Crítica: Joy - O Nome do Sucesso, de David O. Russell
Críticas de filmes Drama

Filme: Joy – O Nome do Sucesso

Joy-critica Filme: Joy - O Nome do Sucesso

Depois do ótimo O Lado Bom da Vida (2012) e o mediano Trapaça (2013), David O. Russell voltou a trabalhar com Jennifer Lawrence, Robert de Niro e Bradley Cooper em 2015, mas desta vez com um resultado nada cativante. Joy – O Nome Do Sucesso (Joy, EUA,2015) nos conta a história de uma empreendedora de sucesso nos EUA, porém tem um roteiro entediante e personagens descartáveis ao longo da jornada.

A produção não é uma biografia ao pé da letra de Joy Mangano (Lawrence), mas uma maneira de contar um pouco sobre sua infância, dificuldades da vida adulta e chegada à fama. A maneira que o diretor narra a história é eficiente, começando brevemente pelo passado e utilizando do recurso de flashbacks no decorrer do enredo, a fim de revelar um pouco o que a protagonista passou antes de chegarmos ali. Essa construção ajuda a revelar a personalidade da mulher e a nos mostrar a sua luta.

No entanto, durante todo o longa temos a inserção de algumas cenas de uma novela bastante esquisita, à qual a mãe (Virginia Madsen) dela assiste e a jovem acaba sonhando depois. Sem dúvida, as partes mais descartáveis da produção, pois são entediantes e realmente não acrescentam em nada a meu ver.

O pai, Rudy (De Niro) e a irmã Peggy (Elisabeth Röhm) são detestáveis, sendo que esta nem existiu (foi criada por Russell). Ela aparece para fazer maldades, mas é tão mal trabalhada que parece que o motivo dela ter sido criada foi apenas gerar drama uma hora ou outra, nada mais. Desnecessária. Rudy, por sua vez, possui mais espaço útil no roteiro, mas é um personagem sem graça e, portanto, pouco marcante. Não menciono o papel de Isabella Rossellini porque ele não merece nenhuma menção.

Somente dois personagens conquistam a audiência: a avó Mimi (Diane Ladd), que claramente podia ter sido melhor explorada por ser a pessoa com potencial mais comovente e importante na história de Joy – ela que narra o filme -; e Tony (Édgar Ramírez), ex-marido e melhor amigo da jovem. No começo, ele parece ser um homem espaçoso que não faz nada além de cantar, mas no decorrer da história ele prova ser um grande companheiro e um dos braços fortes de Joy.

Somente na metade do longa, quando a protagonista finalmente começa a colocar a mão na passa na produção do Miracle Pop, que o enredo fica mais envolvente. Aí que vemos sua complicada jornada tomar forma de verdade e o surgimento de Neil (Cooper). Ele aparece como um bom parceiro de negócios e a ajuda a ficar famosa na televisão por meio da gigante QVC. Além dele, vemos más decisões passadas colocarem o negócio de Joy em perigo, até que ela consegue dar a volta por cima. Essas sequências trazem vida ao longa e conseguem nos cativar de verdade.

Vendo o filme tive a impressão de que Joy foi retratada de maneira excessivamente positiva, como uma espécie de Cinderela: ela tem que tomar conta da casa, dos filhos, da mãe e do ex-marido, pagar as contas, entre outros. Ela pode ser uma pessoa muito boa, mas todos nós temos defeitos e, sinceramente, não vi nenhum deles aqui. Ou seja, a análise ficou parcial demais, muito conto de fadas. E isto não é um conto de fadas.

Junto a isso um núcleo familiar mal trabalhado e uma narrativa monótona até a metade e o drama acaba deixando a desejar. Infelizmente, um ponto fraco na carreira de Russell, que não consegue ser salvo nem pela excelente atuação de Lawrence.

 

Daniela Pacheco

Fascinada por cinema desde pequena. Ídolos? River Phoenix, Audrey Hepburn, Wagner Moura e Marion Cotillard.