Crítica: O Lar das Crianças Peculiares, de Tim Burton
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Crítica: O Lar das Crianças Peculiares (2016)

Por mais clichê que pareça, esse é mais um dos milhões de casos em que a adaptação cinematográfica não conseguiu cumprir as expectativas dos leitores. Adaptar uma fantasia pode ser algo encantador como aconteceu em Harry Potter e em O Senhor dos Anéis, ou frustrante como em A Bússola de Ouro e O Guia Mochileiro das Galáxias.

Antes de mais nada, esta é uma crítica comparando as principais mudanças entre os livros e o filme, podendo conter alguns muitos spoilers para quem não leu o livro que deu origem ao filme.

O Lar da Senhorita Peregrine para Crianças Peculiares pode até ser desconhecido para você, mas para as crianças e adolescentes não. Publicado originalmente em 2011, o livro foi eleito como uma das 100 obras mais importantes da literatura jovem de todos os tempos, já foi traduzido para mais de 40 idiomas e virou um best seller nos Estados Unidos, ficando 52 semanas na lista dos mais vendidos do New York Times, inclusive, atingindo o topo. Um feito e tanto para Ransom Riggs em seu romance de estreia.

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Enquanto o livro mistura ficção e fotografia para contar uma história de um garoto de 16 anos em uma jornada até uma ilha remota na costa do País de Gales para descobrir o verdadeiro motivo por trás da morte de seu avô, o filme dirigido por Tim Burton esquece todas as premissas para criar um mundo mágico e colorido, descartando toda a sensação sombria criada por Ranson Riggs em sua obra. Jacob conhece uma jovem chamada Emma que nos introduz ao mundo de Miss Peregrine e os “peculiares” através de lapso no tempo, neste momento, descobrimos sua habilidade especial: ser capaz de controlar o fogo.  No entanto, na versão cinematográfica, a habilidade especial de Emma é a levitação. Ela flutua, e tem que usar sapatos pesados para mantê-la presa ao chão. A capacidade de controle de fogo foi transferida para Olive. No livro, Olive é a única que pode levitar.

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Leia nossa resenha do livro O Orfanato da Senhorita Peregrine para Crianças Peculiares.

Entendo que em toda adaptação literária é preciso realizar inúmeros cortes, mas tirar partes essenciais do livro é um tanto assustador. É impossível esquecer que o motivo que leva o personagem principal até as crianças peculiares é o relacionamento que ele tinha com seu avô, o que não é bem explorado durante o filme. Com um roteiro econômico e inúmeras falas cortadas, fica difícil criar um laço com Jake. Enquanto o livro é narrado em primeira pessoa de forma autêntica, engraçada e comovente, no filme temos um protagonista bobo que acaba perdendo espaço para as crianças peculiares, que se tornam muito mais interessantes do que o garoto que não tem nada para acrescentar.

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Com uma grande quantidade de crianças peculiares e vilões, fica praticamente impossível criar algum tipo de conexão com os personagens já que tudo é muito rápido e pouco explorado. A Senhorita Peregrine, que dá título ao filme é praticamente ausente, enquanto os vilões se transformaram em um verdadeiro show de humor. No meio disso tudo, quem acaba ganhando espaço é a atriz Ella Purnell, que dá vida ao par romântico de Jake, Emma Bloom.

“Vocês têm certeza de que não fui eu quem escreveu esse livro? Parece algo que eu teria feito…” Tim Burton

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Se você leu o livros, não se assuste! Ao que parece, Tim Burton não gostou nada do que leu e resolveu mudar muito, principalmente ao misturar partes dos três livros, criando uma obra um tanto desconexa e acabando com nossas expectativas por uma trilogia como tantos imaginavam. O que era para ser um filme sombrio e divertido acabou se tornando em uma verdadeira festa de efeitos especiais (que em muitos momentos ficaram péssimos), podendo não agradar os fãs da série literária. Em suma, o filme transformou a obra de Riggs em algo simples e bastante previsível, perdendo o encanto que tantos esperavam e não passa de um passatempo razoável. Uma das melhores coisas do filme, foi a música Wish That You Were Here”, interpretada pela banda Florence and The Machine, que faz parte da trilha sonora. Confira:

O filme chega dia 29 nos cinemas brasileiros!

Felipe Borba

Nasceu no Pará, cresceu no Maranhão e vive em Minas Gerais. Além de se considerar um explorador da natureza; Felipe é publicitário com especialização em Marketing Estratégico, é viciado em novas tecnologias, queria ser adotado pelo Neil Gaiman e tem mais livros do que dá conta de ler.