Crítica do Filme: O Dilema, de Ron Howard
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Crítica: O Dilema (2011)

RON HOWARD COSTUMA DEDICAR A SUA OBRA PARA HISTÓRIAS QUE ENVOLVEM lembranças de alguma época de sua vida ou que mostrem a relação de homens com máquinas. Em O Dilema (The Dilemma, 2011) nós temos uma trama bem pessoal sobre relacionamentos amorosos e os personagens trabalham com tecnologia de motores elétricos nos carros modernos. Ah, claro. Vince Vaughn e Kevin James (!!!) estrelam essa comédia que não é tão ruim quanto parece.

A história acompanha Ronny (Vaughn) descobrindo que a esposa de seu melhor amigo está tendo um caso. Entra em cena o dilema do título da obra, já que ele não sabe exatamente o que deve fazer. A sua vontade é contar imediatamente, mas ele tem medo que isso afete o desempenho de Nick (James) no desenvolvimento de um projeto muito importante em suas carreiras. Ou seja, Ronny se vê no meio de um conflito moral entre fazer o certo ou estragar uma grande jogada profissional.

Primeiramente é importante tirar algo do meu peito: adoro o Vince Vaughn, mas a ideia de ver um filme inteiro de duas horas com o Kevin James soava como uma verdadeira tortura. Até então, as minhas experiências com o ator envolviam comédias deprimentes sobre seguranças de shopping ou filmes com o Adam Sandler. Incrível como Ron Howard consegue tirar o melhor da atuação de James. Acho que até mesmo o ator se surpreendeu por saber que ele podia de fato atuar.

O-Dilema-Critica Crítica: O Dilema (2011)

Agora que confessei essa pequena questão, podemos falar sobre essa deliciosa comédia chamada O Dilema. Talvez tenha sido porque fui preparado para detestar. Não sei. A verdade é que amei a história e a maneira como Howard conduz a narrativa para mostrar o quanto Ronny é afetado pelo seu segredo. Por muitas vezes nos flagramos numa situação em que é necessário medir o nosso próprio interesse com as consequências daquilo que podemos dizer. Poderia ser uma obra ainda mais profunda se Ronny fosse caracterizado como uma pessoa egoísta. O que assistimos é exatamente o contrário: Ronny é extremamente dedicado aos seus amigos e apaixonado por sua namorada, ainda que tenha vivido problemas com vício em jogo no passado.

Geneva (Winona Ryder) interpreta a esposa infeliz que começa a trair o marido com um homem mais novo (vivido pelo hilário Channing Tatum, que protagoniza as cenas mais engraçadas de O Dilema). Logo que a traição é revelada para o espectador, podemos perceber que os olhares de Geneva mostram uma mulher madura que sente a necessidade de ser desejada. Seu apetite sexual não morreu apenas porque o marido não a procura mais. No entanto, em uma discussão com Ronny é apresentada uma faceta dissimulada e assustadora da mulher, que ameaça mentir para o seu marido e acusar Ronny de dar em cima dela. Só mesmo quem já presenciou uma pessoa mentindo assim na vida real sabe o quanto essa cena é assustadora. Pessoalmente, perdi toda a simpatia por Geneva nessa sequência. Ela deixou de ser uma boa pessoa cometendo um erro para se tornar um lixo humano.

Com uma trilha sonora moderninha (com duas canções do Black Keys e outra do Fratellis), O Dilema é uma obra diferente no cinema de Ron Howard. Acho que é estranho ver um cineasta tão acostumado com projetos gigantescos dirigindo uma pequena comédia sobre questões como relacionamento e amadurecimento. Howard não faz feio e nos convence de sua eficiência mesmo quando decide colocar Kevin James como seu protagonista.

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.