Crítica: Star Trek: Sem Fronteiras, de Justin Lin
Aventura Críticas de filmes Destaques Sci-Fi

Crítica: Star Trek: Sem Fronteiras (2016)

A atual franquia cinematográfica de Star Trek divide opiniões entre o público; uns acham que ela desrespeita por completo a essência das séries originais, se apoiando apenas na ação e no humor; outros acham que a ação e o humor são necessário para que os filmes consigam alcançar um público maior, e que esses elementos estão bem equilibrados com a essência “cabeça” da franquia. Eu faço parte dos que gostam dos novos longas, e sempre defendi o que JJ Abrams fez pela franquia como um todo. Mas, infelizmente, não dá para dizer o mesmo de Star Trek: Sem Fronteiras.

Na nova produção da franquia, A Enterprise já completou três dos cinco anos de sua missão de exploração, e encontramos Kirk (Chris Pine) passando por uma crise existencial/meia-idade que o faz questionar se ele ainda quer continuar viajando pelo espaço. Similarmente, Spock (Zachary Quinto) recebe a notícia da morte do embaixador Spock (o tributo a Leonard Nimoy é um dos pontos altos do filme), fato que também o faz se questionar sobre sua carreira na Frota Estelar, e que se ele deveria estar dando mais atenção ao seu povo. Nesse contexto de incerteza, a Frota recebe um pedido de socorro de uma alienígena necessitando de uma missão de resgate em um planeta desconhecido e fora dos limites da Federação, missão essa que apenas a Enterprise é capaz de concluir com sucesso.

Positivamente falando, é o mais leve e divertido da franquia, fugindo do quase constante clima de tensão presente nos anteriores, o que permite que os personagens se desenvolvam de forma mais natural e espontânea, e graças a isso temos ótimos momentos entre Spock e McCoy (dignos da série clássica), Kirk e Chekov (Anton Yelchin esbanja carisma como o jovem oficial tático, o que torna a morte do ator ainda mais lastimável) e Scotty e Jaylah, interpretada por Sofia Boutella (personagem que claramente bebe da fonte de Rey de Star Wars: O Despertar da Força).

Infelizmente isso não acontece com todos os personagens; Uhura, que desde o primeiro filme da nova franquia tem se mantido como uma ótima adição à tripulação da Enterprise está totalmente apagada em Sem Fronteiras, servindo apenas como o interesse amoroso de Spock, um desperdício não só de uma ótima personagem mas  também da ótima atriz que é Zoe Saldaña. Sulu também é muito pouco aproveitado, o que frusta bastante especialmente por terem introduzido a homossexualidade do personagem (homenagem ao ator George Takei, que na época em que interpretou o piloto da Enterprise não pode se assumir por medo de perder o papel), retratada de forma bastante natural, o que é algo muito bom, mas que também não acrescentou nada de novo à sua dinâmica.

Mas a maior frustração se encontra no vilão, Krall. Assim como aconteceu em Batman Vs Superman: A Origem da Justiça X-Men: Apocalypse, temos um ator extremamente talentoso e versátil (Idris Elba) interpretando um vilão com uma péssima construção e motivações pouco críveis, o que faz com que em momento algum o espectador acredite que ele é realmente uma ameaça. A maquiagem e o CG também não ajudam, tanto que durante a maior parte do filme eu simplesmente esqueci que era o Elba, só percebendo quem era no final.

NEJpo9HBJNIKNO_2_b Crítica: Star Trek: Sem Fronteiras (2016)

O roteiro de Simon Pegg também peca bastante ao abusar de simplicidade para contar a história. Por mais que os filmes anteriores tenham suavizado a essência cabeçuda da franquia para que eles conseguissem conversar com o grande público, ainda haviam momentos complexos o suficiente para agradar os fãs mais saudosistas. Já em Sem Fronteiras isso é quase inexistente; vemos uma aventura bem-humorada descompromissada no espaço, apenas, o que não teria nenhum problema, se não estivessem falando de Star Trek. Os diálogos simplórios também não ajudam muito.

Algo que merece ser elogiado, apesar de tudo, é o fato de manterem o aspecto procedural presente em boa parte dos filmes da franquia, com cada obra funcionando meio que independentemente e com histórias diferentes, e isso contribui bastante para aumentar a vibe aventuresca e exploradora que a franquia apresenta desde a série original de 1966.

Em um aspecto geral, Star Trek: Sem Fronteiras é um bom filme de aventura e uma boa pedida para quem quer ser entretido. Mas enquanto exemplar da franquia Star Trek deixa muito a desejar. Felizmente isso não está afetando a bilheteria, o que não ameaça a próxima continuação que já foi confirmada. Agora é torcer para que os erros deste filme não se repitam no próximo.

Lucas Victor

Estudante de Produção Multimídia, nerd e escritor de contos inacabados que ninguém lê. Percebeu que era cinéfilo aos 4 anos, quando estragou um vídeo cassette assistindo A Bela e a Fera sem intervalos, e desde então o vício só aumentou. Prefere DC à Marvel (fato pelo qual é extremamente criticado) e seu maior objetivo é escrever um episódio de Doctor Who.