Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 1 | Cinema de Buteco
Aventura

Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1

Sexta-feira, 19 de novembro de 2010, milhões de pessoas se dirigirão ao cinema para assistir à primeira parte de Harry Potter e as Relíquias da Morte. O Cinema de Buteco teve o prazer de assistir à cabine de imprensa em Belo Horizonte na última quarta-feira.Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 é um dos filmes mais aguardados dos últimos tempos. E realmente é o começo do fim de uma história que marcou uma geração. Muitos de vocês cresceram lendo e/ou assistindo as aventuras do menino Potter, e agora é dado o momento de conhecer o fim.

Acredito que todos já saibam qual a sinopse do filme, mas caso você tenha vivido os últimos meses sem nenhum contato com o mundo da magia segue um resumo:

A primeira parte de Harry Potter e as Relíquias da Morte inicia-se imediatamente após os eventos relacionados à morte de Dumbledore e a ascensão de Voldemort no final do sexto filme, Harry Potter e o Enigma do Príncipe. Relíquias da Morte mostra Harry, Hermione e Rony deixando a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts para procurar e destruir as Horcruxes remanescentes: pedaços da alma de Voldemort que foram escondidos dentro de objetos quaisquer em um esforço do bruxo por tornar-se imortal. Com Voldemort subjugando Hogwarts e reacendendo seu reino de terror no mundo bruxo, Harry e seus amigos tornam-se essencialmente fugitivos, desesperadamente tentando escapar da captura dos agentes de Voldemort. Eventualmente Harry toma conhecimento da existência das Relíquias da Morte do título, uma tríade de objetos mágicos extremamente poderosos que, acredita Harry, irá ajudá-lo a balancear o poder a seu favor, e eventualmente derrotar Voldemort de uma vez por todas. (Fonte Movie Music UK/ by Jonathan Broxton)

O filme se inicia com a tradicional abertura da série, com o tema “Hedwig’s Theme” ao mostrar o logo da Warner, porém logo entramos em uma atmosfera pesada, cheia de medo e tensão. Sentimentos que são muito bem trabalhados durante toda a película, que se mostra muito mais adulta neste fechamento.

David Yates, cujo trabalho à frente da franquia sempre me deixou com receios, realiza um ótimo trabalho. Se em A Ordem da Fênix ele reduz o maior livro da série em uma das menores sequências (deixando de fora conceitos essenciais para a história), e em O Enigma do Príncipe a história se sustenta em um eixo totalmente diferente do livro (o que o torna, em termos cinematográficos, um dos melhores da série), nas Relíquias da Morte, ele parece querer se redimir de todos os seus “possíveis erros” ao filmar uma história muito mais fiel ao livro. Algo que com certeza agradará aos fãs da série.

A primeira parte de As Relíquias da Morte se mostra em vários momentos em um ritmo lento, em que absolutamente nada acontece. E ficamos à mercê de acompanhar a fuga e a solidão do trio principal. Defeito herdado do livro, onde talvez, os primeiros 60% da história acontecem em banho-maria. Tal problema pode ser considerado resolvido pela acertada decisão do estúdio em dividir o filme em duas partes, pois David pode aproveitar um roteiro mais cuidadoso e mais fiel ao livro que facilita na explicação de vários elementos que aparecem na história, tirando-nos a sensação de que as coisas acontecem simplesmente sem o mínimo de explicação.

Não é um filme com muitas sequências de ação (a maior parte delas é guardada para a segunda parte) e sim um filme mais psicológico, onde temas como solidão, fuga e medo são mais explorados. David consegue tirar dos atores belíssimas atuações. Principalmente em relação ao trio principal, que parece ter ser esforçado mais do que nunca em interpretar os seus papéis. É impossível não sentir as dores e emoções do personagens.

Podemos ver Daniel Radcliffe muito mais solto e desenvolto no papel principal, tendo que mostrar diversos sentimentos durante a história e explorando variadas formas de atuar (como na cena da transformação dos sete Potters). Emma Watson mostra todo o seu amadurecimento como atriz no papel de Hermione Granger (podemos sentir com ela a tristeza na cena inicial ao se despedir dos pais, e a segurança com que conduz o trio principal na caçada às horcruxes). Rupert Grint, que, na minha opinião, sempre foi o melhor do trio principal, não fica atrás (é angustiante vê-lo apos a fuga do Ministério da Magia).

O elenco adulto, apesar da pouca participação, mostra o acerto na escolha de cada um. Helena Bonham Carter (Alice no País das Maravilhas) está adorosamente odiosa no papel da comensal da morte Belatriz Lestrange, espero ansiosamente para vê-la na parte 2 (a cena onde ela tortura Hermione é muito boa, dá para ver o prazer que ela sente). Robbie Coltrane (007 – O mundo não é o bastante), no papel do guarda-caças Hagrid, nos brinda com uma ótima sequência de fuga numa motocicleta (duas vezes menor que o meio gigante) pelos céus da Inglaterra. Ralph Fiennes (A Lista de Schindler, O Leitor) retorna com muito mais espaço para o papel do ofídico vilão Lord Voldemort, com uma atuação desenvolta, se mostra mais à vontade no papel do cruel vilão (rezo para que, na segunda parte de Relíquias, as cenas de ação tenham sido escritas para a altura de sua atuação). Brendan Gleeson (Coração Valente) volta para uma rápida e má aproveitada aparição do auror Olho-Tonto Moody (mas mesmo que o roteiro não o tenha aproveitado, vale muito a pena ver este personagem em cena). Jason Isaacs (O Patriota) volta no papel do comensal da morte Lucius Malfoy, e possui um dos personagens mais interessantes do filme: humilhado por senhor após fracassos e uma temporada em Azkaban, podemos vê-lo em momentos de grande interpretação. Os fãs de Alan Rickman (Sweeney Todd), têm muito o que reclamar, pois seu personagem Snape pouco aparece (particulamente minha expectativa é para segunda parte). Julie Walters (Mamma Mia) e Mark Williams (101 Dálmatas) aparecem rapidamente (mas não menos marcantes) nos respectivos papéis de Sra. Weasley e Arthur Weasley.

Outros atores também estão satisfatoriamente de volta. Tom Felton, no papel de Draco Malfoy, volta nesta primeira parte, mas com uma participação bem mais limitada do que no último filme, onde seu personagem foi bem mais explorado. Bonnie Wright, a Gina Weasley, aparece tão rapidamente no filme, que sua cena não consegue contribuir muito para o filme (ou explorava mais, ou não colocasse). Já James e Oliver Phelps, que interpretam os gêmeos Fred e Jorge Weasley, novamente são os responsáveis por alguns do momentos mais engraçados da história.

Outros personagens aparecem rapidamente, como Rufus Scrimgeour (Ministro da Magia, sua atuação e imponência me fazem pensar por que ele não foi aproveitado no sexto filme); Mundungus Fletcher (exatamente como muitos fãs esperavam que ele seria!); Ninfadora Tonks e prof. Lupin (não foram nada explorados no filme); Gui Weasley (finalmente o conhecemos), lobo Greyback (só aparece), Neville Longbottom (por alguns segundos apenas), Dolores Umbridge (em ótima forma), Xeno Lovegood (não poderia esperar melhor pai para Luna) e alguns outros personagens que será mais interessante descobrir durante a película.

David Yates constrói uma história coesa. Não busca invenções mirabolantes para tornar a história mais interessante, de certa forma o roteiro reverencia a história original. Construindo cenas mais intensas, que fazem o telespectador sentir a tensão de cada uma delas. É de se elogiar a opção de usar câmera de mão para filmar a maior parte do filme, ditando sempre um ritmo de tensão e movimentos nervosos durante a peregrinação do trio principal. É importante ressaltar o uso de animação como solução para explicar a origem das Relíquias da Morte, talvez um dos mais belos trabalhos que eu ja tenha visto nos últimos tempos (pena que a legenda não ajudou).

Infelizmente muitas coisas não foram explicadas ou abordadas, mas nada que comprometa o entendimento da história apresentada até então. Já que o roteiro aparentemente busca preparar o terreno para responder apenas às questões levantadas durante os filmes, o que inevitavelmente possa deixar alguns fãs dos livros mais desapontados.Algumas cenas merecem uma atenção redobrada:

– A reunião de Voldemort e seus Comensais da Morte (chega a ser cruel ver Voldermort em ação)
– a transformação dos sete Potters e a posterior perseguição pelo céu
– fuga do casamento (é rapida, mas vale a pena)
– a troca de feitiços na lanchonete (parece um tiroteio!)
– invasão ao Ministério da Magia em busca de uma horcruxes (os atores escolhidos para interpretar o trio principal são perfeitos)
– briga entre Rony e Harry (podemos ver como esses garotos amadureceram)
– a visita a Godric’s Hollow (a cobra Nagini aparece de forma repugnante)
– a destruição de uma das Horcruxes (talvez tenha gente que não goste, mas é uma das melhores cenas!)
– a tortura na casa dos Malfoys (muita tensão, simples, direta e dura!)
– e a morte de um dos personagens mais queridos (tão emocionante quanto foi no livro! “Que lugar lindo é esse aqui. Como é bom estar rodeado de verdadeiros amigos…“)
– e a cena final (que é mais uma pausa do que propriamente o fim deste filme)

E dois fatores técnicos me conquistaram neste filme. O primeiro é a trilha sonora composta pelo francês Alexandre Desplat (O Despertar de uma Paixão, Desejo e Perigo e Lua Nova). Totalmente orquestrada, a música é envolvente e cheia de camadas. É uma trilha emocionante, que ajuda a compor o tom sombrio da história, se desenvolvendo com ela e completando-a nos momentos devidos, levando quem assiste a uma experiência mais profunda com os sentimentos da história. Apesar da trilha não apresentar nenhum tema que sairemos cantarolando quando saírmos do cinema, esse é com certeza um filme a que assistiria apenas para ouvir a trilha sonora.

O outro quesito técnico é a fotografia de Eduardo Serra (Diamante de Sangue), que nos premia com cenários naturais maravilhosos (muito explorados nesta sequência), ao mesmo tempo que não abandona a cor cinza que permeia toda historia. Aliás, este é um filme que é marcado por cores mais frias, como o cinza, o azul e o preto. Cores que arremetem os sentimentos de medos, dúvidas, fugas e conflitos em que os personagens estão inseridos neste arco da história.

As Relíquias da Morte- Parte 1 não é um filme que termina em si mesmo. Muitos podem achar que o filme termina sem nos dizer nada. Mas funciona como um prelúdio para o desfecho da guerra entre o bem e o mal, entre Harry e Voldemort, além de preparar (ou pelo menos tentar) as respostas para todas as dúvidas construídas durante a série.

Enfim, Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 está entre os melhores filmes da série. Para os fãs é uma grande dificuldade falar de forma menos passional sobre a série. Indo além de toda a expectativa criada, As Relíquias da Morte se torna um filme extremamente interessante de se assistir, e é por muitos dos acertos desse filme é que dou 4 caipirinhas (aguardando ansiosamente pela parte 2).

*****
Nota do Buteco: Confesso que fui muito tentado a colocar vários spoilers nesta resenha, visto que, como fã, gostaria de contar o máximo de coisas a que tive o prazer de assistir, e tentar separar uma coisa da outra foi realmente difícil. Mas respeitando os direitos de quem não gosta de spoilers, refiz esta resenha 5 vezes, entre sono, conversas no MSN e um computador que travou no meio da escrita, procurando colocar o mínimo de spoilers possível. Por isso, caso o resultado da tentativa tenha sido desastrosa, os motivos já estão apresentados. [FC]

fabricio

Comentários

  1. O pior defeito que um "iniciado" pode fazer ao assistir alguns dos filmes do Harry Potter é tentar achar o livro no filme. Eu sou incapaz de ignorar os livros e acredito que serei um eterno frustrado em relação às adaptações. Uma pena.

    Vi duas vezes e na segunda, consegui relaxar um pouco e curtir apenas o filme, tentando ignorar tudo que eu já conhecia. Porém os defeitos em relação ao livro só ficaram mais evidentes… hahaha

    foda.

  2. Fabrício…
    Olha me senti lendo uma reportagem da SET sobre um filme do Harry Potter… Você escreve muito bem.
    E me deixou super hiper mega curiosa, pois só vou ver o filme na segunda.rs
    Adorei!!!
    Parabéns.

  3. Olha,pelo jeito o filme parece ser MUITO BOM!!!!!Parabéns Fabrício,gostei muito dos seu texto!!!Se o filme for tão bom quanto o texto,será imperdível!!!!!bjo

  4. Parabéns pela resenha, você escreve muito bem, e me deixou muito mais curiosa para ver o filme…
    PS: Da proxima vez peço a vc para fazer minhas resenhas da facu – rs.

    Bjs.
    Amanda (TT)

  5. Eu acho esse texto muito bom e confesso que tenho medo do que irei encontrar hoje no cinema! Não gosto muito do David como diretor, na minha humilde opinião o filme mais fiel continua sendo A Pedra Filosofal. Espero ser surpreendido como fã lunático que sou.

  6. 2T, também sou um iniciado. Mas eh preciso pelo entender q são midias diferentes!!! E apesar da comparação ser inevitavel é possivel ficar satisfeito com algumas mudanças… (e ser critico com o que ficou ruim)

  7. Claro que é possível ser feliz sabendo diferenciar os formatos, mas acontece que eu sou xiita. Não dá. Cresci com os livros, com a história e quando vejo certos assassinatos, não dá para ignorar.

    Nunca fui daqueles que lê e imagina como seria o filme na cabeça. Simplesmente leio as palavras e o desenvolvimento da história. Não fico dando uma de FANTASTICO MUNDO DE BOBBY e criando as coisas na minha cabeça. O problema é falta de fidelidade e falta de tato em algumas cenas; AUSENCIA DE PERSONAGENS e outras coisas mais…

    Após a morte do Olho Louco, já na Toca, o Gui Weasley começa a falar de um jeito muito marcado. Foi forçado, como se cada hora fosse a vez de um personagem falar.

    Cara.. CADE O CHARLIE WEASLEY????

    E não me venha com "precisa enquadrar no formato". Ele tirou um personagem da família Weasley. Acho ridiculo. Cadê o Pirraça? Saca?

  8. Como foi solicitado estou voltando para deixar meu depoimento pós filme.

    Devo admitir que eu gostei muito, mesmo sem algumas partes que eu julgava importante, como a cena da despedida do Duda, da chegada na casa dos pais da Tonks, da cena de ciúmes do Ron pela Hermione com o Krun e dentre outras. Mas o mais legal é que as cenas que faltaram, posso afirmar, que são coisas de fã dos livros, Dave Yates fez muito bem o seu papel de diretor e conseguiu introduzir o livro dentro do filme pela primeira vez. Acho que essa de poder gravar o filme em duas partes, somando as experiências dos filmes anteriores e mais as críticas dos fãs, ele conseguiu fez um ótimo trabalho.

    Outra coisa que eu quero elogiar são os efeitos especiais, gostei muito da cena da Batilda quando ela se transforma na Naguini, só daí entendi a cena que no livro é um pouco confusa. A sacada da autora de dar poção polissuco para um animal se transformar em pessoa não tinha ficado muito clara nos livros ou então eu comi bola… rs Agora entendo porque a Batilda não falava.

    A cena em que o cinema todo sente um aperto no coração é sem sombra de dúvidas quando dobby é morto… confesso que eu chorei.

    A cena que eu mais gostei, foi a da corsa que guia o Harry até o lago, onde a espada de Gryffindor está no fundo do lago congelado, quando Ron tem os seus piores pesadelos ao mesmo tempo, mas consegue destruir a Horcrux.

    Bem, poderia ficar escrevendo aqui um texto enorme. Só tenho que dizer que o filme está realmente bom.

    Eu recomendo!

    Abs!

  9. Acabei de assistir ao filme e achei excelente. Foi o melhor da série até agora e o único contado num ritmo adequado, sem aquela correria dos anteriores. Daí a impressão do ritmo "lento" em alguns, mas que acho acertadíssimo, bem coerente com o livro.

    2T, permita-me discordar do seu xiitismo. Hahaha… Eu li todos os livros, os últimos inclusive logo quando saíram. Mas o cara tá lançando uma adaptação, não uma reprodução do que foi escrito em livro. Concordo com essas decisões de tirar um personagem inútil. Charlie Weasley? Qual a função ele exerce na trama que faz tanta falta assim? Colocar um ruivo a mais só por colocar é bagunçar ainda mais a cabeça do espectador. O mesmo com Pirraça e outros.

    E fatos da trama também: por exemplo, já vi reclamarem que o final de Enigma do Príncipe foi muito alterado, tinha uma super batalha em Hogwarts e blablabla. Ora, é claro que cortaram fora essa superbatalha no filme 6, pra dar mais ênfase na do filme 7 (parte 2) e ninguém ficar com a sensação de "já vi isso antes".

    Entendo o apego que muitos fãs têm a personagens secundários, mas se eles não são essenciais à história que se está contando, que cortem fora mesmo. Se o elenco se resumisse ao trio principal, Snape e Voldemort, já daria um filmaço.

  10. Mas eu não estou defendendo uma reprodução dos livros. Como filme, eu gostei sim. Mas mesmo nessa categoria, ele tem defeitos. Harry NUNCA falou "você-sabe-quem" e numa determinada cena, ele solta isso sem explicações. Pequenos detalhes, eu sei, mas… alguém tem que falar. Sei que incluir o Dobby apenas na cena final seria um choque para o grande público, mas se durante toda a franquia no cinema houve essa briga sobre qual público deveriam agradar mais, tinham que ter chutado o pau da barraca e pronto.

    Concordo que junto do ENIGMA DO PRINCIPE, esse é o melhor filme da série. Só que fica muito difícil comentar algo que eu gosto tanto e que foi apresentado de forma incompleta (tanto na adaptação quando no formato de ser apenas a primeira parte).

  11. Ei Fabrício!

    Você escreve bem, hein moço? Parabéns pelos comentários sobre o filme.

    Ler só me fez ficar com mais vontade de assistir.

    Quando assistir, te conto o que achei.

    Bjins,
    Luciana.

    ps.: Já te disse no twitter que fiquei com inveja mortal por vc já ter visto 2x.

  12. O filme já é todo feito para fãs. Mesmo os livros têm sempre um capítulo explicando tintim por tintim o que aconteceu nos livros anteriores, pros desavisados que estão pegando a história no meio. Os filmes já começam assumindo que o telespectador assistiu todos os anteriores, sem ao menos um letreiro à la Star Wars. Assume-se que o cara tá por dentro de tudo que tá acontecendo e dane-se o espectador de primeira viagem.

    Pequenos defeitos existem em QUALQUER filme e por milhões de motivos, mas não é isso que torna um filme pior. Quando temos um filme de 2h30 e as críticas focam em "Harry Potter disse você-sabe-quem", é porque o filme foi bom mesmo e só restou catar defeitos em pequenas derrapadas. É que nem fazerem um filme da Turma da Mônica e reclamar que faltou o Zé Luís.

    Se o filme não fosse dividido em parte 1 e parte 2, como você mencionou na última frase, os cortes seriam imensamente maiores e aí todo mundo teria motivo pra reclamar mesmo. Dessa forma todo mundo ganhou: a Warner, que vai embolsar o dobro de grana; o filme, que ganha em narrativa e ritmo; o telespectador casual, que tem mais tempo pra digerir uma história cheia de detalhezinhos; e os fãs, que podem ver suas cenas favoritas na tela.

    Ser fã é legal, mas ser fanático radical só traz frustrações. Sou fãzão do Batman e de Watchmen. Vou descer a lenha no Cavaleiro das Trevas porque mudaram a origem do Duas-Caras, ou no Watchmen porque alteraram um pouco o final? Não, ambos continuam sendo ótimos com todas essas mudanças. Adaptações não têm que ser fiéis aos detalhes, e sim ao espírito. Até agora não achei que nenhum dos detalhes que você citou comprometem em nada o Harry Potter 7.1 como filme.

    Os livros também não são perfeitos e, num mundo ideal, eu eliminaria sem dó aquele epílogo constrangedor do último livro. Mas já vi notícias de que aquilo foi mesmo gravado, espero que não tenha ficado tosco a ponto de estragar o filme. Podiam deixar como extra de DVD como "possível futuro alternativo" ou simplesmente esquecer que a Rowling publicou aquilo de verdade.

  13. Imaginar os atores mais velhos é meio tosco mesmo e também não gostei dessa parte nos livros… Muito "felizes para sempre".

    Então… eu gostei do filme. Isso já deixei claro. Mas me decepcionei sim com algumas alterações. Se for para avaliar apenas o filme, tenho minhas críticas também, óbvio, mas é um bom filme e que pode mesmo vir a concorrer ao Oscar de melhor filme. Sou um fã dos livros e sempre tive muito o que reclamar dos anteriores, que eram rápidos demais. Esse último filme é cadenciado, tem drama, investe na psicologia dos personagens (especialmente o Rony), tem um elenco de apoio incrível e uma trilha sonora sensacional. Só que no meu caso, não consigo ignorar as "pequenas derrapadas" como a que mencionei e algumas outras, como a ausência da poção Polissuco no casamento do Bill e da Fleur. Na sequência de Godric Hollow, o roteiro explica o motivo deles não usarem a poção, e se encaixa direitinho no que o diretor se propôs ao trabalhar a psicologia dos personagens.

    E no caso do Batman… O Nolan pegou carta branca para reconstruir a origem de todos os personagens. A origem do Duas Caras é base do Cavaleiro das Trevas e como o roteiro tentou ser o mais realista possível, ficou genial e facilmente "perdoável". Não li a HQ do Watchmen e não posso comentar…

    Outro exemplo, dessa vez negativo, é o que fizeram em Homem Aranha 3. Aquilo foi PISAR na testa dos fãs do aracnídeo. Peter emo; Homem Areia assassino do tio Ben; Gwen Stacy ; e uma porrada de merda.

  14. Vcs escrevem mt, então só li os primeiros comments além do post! xD

    Concordo com o TT em uma coisa:

    *O pior defeito que um "iniciado" pode fazer ao assistir alguns dos filmes do Harry Potter é tentar achar o livro no filme. Eu sou incapaz de ignorar os livros e acredito que serei um eterno frustrado em relação às adaptações.*

    Sou assim, admito. Mas acho q sou mais tolerante que o TT ^^

    Enfim, ÓTIMO post! E tentarei ver essa semana pra dar a minha visão do filme aqui nos comments!

  15. Acho que deram uma maneirada na poção Polissuco pro filme não ficar o tempo inteiro com outros atores. O livro usa muito esse artifício da poção e ficaria esquisitaço ver o Harry Potter na pele de um ator diferente a cada cena. Só nessa primeira parte, a poção foi usada 2 vezes (no filme) e 4 vezes (ou mais?) no livro.

    Homem-Aranha 3 é um lixo grande. E não é nem só porque não seguiram a essência das HQs: não seguiram os próprios filmes anteriores. Alterar o assassino do tio Ben foi uma sem-vergonhice sem perdão. Ainda bem que o Sam Raimi fez o "Arrasta-me Para o Inferno" em seguida e se redimiu um pouco. Mas a merda do terceiro filme foi tão grande que lá estão dando reboot na franquia.

    Quanto à parte 2 do Harry Potter 7, no meu filme ideal eles teriam a coragem de fazer o que a Rowling quase fez e se acovardou no final, que seria (SPOILER!) dar ao personagem principal o destino que ele já tinha aceitado para si. Seria mais emocionante, poético, ousado e até adulto, sem o ingênuo "felizes para sempre" que até hoje cismam de priorizar.

    E se fosse pra ter epílogo, que fosse um que desse a pista de que nem tudo está às mil maravilhas como o epílogo do livro nos faz acreditar. Os problemas do nosso mundo não acabaram com o fim do nazismo e não vejo porque seria diferente num mundo de bruxos. O teor político foi bem acentuado nos filmes do Yates e seria bem interessante se seguíssemos uma linha realista pra imaginar o futuro da trama. Mas a Rowling estava mais preocupada em falar quem teve filho com quem, igual final de novela. Era isso que ela tava guardando num cofre durante tantos anos?

  16. Excelente lembrança. As cenas em que Harry invade o Ministério lembram demais a propaganda nazista, inclusive com os livros informativos sobre os trouxas. O Yates fez muita coisa boa, só é preciso ignorar o livro e aceitar que não foi um fã da saga que dirigiu os filmes… (Todas minhas críticas são baseadas na trilogia do Senhor dos Anéis, que mesmo sendo uma adaptação com defeitos, foi GENIAL)

  17. "Harry Potter e as Relíquias da Morte" mostra o apuro total da série que conquistou milhares de fãs no mundo inteiro – até para os não iniciados no mundo da magia, ou viciados nesse contexto da fantasia. É um filme que, finalmente, encontra seu teor de maturidade, numa direção mais central e cuidadosa de Yates – que com a ajuda do roteirista Kloves – consegue condensar todas as principais partes do livro, bem como diálogos. Toda a essência está ali, ao contrário dos anteriores que acabavam por correr demais em certas passagens.

    É realmente admirável ver como o elenco aqui está mais entrosado, ou melhor: Temos um Daniel Radcliffe mais maduro. Rupert Grint e Emma Watson, num mundo mais justo e acolhedor, poderiam ser indicados ao Oscar. Sim, eles têm uma atuação mais emocional, estão realmente bem no filme, há momentos que até impressiona.

    O roteiro consegue fluir bastante, evitando cenas rápidas, explica muito bem certos contextos do filme, é admirável o cuidado em até situações rápidas que no livro parece não ter importancia, mas no filme faz todo o sentido. Eu gostei muito da forma sombria que o filme tem, da maneira "adulto" estampado em cada cena, nos diálogos até reflexivos do trio central. Inclusive, há mais ousadia nesse, até sensualidade em uns contextos, a puberbade mais evidente…e o senso dark, fora do contexto de magia dentro de Hogwarts – iniciado desde "A Ordem da Fenix" aqui atinge seu ápice…

    Diferente mesmo este filme, pois o roteiro não tem partes confusas ou desconexas como muitos trabalhos cinematográficos, adaptados de livros, tendem a demonstrar.

    Gostei dos momentos de Harry – Rony – Hermione.
    Da forma como a mão de Yates priorizou as atuações deles…
    Helena Bonham Carter conseguiu também acertar seu tom como Bellatrix Lestrange, se antes ela parecia meio artificial demais, neste filme assombra demais.

    O que foi aquela parte da animação no meio do filme mesmo? muito bom ter colocado o Conto sendo explicado com uma animação.

    As cenas de ação, ainda que não tão extensas e intensas, são impressionantes e iguais aos do livro. A trilha de Alexandre Desplat, ainda que correta(talvez, a menos inspirada deste compositor que surpreende a todo trabalho), é satisfatória – mas, é verdade, de longe é o ponto mais fraco do filme. A fotografia de Eduardo Serra (admiro ele, já havia feito um belo trabalho no "Moça com Brinco de Pérola")muito boa, dá todo o clima do livro/filme, a forma como o filme usou de referências de outros filmes tambem me agradou.

    Há um clima triste que paira todo, algo meio pessimista, intimista até – de fato, o último livro da saga é o mais denso e pesado, precisava de um filme que fizesse jus a ele. Há momenos emocionais, como a passagem de Dobby…há cenas bem emocionantes mesmo.

    Eu realmente estou admirado com o trabalho deste filme!
    Ao contrário de todos, acho o melhor do ano até agora. Isso mesmo, mais até que os idolatrados "A Origem".

    Que venha a parte dois!

  18. Um Filme Muito Esperado Causa Grande Expectativa Ainda mais se tratando de uma serie como Harry Potter que Faz sucesso Desde Os Primeiros Filmes…
    Porém Diferente dos outros Filmes Harry Potter e as Relíquias da Morte parte 1 é definitivamente O filme que Todos esperavam…e gostariam que Os outros Que ja foram feitos..seguissem Ao menos Um pouco a linha em que este foi feito… Cheio de Cenas que Agradaram os Fãs Mais Exigentes e tbm com cenas inovadoras que Até mesmo Surpreenderam alguns… Simplesmente na minha opinião…o MELHOR até agora.

  19. Fabricio,

    Adorei o filme, e sua resenha está muito boa mesmo.

    Sou obrigada a concordar com voce em relação às legendas do conto.. está HORRIVELLL eu nao consegui ler uma boa parte dela, sorte a minha que conhecia a história, mas pra quem não conhece porque não leu o livro, ficou sem entender essa parte.

    Voce está de parabéns pelos comentarios, mas o Hagrid não é guarda caça?

    Silvia