Crítica: A Quinta Onda, de J Blakeson
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Crítica: A Quinta Onda (2016)

a-quinta-onda-crítica-838x524 Crítica: A Quinta Onda (2016)

Adaptações de obras juvenis têm se tornado algo extremamente comum em Hollywood e A Quinta Onda (The 5th Wave, EUA, 2016) é mais uma da lista. Mas será que ela vai conquistar o público como Jogos Vorazes e Divergente? Na minha opinião, provavelmente não.

A premissa básica é até interessante: os Outros invadem a Terra e provocam diversos ataques, a fim de dizimar a população. Eles cortam a eletricidade, trazem tsunamis, uma forte peste, entre outras “ondas” que não posso falar ou vou dar grandes spoilers. A história central foca em Cassie (Chloe Grace Moretz), adolescente que perde os pais, acaba se separando do irmão Oliver (Ron Livingston) em um refúgio para sobreviventes e tenta ir atrás dele até a base do exército americano onde ele está treinando para combater os Outros.

No entanto, por mais que a proposta seja, à primeira vista, emocionante e misteriosa, faltam personagens cativantes para nos envolverem na história. A única que chamou a minha atenção por sua personalidade forte foi Ringer (Maika Monroe) e não porque ela é rebelde; a maneira que Monroe lhe deu vida a fez se sobressair diante dos demais a meu ver. Ben (Nick Robinson) me pareceu um rapaz metido e chato, enquanto Moretz simplesmente não consegue se impor na tela como sua protagonista deveria.

Como nas franquias literárias anteriores, temos um romance entre Cassie e Evan (Alex Roe), um belo jovem cheio de mistérios. Porém, sua química com Moretz não convence muito e a relação deles não é bem desenvolvida, é tudo muito rápido para acreditarmos nas intenções dele com ela. Quando o roteiro nos explica o porquê dele ajudá-la, ficamos: “Sério mesmo que é isso?”. Em outras palavras, o romance que a audiência espera existe, mas não impressiona, pela menos na minha opinião.

Digo o mesmo para o líder do exército, Vosch (Liev Schreiber). O ator dá ao papel o tom sério e duro que ele precisa, só que o enredo não permite que ele tenha uma participação que atenda às nossas expectativas. A cena em que ele faria a diferença chega até a ser engraçada porque esperamos um discurso revelador, mas nada demais acontece. Isso não só prejudica o sucesso do antagonista, mas também o filme em si, uma vez que seria uma parte que explicaria muita coisa do enredo.

Eu sei que A Quinta Onda é um começo e a ideia é ter continuações e mais informações sobre tudo o que acontece após a chegada dos extraterrestres, mas é difícil se envolver com a maioria desses personagens, o que torna os clichês do gênero ainda piores. Junte isso à pouca quantidade de conteúdo relevante sobre os Outros, ou seja, uma contextualização bem feita sobre eles, e o nosso envolvimento com a trama acaba sendo prejudicado.

 

Daniela Pacheco

Fascinada por cinema desde pequena. Ídolos? River Phoenix, Audrey Hepburn, Wagner Moura e Marion Cotillard.