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Crítica: Quebrando a Banca

por Tyler

21_08-800x600 Crítica: Quebrando a Banca

Uma verdadeira overdose de reprises na HBO – assim poderíamos qualificar este filme. Mas pegando carona no sucesso que Frank Und… Kevin Spacey está fazendo na web series House of Cards lá no Netflix, nada melhor do que rever um de seus últimos blockbusters no cinema.  O filme em questão, 21, tem a tradução no Brasil para “Quebrando a Banca” – e neste caso temos que dar o braço a torcer, porque foi uma boa tradução (o filme foi baseado no livro “Bringing Down The House”, cuja tradução literal é Quebrando a Banca).

Filmes sobre Las Vegas, em particular, sempre trazem um quê de fascinação no público. O grande problema para Quebrando a Banca é que o paradigma sobre filmes “vegasnianos” (sim, acabamos de inventar esta palavra) já fora estabelecido antes com Onze Homens e um Segredo. De toda forma, o roteiro ataca esse problema fazendo com que a história seja um pouco mais crível do que um assalto a três cassinos da strip. Quebrando é baseado (sua maioria, ao menos) em fatos reais e isso impressiona.

A história é simples. Ben Campbell (Jim Sturgess) é um aluno do MIT (Massachussetts Institute of Technology, uma das mais importantes faculdades dos Estados Unidos sob a ótica acadêmica) que pretende cursar medicina em Harvard (explica-se: medicina nos Estados Unidos, como Direito, é um curso de “pós-graduação”). Campbell tem média ponderada 10 (ou seja um GPA 4,0 de 4,0 possíveis) e está sendo entrevistado para conseguir uma bolsa integral. Para tanto, lhe é perguntado:  descreva uma experiência de vida que faz com que você se destaque dos demais que estão aplicando para esta bolsa de estudos. O problema é que ele praticamente não tem experiência de vida.

De toda maneira, isso tudo muda – ao melhor estilo Jornada do Herói/Monomito  quando Ben se matricula em uma aula do Professor Micky Rosa (Kevin Spacey). Ao longo da aula o professor nota  – e se maravilha – com a capacidade de Campbell com os números e equações matemáticas. Com efeito, Rosa o convida para participar de um grupo de estudos um tanto quanto “secreto”.  O objeto desse grupo, digamos, é a matemática “aplicada”. O professor planeja ensinar e reunir os alunos com o escopo de fazer uma limpa nas mesas de blackjack (para fins didáticos, caso você não entenda alguma regra do jogo e queira entender para assimilar melhor a crítica, segue as principais regras escritas ou um tutorial no Youtube – em inglês).

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Como a clássica estrutura do Monomito (Star Wars, Matrix e tantos outros) o protagonista primeiro hesita em se juntar ao grupo por sua potencial prática ilícita. Depois acaba se juntando a Jill Taylor (Kate Bosworth), Choi (Aaron Yoo), Kianna (Liza Lapira) e Fisher (Jacob Pitts). O grupo não apenas conta cartas – há membros responsáveis por enviar sinais aos jogadores que efetivamente estão jogando (para saber quais mesas estão “quentes” e quais não estão).

No início obviamente as coisas funcionam como uma engrenagem perfeitamente calibrada. Ben e seus colegas fazem a limpa nas mesas, ele e Jill se envolvem emocionalmente e Fisher faz uma besteira cujo resultado é Ben como o novo contador principal do grupo. Mas logicamente as coisas só funcionam durante um tempo.

Com o passar dos dias na medida em que o dinheiro entra o estudo sai – e as notas de Ben começam a cair. Seu foco passa a ser ganhar cada vez mais dinheiro – até que começa a entrar em conflito com o líder do grupo, o professor Rosa. Desrespeitando as ordens deste, Ben vai ao cassino sozinho e é pego por Cole Williams (Laurence Fishburne), o chefe da segurança.

Bom, agora chegamos ao clímax e para o bem dos spoilers e de sua vontade de assistir a película, vamos parar de revelar o enredo. O ponto principal aqui é a performance de Spacey – ou melhor, o fato dela não ser principal. Poucos atores que outrora venceram o Academy Award topam ser coadjuvantes da maneira que Kevin, em carismática atuação, o foi neste enredo. Por mais que seu nome esteja no cartaz, ele efetivamente não é a espinha dorsal da história – sendo este o personagem de Jim Sturgess. Em suma, Spacey trabalha para que o filme dê certo – não para si mesmo ou de sua própria fama. É uma virtude rara hoje em dia e que foi demonstrada também na terceira temporada de House of Cards.

Com essência de livro transformado em filme, Quebrando não é totalmente fiel ao primeiro, obviamente. A estrutura do Monomito acompanha o enredo do início ao fim – incluindo, spoiler alert, a previsível redenção do protagonista ao final do filme. Quebrando a Banca não quebra bilheterias ou nada do gênero. Mas quebra o paradigma estabelecido 13 anos antes com Casino – o que a “casa” é invencível. Boa pedida se você gosta de filmes com jogos.

Tyler