Os Amantes do Círculo Polar - Cinema de Buteco
Romance

As Mais Belas Histórias de Amor do Cinema: Os Amantes do Círculo Polar

por João

Os Amantes do Círculo Polar (Los Amantes Del Círculo Polar). De Julio Medem. Com Najwa Nimri, Fele Martínez, Nancho Novo.


Os-amantes-do-circulo-polar As Mais Belas Histórias de Amor do Cinema: Os Amantes do Círculo PolarSim, eu disse que ia escrever sobre o
Nós que nos amávamos tanto do Scola, mas esse aqui furou a fila. Impossível não escrever sobre ele.. A história é arrebatadora: Otto e Ana são crianças que se conhecem por acaso. Desde então desenvolvem uma relação que atravessa os tempos. Circularidade, memórias, e um amor que culmina no Círculo Polar, onde em alguns meses, o sol nunca se põe. Porque algumas coisas nunca acabam, e o amor é uma delas.

A premissa de
Amantes do Círculo Polar não é das mais originais, pra falar a verdade. A forma como é mostrada o é. O foco do diretor Julio Medem (do recente e louco Caótica Ana) é que faz a diferença. Pois se Otto e Ana, decidem ficar juntos pra sempre já aos oito anos de idade, a trajetória desse “pra sempre” é o que passa a interessar. Acompanhamos as diversas fases pelas quais eles passam, e as coincidências que os fazem pensar no poder universal do acaso. Amantes… é um belo filme por isso. Alternando entre os pontos de vista dos dois protagonistas (e contando com a diversidade que isso propõe, afinal, mesmo vivendo os mesmos acontecimentos, os pontos de vista são diferentes…), confirma-se a idéia de que não é o fato representado ali que interessa, mas as descrições deste. Otto e Ana vivem o mesmo amor, mas é fundamental para o filme que o espectador perceba a forma como cada um o vive, pois apenas ele conhece os dois lados da história.

Assim como o nome de seus protagonistas, o filme mesmo é quase um palíndromo (sabe aquelas palavras que quando lidas de trás pra frente fazem o mesmo sentido?). Começamos pelo final. Mas é porque seremos levados até lá pelas providências do acaso. É sobre isso o filme, afinal de contas: a todo o momento temos a impressão de que o acaso, aquele com o qual Otto e Ana já estão tão acostumados – a ponto de contarem com ele para que se reencontrem, conspirava desde muito antes dos dois amantes nascerem (desde a segunda guerra mundial, descobre-se em certo momento), para que esse amor se concretizasse.

Mas isso não acontece com todo mundo? Como você conheceu seu namorado ou namorada? Porque os dois estavam juntos ali, naquele exato momento? É claro que em
Amantes… essa circularidade é ainda mais acentuada, dada a forma como as coisas se mostram ao longo da história, contada como diz Ana “juntando casualidades”.

Depois da vida, e da forma como os acontecimentos se engendraram para cada um deles (crescimento, morte, autoconhecimento, outros “amores”) tudo o que resta é o amor. É uma sensação de que esse sentimento existe, a que temos no fim do filme, quando num momento digamos… drástico da vida de Ana, só o que lhe vem em mente é a vontade se seguir em frente e encontrar seu amado.
Sério: corre atrás desse filme vê e me conta depois se eu tô exagerando… É sim um filme digno de entrar na lista das mais belas histórias de amor do cinema! Vale muito a pena. Assista acompanhado que é melhor! rs

João

Filósofo, arte educador, amante de cinema, funk carioca e de uma boa conversa acompanhada de cerveja.