Crítica: Goosebumps: Monstros e Arrepios, de Rob Letterman
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Filme: Goosebumps: Monstros e Arrepios

goosebumps-crítica-2015-838x558 Filme: Goosebumps: Monstros e Arrepios
Difícil esquecer de Goosebumps, série que assistia durante minha infância e começo de adolescência. As histórias eram assustadoras e eu não perdia um capítulo sequer. Talvez seja este um dos defeitos de Goosebumps: Monstros e Arrepios (Goosebumps, 2015), adaptação que junta diversas criaturas horripilantes em um filme só, mas falha em nos assustar de verdade e oferecer uma história cativante.

Crianças provavelmente vão se divertir vendo a produção do diretor Rob Letterman, uma vez que ela conta com personagens carismáticos – e clichês, vale ressaltar – e uma narrativa eletrizante. Se pensarmos que o objetivo da Sony Pictures era agradar a esse público, então acho que fizeram um longa bem-sucedido. E eu admito que os cerca de 90 minutos de duração não me deixaram nem um pouco entediada; temos aqui um bom entretenimento. O problema é o enredo, que deixa a desejar e é cheio de buracos.

Zach (Dylan Minnette) é um jovem que se muda para a pequena cidade de Madison, em Delaware, com a mãe (Amy Ryan), um ano após perder o pai. No dia em que chega ao local, acaba conhecendo Hannah (Odeya Rush), filha de R.L. Stine (Jack Black), autor de Goosebumps. Inicialmente, o escritor tenta prender a garota em casa e impedi-la de se encontrar com o novo vizinho, mas, obviamente, isso não dá certo. Uma das consequências do relacionamento dos adolescentes é a libertação de diversos monstros criados pelo autor, os quais estavam presos em seus manuscritos e passam a aterrorizar a cidade, sob comando de Slappy (Black).

Por onde começar? Bem, como este é um filme de fantasia, é fácil aceitar o fato dos livros serem mágicos em função da personalidade especial de Stine. No entanto, como Slappy consegue escapar é um pouco bizarro porque o seu manuscrito estava trancado e apenas cai da estante; isso não é suficiente para a trava abrir e todas aquelas criaturas serem soltas. A relação do autor com a filha também chega a assustar, pois o protagonista aparenta ser um pai violento em algumas cenas e depois é posto como um pai adorável que apenas quer protegê-la.

Os personagens são interessantes, mas extremamente superficiais e previsíveis. O jovem Zach é o garoto novato e esperto, que lidera o grupo contra os monstros. Ele se apaixona por Hannah, obviamente, e vice-versa. Champ (Ryan Lee) é o bobo da corte, que está ali para gritar e correr de medo e fazer o espectador rir por causa disso. Em uma cena típica de filmes voltados para o público teen, ele salva uma garota popular de um lobisomem e ela lhe dá um beijo. Sério mesmo? Os demais coadjuvantes estão ali principalmente para preencher espaços, como a mãe e Lorraine (Jillian Bell), tia de Zach.

Medo? Bom, Goosebumps é carregado de comédia, seja em função dos papéis cômicos em sua grande maioria, seja em função dos monstros desleixados. É muito difícil você sentir medo no decorrer do longa; é mais provável apenas levar sustos de vez em quando. O único personagem que provoca certos arrepios é o boneco Slappy, pois o humor negro e esperteza de suas ações chegam a ser bizarros em alguns momentos. E ele é o líder do confronto, então recebe mais atenção no roteiro. Os outros aparecem rapidamente, com exceção do lobisomem e o abominável homem das neves, os quais têm alguns minutos para nos assustarem e nada mais.

O resultado final é uma adaptação divertida, sem dúvidas. As cenas de ação são muito bem feitas e os risos são garantidos em determinadas partes. O grande problema aqui é o roteiro defasado e a falta do verdadeiro terror, algo que está presente na obra de Stine e na famosa série que se baseou na mesma. Faltou a essência do autor na versão cinematográfica de suas horripilantes histórias.

Daniela Pacheco

Fascinada por cinema desde pequena. Ídolos? River Phoenix, Audrey Hepburn, Wagner Moura e Marion Cotillard.