Crítica: Operações Especiais, de Tomás Portella
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Filme: Operações Especiais

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É possível mudar o sistema? Será que pessoas honestas conseguem trazer justiça a um lugar já corrompido? Em Operações Especiais (Brasil, 2015), uma jovem policial é enviada a uma operação em São Judas do Livramento, cidade afetada pela fuga de traficantes após a invasão do Complexo do Alemão em 2010. Nova na profissão, ela aprende na marra a lidar com a violência, machismo, sujeira e medo que sua missão provoca.

Francis (Cléo Pires) é formada em Turismo e trabalha em um hotel até presenciar um assalto no local. Depois disso, ela decide estudar para um concurso da polícia e acaba sendo aprovada. Essa primeira parte, que passa rapidamente, serve para nos contextualizar sobre a personagem e o porquê de ter optado pela profissão. A partir daí, vemos a mulher enfrentar um longo e duro período de adaptação dentro da instituição e ao lado dos colegas, todos homens. Além de correr risco de vida constantemente, por causa da perigosa missão no interior do Rio de Janeiro.

De maneira similar a Tropa de Elite, o longa de Tomás Portella explora não só o crime, mas o confronto entre polícia e bandidos, polícia e polícia e polícia e políticos. Porém, o roteiro não vai a fundo nisso tudo; o foco maior é na adaptação de Francis àquela nova rotina e em como o sistema corrupto impede que aqueles que querem fazer o bem o façam. Se, no início, a população local aplaude a presença e atos da polícia, no fim essa recepção já está completamente negativa; afinal, a equipe comandada por Paulo Froes (Marcus Caruso) não cede às tentativas de corrupção dos políticos locais e bate de frente com o perigoso Toscano (Antonio Tabet), que toma conta da cidade. Às vezes, o excesso de sujeira e o medo da população acabam derrotando quem tenta trazer segurança e honestidade.

Pires lembra bastante a personagem de Emily Blunt, em Sicario, em diversos aspectos (até cena no chuveiro tem de igual!). Única mulher ali, relacionamento difícil com colegas, inimigo mais forte do que pensa, vida pessoal problemática, entre outros. No caso de Francis, a protagonista eventualmente faz amizades, tem um breve romance com o colega Décio (Fabrício Boliveira) e torna-se uma peça-chave na missão em São Judas do Livramento. Sua relação com a mãe é superficial no enredo, talvez até desnecessária em função de como foi pobremente explorada. Por outro lado, as dificuldades e superação pessoal e profissional da jovem são muito bem trabalhadas e é possível sentir na pele o que ela sente.

Operações Especiais é um filme que poderia gerar diversas continuações, pois as missões contra criminosos não acabariam provavelmente nunca. Sejam eles criminosos bandidos, policiais ou políticos, afinal, o sistema é corrupto por todos os lados e setores. E se os roteiros seguirem o ritmo eletrizante e pé no chão do primeiro, terei prazer em conferi-las.

Daniela Pacheco

Fascinada por cinema desde pequena. Ídolos? River Phoenix, Audrey Hepburn, Wagner Moura e Marion Cotillard.