Crítica: Platoon, de Oliver Stone
Críticas de filmes Destaques Guerra

Crítica: Platoon (1986)

Platoon-critica-838x349 Crítica: Platoon (1986)

MUITOS FILMES DE GUERRA DEVEM A SUA EXISTÊNCIA PARA PLATOON (1986), mas mesmo com toda a sua importância, assistir ao filme de Oliver Stone é um grande exercício de paciência. Reconhecido como o melhor longa-metragem de 1986 (e grande vencedor do Oscar de Melhor Filme e Direção), Platoon é a primeira parte da trilogia especial do cineasta tratando da Guerra do Vietnã, que depois teria Nascido em Quatro de Julho (1989) e Entre o Céu e a Terra (1993).

O roteiro é baseado nas próprias experiências de Oliver Stone, que para quem não sabe, foi dos combatentes do exército norte-americano no Vietnã. O protagonista Chris Taylor (Charlie Sheen) é uma representação de Stone, um jovem que acredita ser o seu dever lutar a guerra ao lado de seus compatriotas – mesmo sem ter a menor noção do que aquilo realmente significa. O desenvolvimento do filme trabalha com a imaturidade de Taylor diante os horrores do combate e mostra como a violência faz parte da natureza humana através dos personagens de Tom Berenger e Willem Dafoe.

Elias (Dafoe) é um soldado íntegro que não se deixa levar pela loucura, ao contrário de Barnes (Berenger). Os dois homens representam lados bem distintos de uma mesma moeda, no caso o exército norte-americano. Elias se preocupa apenas com a missão, enquanto Barnes e seus homens não fazem a menor questão de poupar inocentes durante o caminho. Um conflito é inevitável e acaba criando uma situação em que Barnes passa a ser visto como uma ameaça.

Além de Sheen, Dafoe e Berenger, o elenco apresenta ainda outros nomes que em breve se tornariam atores bem conhecidos em Hollywoood. Johnny Depp interpreta um soldado que traduz as mensagens dos viet congs; Forest Whitaker, Keith David, Kevin Dillon e John C. McGinley são alguns dos atores presentes na produção. Cada um com o seu tempo em cena bem contado, já que a ação privilegia o desenvolvimento do personagem biográfico de Stone e o conflito entre “bem” e “mal” encarnado nos personagens de Dafoe e Berenger.

LEIA TAMBÉM: Os melhores filmes de Guerra de 2015

As atuações deixam a desejar por possuírem um aspecto caricatural. Nas cenas em que discutem sobre matar Barnes, os atores não parecem ter a menor preocupação em serem sinceros na interpretação dos diálogos. Tudo bem ser frio e falso entre pessoas que você sente pouca ou nenhuma confiança, mas muitas cenas de Platoon extrapolam esse limite e a impressão é que Stone não se preocupou em tirar o melhor de seu elenco.

No entanto, o que mais me incomodou em Platoon é que não assisti ao filme na sua época de lançamento e cresci com O Resgate do Soldado Ryan, de Steven Spielberg; Além da Linha Vermelha, de Terrence Malick; duas das melhores obras sobre a Guerra já produzidas e com muito mais violência gráfica do que qualquer coisa presente em Platoon. Minha experiência prévia com obras superiores em todos os aspectos possíveis me torna, obviamente, diferente daquele público que se impressionou com o filme na época do seu lançamento.

Se houvesse uma lista de produções com um remake encaminhado, Platoon certamente mereceria um lugar nela. Hoje é um filme datado e prejudicado pela ação do tempo e mudança no comportamento dos espectadores modernos. Resta saber se Oliver Stone aceitaria ter a sua “obra-prima” recebendo uma releitura. Eu acho que não. E você? Ainda assim é um must see para cinéfilos de todas as idades, especialmente os admiradores de histórias que mostram a guerra como ela realmente parece ser.

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.