isso, percebemos que foi melhor assim. Se a sua participação fosse maior, teríamos a sensação de que é ele quem sempre salva o Homem-Aranha.

É por saber dosar as emoções diante de todos esses conflitos que Tom Holland mostra que ser escolhido para interpretar o jovem herói foi uma sábia decisão. Além deste, os personagens Ned (Jacob Batalon), Michelle (Zendaya) e Flash (Tony Revolori) ajudam a formar o círculo adolescente onde Peter está inserido e que inclui atividades coletivas na escola, festas adolescentes e bullying.

O Happy, de Jon Favreau, está de volta e também diverte bastante com seu jeito de funcionário dedicado e comprometido. Tia May (Marisa Tomei) é retratada com muito bom-humor e agora assume um papel mais irmãzona e, talvez, confidente, até onde um super-herói se permite fazer confidências. Essa versão mais moderna também é mais divertida.

O vilão Adrian Toomes/Abutre é apresentado com muita competência e conhecemos o rumo que o leva às ações antagônicas, o que nos faz entender o significado que ele e Homem-Aranha terão um para o outro. É com ele que temos uma das maiores surpresas do filme, o que eleva ainda mais o nível da história.

As cenas de ação contam com falas do “teioso” com ele mesmo, tentando entender tudo o que está acontecendo e acrescentando passagens cômicas ao filme. Os diálogos, que conseguem contrabalancear o peso dos conflitos do personagem, formam a maior ferramenta para divertir o público e são usados muito bem. Não podemos deixar de mencionar a trilha sonora comandada por Ramones e encaixada de maneira eficiente.

É por isso tudo que podemos considerar Homem-Aranha: De Volta ao Lar um grande feito da parceria entre a Sony e a Marvel. Além de contar com elenco e direção competentes, o filme cumpre a sua principal função: divertir o espectador. Esse objetivo é alcançado até mesmo nas DUAS cenas pós-crédito. Sim, DUAS cenas pós-crédito.

 

Graciela Paciência

Graciela Paciência nasceu e cresceu em São Paulo. Por muito tempo acreditou que seu futuro estivesse na direção de videoclipes, mas agora prefere gastar seu tempo livre no cinema, em frente à TV ou na companhia de um bom livro. Gosta de Stephen King, clássicos e cinema europeu. Suas metas de consumo estão (quase) sempre atrasadas, mas o importante é seguir em frente.