Crítica: O Bebê de Bridget Jones, de Sharon Maguire
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Crítica: O Bebê de Bridget Jones (2016)

Depois de 15 anos de “O diário de Bridget Jones” e 12 anos de “Bridget Jones – No limite da razão”, 2016 traz um novo filme, um novo enredo e uma mesma Bridget.

O bebê de Bridget Jones (pois é, isso mesmo) apresenta novamente a simpática – ou nem tanto – Renée Zellweger (estrela do musical Chicago e da comédia Eu, eu mesmo e Irene) em suas crises emocionais e reflexões sobre a solidão, a meia idade e o amor.

Para você que não assistiu aos dois longas anteriores, segue um breve resumo de tudo que você precisa saber sobre Bridget Jones: o filme é inglês, o que significa basicamente duas coisas: (1) você não precisará aturar um humor (tão) pastelão quanto o americano e (2) você reconhecerá praticamente todos os personagens da saga de Harry Potter. Essa segunda afirmação é sad, but true, pois a verdade é que, apesar de não termos uma gama tão limitada de atores no Reino Unido, existe uma turminha que está batendo ponto em quase tudo. Hugh Grant e Emma Thompson, por exemplo, podem ser vistos em quase todos filmes de comédia ou comédia dramática do RU. Mas, voltando à Bridget: a personagem principal é uma mulher de meia idade com problemas de auto-estima. Em diversas situações ela se mostra insatisfeita com corpo, com seu conhecimento e cultura e com sua falta de sorte com homens. Os relacionamentos de Bridget são entre seus pais e seus amigos, que fazem uma facção de humor bem interessante nos filmes. Sua relação com o pai é ótima, com a mãe nem tanto (a mãe de Bridget é daquele estilo clássico que não se conforma em ter uma filha próxima dos 40 que ainda não se casou). Ela é uma jornalista que trabalha inicialmente em uma editora, e sua grande habilidade é pagar grandes micos com frases mal colocadas, pequenos lapsos de ignorância e foras em geral.

No primeiro longa-metragem, Bridget acredita ter tirado a sorte grande ao conquistar Daniel Cleaver (Hugh Grant, de 90% dos filmes britânicos que já assistimos, como Notting Hill e o adorável Simplesmente amor), o bonitão chefe da editora – um mulherengo sedutor que faz o romântico que recita Keats em viagens de final de semana e por quem Bridget rapidamente se apaixona, dizendo que ele a faz se sentir como a única mulher do mundo. Ao mesmo tempo, fica encantada com um advogado amigo da família, que fora amigo de infância de Bridget e atualmente trabalhava com direitos humanos. O primeiro dilema de Bridget foi entre esses dois amantes, e ela acaba ficando com o correto Mark Darcy (inspirado no Mr. Darcy de Jane Austen em Orgulho e Preconceito e interpretado pelo charmoso Colin Firth, do brilhante O Discurso do Rei). No segundo filme, ela acaba brigando com Mark e voltando a se relacionar com Daniel, porém acaba sendo vítima de um golpe na alfândega e fica presa na Tailândia. Seu resgate é feito por ninguém menos que o próprio Mr. Darcy, o que acaba dando um pontapé para o retorno dos dois.

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Nessa terceira parte, no entanto, Bridget está sozinha novamente e comemora seus 43 anos, logo após o funeral de seu ex-amado Daniel, o chefe mulherengo com quem ela se envolve no primeiro e segundo filmes, e que é declarado morto após desaparecer em um acidente de avião. Como não seria Bridget Jones sem um dilema, a trama nos apresenta a Jack (Patrick Dempsey, de Encantada e O melhor amigo da noiva), um estadunidense divertido e entusiasmado, que conhece com Bridget em uma rave (não perguntem) e, depois de uma embriagada noite de amor e música, nunca mais a vê. Para fechar o “embolo”, na semana seguinte Bridget se encontra com Mark Darcy em um batizado e, frente ao recente divórcio do bonitão, os dois também passam uma noite de amor e (menos) embriaguez.

Decidida a não cometer os mesmos erros, Bridget não continua com Mark e volta ao seu trabalho solteira, agora em um canal de notícias do qual se tornou produtora. O problema é que, depois de constatar a validade das camisinhas que tinha usado, nossa querida Bridget se descobre grávida e não faz ideia de qual dos dois é o pai.

É aí que começa a real confusão e o novo dilema de Bridget, ainda sobre dois homens, porém dessa vez sem poder escolher quem será o pai de seu filho.

Bom, a saga de Bridget Jones é uma trama identificável para várias pessoas, por ela se mostrar uma personagem cheia de tropeços e problemas, ao invés de uma heroína inteligentíssima, bem sucedida, com corpo impecável e provavelmente um super poder. O que nos aproxima da trama é justamente a simplicidade, a mediocridade e os erros humanos através dos quais  podemos nos relacionar com Bridget. O fato de que ela sempre se dá bem no final das contas (conquistando homens complexos como Mr. Darcy, ou bonitões como Daniel e Jack), faz do filme uma grande reforço psicológico para quem se identifica com Bridget, trazendo a certeza de que tudo dará certo no final.

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Talvez seja essa a razão do grande sucesso da saga, afinal, quem não quer se sentir aceito mesmo sendo estranho e inapropriado às vezes? A questão é o que o filme é um bom divertimento, atingindo o objetivo de deixar os espectadores curiosos a respeito da paternidade (e fazerem suas apostas, é claro), com sequências bastante engraçadas, uma empolgante trilha sonora, e algumas críticas bem afiadinhas (como as comparações frequentes entre o comportamento de Jack e de Mark, que contrastam suas personalidades e nacionalidades, e também às referências à geração Y, quando uma nova gerente assume o comando do canal de notícias e decide dar uma bela mudada no formato do conteúdo).

Ficam meus louros para a participação da sensacional Emma Thompson (a Miss Trelawney de Harry Potter) como ginecologista e obstetra de Bridget que, com seus comentários ácidos e críticas constantes à situação constrangedora da personagem, consegue arrancar boas risadas da plateia.

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