Crítica: A Cor do Dinheiro, de Martin Scorsese
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Crítica: A Cor do Dinheiro (1986)

A-Cor-do-Dinheiro-Crítica-838x471 Crítica: A Cor do Dinheiro (1986)

MARTIN SCORSESE É UM DAQUELES CINEASTAS QUE VOCÊ FAZ BEM EM NÃO QUERER DESCOBRIR a filmografia inteira de uma só vez. É bom guardar algumas obras para momentos especiais e poder se deliciar em como os seus filmes são sensacionais. A Cor do Dinheiro (The Color of Money, 1986) é um grande exemplo de como a sua filmografia é rica. Se tivesse sido dirigido por outro diretor, possivelmente receberia uma atenção maior, mas nas mãos de Scorsese é apenas mais uma obra-prima, entre várias.

Estrelado por Paul Newman, Tom Cruise e Mary Elizabeth Mastrantonio, o filme conta a história de um rapaz convencido, mas muito talentoso, que começa a aprender lições valiosas sobre a vida de um jogador de bilhar profissional. Durante os ensinamentos, o seu professor acaba percebendo que ainda sente tesão pelo jogo e começa a se sentir animado com a possibilidade de voltar às mesas. Continuação de Desafio à Corrupção, de 1961.

Já pensando em quem não entende absolutamente nada do jogo, Scorsese preparou uma introdução bem breve, que não apenas cumpre a sua função de explicar as regras para os leigos como dá o tom da história. Não se trata de um filme sobre sinuca, mas sim sobre a vida e as motivações dos jogadores.

Impressionante como Paul Newman ganha o espectador sem o menor esforço na abertura do longa. Com seus olhos azuis e sorriso sedutor, ele conversa tranquilamente com uma mulher. A sua conversa é perturbada pelo personagem de John Turturro pedindo dinheiro emprestado e pelo barulho das tacadas de Vincent (Cruise). Aliás, o trabalho de equipe sonora de A Cor do Dinheiro é ótimo. As tacadas de Newman e Cruise soam como verdadeiros trovões e possuem bem mais força do que dos adversários. Isso não apenas serve para caracterizar os personagens como especiais, mas como homens talentosos que não possuem equivalentes na vida de profissional.

Cruise ainda estava no começo de sua ascensão como galã de Hollywood. Seu maior sucesso, Top Gun, havia sido lançado apenas meses antes e A Cor do Dinheiro foi apenas a oportunidade de poder dizer que trabalhou com um dos melhores diretores de cinema de todos os tempos – feito nunca repetido até hoje. Na pele do arrogante Vincent, Cruise dá um show de atuação como poucas vezes visto em sua carreira. Completando o trio principal, Mastrantonio vive o par romântico de Vincent. Carmen é cheia de segredos e particularidades que permanecem desconhecidas pelo amante, mas que são facilmente percebidas pela experiência de Fast Eddie (Newman), que dá um esporro memorável depois dela tentar seduzi-lo. Graças ao trabalho inspirado do elenco sob a direção de Scorsese, podemos afirmar que o maior trunfo de A Cor do Dinheiro é a verdadeira aula de direção de atores.

Nunca pensei que pudesse achar uma partida de bilhar emocionante, mas é exatamente isso que Scorsese consegue fazer o espectador sentir: a partir do momento em que entendemos porquê aqueles personagens dedicam as suas vidas para jogar em troca de dinheiro, as suas estratégias e técnicas começam a chamar a nossa atenção e criar um inesperado interesse pelo jogo.

Caso você seja fã de Martin Scorsese, A Cor do Dinheiro é um filme imperdível. Até mesmo para quem não é tão fã do trabalho do diretor pode se surpreender com o ritmo mais ágil e uma duração um pouco menor que o costume, mas o que garante mesmo a atração do público é a química entre esses três atores principais, principalmente o carismático Paul Newman. Que homem!

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.