Crítica: Apenas Jim, de Craig Roberts.
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Filme: Apenas Jim (Mostra de São Paulo 2015)

just-jim Filme: Apenas Jim (Mostra de São Paulo 2015)

Aos 24 anos de idade, Craig Roberts escreveu, dirigiu e protagonizou este Apenas Jim, o que é sem dúvida alguma uma realização notável para um rapaz tão novo. Mesmo assim, não é preciso assistir a mais de vinte minutos de seu filme para perceber que a mente por trás das câmeras não tem a mínima maturidade nem para decidir o tom que quer adotar nem para segurar sua necessidade de mostrar o quanto “sabe dirigir” – e muito menos para controlar as múltiplas ereções que tem a cada referência que faz ao clássico Juventude Transviada e a seu astro James Dean, que surgem quase em um crossover com a história principal deste longa.

Jim (“Psiu! Você sacou a referência espertinha já no título do filme, né?”) é um adolescente tímido e desajeitado que, sofrendo bullying constante dos fortões da escola, costuma passar as tardes com o único amigo Michael (Owen) ou sozinho em uma sala de Cinema abandonada que sempre exibe o mesmo filme noir (cujas falas, claro, ele já sabe de cor). Certo dia, um misterioso rapaz mais velho que anda de porsche e está sempre vestindo uma jaqueta de couro vermelha (“Sabe quem é? Sabe?”) aparece em sua cidadezinha do interior da Inglaterra e passa a tentar ajuda-lo a vencer suas inibições, logo fazendo amizade com seus pais (Nia Roberts e Aneirin Hughes) e levando-o a conseguir um encontro com o crush (a ruiva Jackie, vivida por Charlotte Randall).

Tentando se exibir com uma montagem rapidinha que mais parece tentar copiar o estilo de diretores como Guy Ritchie que funcionar a serviço da narrativa (uma bobagem que divide com seu montador Stephen Haren) e com efeitos sem propósito como a luz do isqueiro que ilumina toda a tela sempre que acionado (dessa vez, é o diretor de fotografia Richard Stoddard que deve ser lembrado), o jovem cineasta desperdiça um bom personagem e a atmosfera inicialmente melancólica quase que inconscientemente conferida pelo céu e as casas cinzas de suas locações ao criar situações absolutamente deslocadas como o discurso diabólico da gerente do cinema, que subitamente insere uma atmosfera de terror que em nenhum momento havia sido antecipada.

A indecisão de Roberts em relação ao tom do longa, que salta do drama ao suspense passando por sequências quase surreais e por momentos de comédia do embaraço, aliás, só não rivaliza em termos de imaturidade com o bombardeio de referências que procura disparar em direção ao espectador, chegando ao ponto de trazer uma menina de dezoito anos dizendo que quer morrer jovem para ter um cadáver bonito – e seu total desconhecimento do filme em que quer dirigir se comprova na cena em que vemos o protagonista descrever um sonho a outro personagem, uma contradição imperdoável em um filme repleto de representações de sonhos, medos e fantasias de seus personagens.

Contando com uma atuação divertida de Emile Hirsch, que não cai na tentação de imitar os trejeitos característicos de Dean, mas vive seu personagem mais como uma ilusão do que como um rapaz de carne e osso (ainda que o filme descarte essa possibilidade ao permitir que ele interaja com todos os outros personagens), Apenas Jim é um filme adolescente no pior sentido da palavra, servindo mais como um estágio para seu jovem diretor que como um filme que mereça atenção de terceiros.

Apenas Jim (Just Jim, Reino Unido, 2015). Escrito e dirigido por Craig Roberts. Com Craig Roberts, Emile Hirsch, Ryan Owen, Charlotte Randall, Nia Roberts, Aneirin Hughes, Sai Bennett, Mark Lewis Jones, Trystan Gravelle, Richard Harrington, Helen Griffin e Darragh Mortell.

João Marcos Flores

Crítico de Cinema associado à OFCS (Online Film Critics Society, a maior associação de críticos online do mundo, sediada nos EUA) e editor do blog Cineviews.