Crítica: Pai em Dose Dupla, de Sean Anders
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Filme: Pai em Dose Dupla

pai-em-dose-dupla-filme-crítica-838x471 Filme: Pai em Dose Dupla

Mark Wahlberg e Will Ferrell em uma comédia. Como dar errado? Mas deu e muito. Pai em Dose Dupla (Daddy’s Home, EUA, 2016) era para ser um filme hilário, só que não pude esconder minha decepção após passar uma hora e meia sem praticamente nenhuma gargalhada e admiração pela história.

Brad (Ferrell) não pode ter filhos, mas é um padrasto exemplar para as crianças de Sara (Linda Cardellini), as quais o detestam. Ao mesmo tempo em que é perfeito em casa e no trabalho, ele é também um homem extremamente sensível e, digamos, ingênuo demais. É só Dusty (Wahlberg) chegar e querer sua família de volta que Brad vê sua vida mudar para pior com as armadilhas a manipulações do pai biológico. Este sim é muito esperto, forte e mais confiante.

O que me irritou é como o protagonista é bobo demais, a ponto de, como seu próprio chefe (Thomas Hayden Church) diz a ele em uma cena, eu torcer para Dusty. Ele pode ser um cara difícil e nos fazer odiá-lo em determinadas partes, mas sabemos que ele é, no fundo, bom e precisa amadurecer. Além disso, Wahlberg conseguiu lhe dar um certo carisma que acaba dando ao homem ainda mais vantagem na história, enquanto Ferrell não passa nenhum tipo forte de admiração. Ou ele é perfeito demais ou ele é infantil demais. As sequências da escola, moto e do skate são prova disso; é muito difícil sentir dó ou afinidade por ele.

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Em outras palavras, Ferrell não está nesta comédia para nos fazer rir, pelo menos eu não achei o personagem dele cômico em nenhum momento. Na verdade, eu devo ter rido uma ou duas vezes o tempo todo porque o humor do roteiro é tão forçado que eu não consegui me envolver em momento algum. Cardellini tem altos e baixos um pouco estranhos e sua personagem é superficialmente trabalhada. O único engraçadinho do enredo é Griff (Hannibal Buress), o mais coadjuvante ali.

Para ser sincera, apenas gostei dos últimos minutos de Pai em Dose Dupla, pois eles têm uns toques irônicos que caem bem no roteiro – mesmo não me dando nenhuma gargalhada – e o epílogo troca os papéis dos personagens, dando um ar de continuação bastante promissor. Bom, não vai ser difícil superar o anterior, né?

 

Daniela Pacheco

Fascinada por cinema desde pequena. Ídolos? River Phoenix, Audrey Hepburn, Wagner Moura e Marion Cotillard.