Crítica: Rocky Balboa, de Sylvester Stallone
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Filme: Rocky Balboa

Rocky-Balboa-2006 Filme: Rocky Balboa

DEZESSEIS ANOS SE PASSARAM DESDE QUE ROCKY V CHEGOU AOS CINEMAS EM 1990. Convencido de que tinha uma grande história para contar, Sylvester Stallone acumulou a função de protagonista, roteirista e diretor e provou ao mundo que realmente ainda podia tirar alguma coisa proveitosa de uma de suas franquias de maiores sucessos em Rocky Balboa. E que filme!

Após a morte de Adrian (Talia Shire), o ex-campeão passa a se sentir um tanto solitário e melancólico pelas ruas da cidade. Sem muito dinheiro (como visto em Rocky V), a opção é ser o dono de um restaurante e viver contando histórias das grandes lutas do passado para os frequeses. As coisas começam a mudar depois que Rocky é convidado para fazer uma luta de exibição com o atual campeão mundial dos pesos pesados.

Rocky Balboa trabalha com os mesmos temas vistos anteriormente: superação, humildade e respeito, mas agora coloca na pesa outras questões. Primeiramente, ele consegue criar um conflito a ser resolvido entre pai e filho; depois trabalha com a solidão de tentar reconstruir a sua vida após a morte de uma pessoa importante; e por último, romper os preconceitos com a idade e o “limite” de cada um. Rocky é um verdadeiro dinossauro, mas decide se colocar à prova para encarar um último grande desafio e deixar todos aqueles que o consideraram como uma piada calados.

O roteiro acerta em cheio ao tirar Adrian de cena e criar um conflito dramático maior para o personagem e até justificar a sua decisão de retornar aos ringues tantos anos depois de ter se aposentado. Com a esposa viva, Rocky não teria motivos para se colocar em risco novamente. Além disso, acompanhamos o sofrimento e a solidão que domina o herói durante boa parte do longa-metragem. Mesmo após reencontrar a pequena Marie (Geraldine Hughes) e iniciar um tipo de flerte inocente, ainda podemos perceber o quanto Rocky ainda ama a sua esposa e sente dificuldades em seguir em frente após a sua morte.

Outro acerto do roteiro de Stallone é fazer essas pequenas referências ao longa original. Além do retorno da pequena Marie, também reencontramos Spider Rico (Pedro Lovell), que é o adversário de Rocky na abertura do primeiro filme. É sempre gostoso quando uma produção assume esse clima cheio de boas recordações do seu passado. Isso sem mencionar as referências em momentos sutis, como quando Mason diz que “Rocky tem ferro nas luvas”, o mesmo que outros rivais tiveram a oportunidade de compartilhar com seus treinadores.

Rocky Balboa se mostra bom o bastante para ignorarmos que a série já havia se encerrado de maneira satisfatória no quinto filme. Méritos de Stallone, que deixou de lado todas as invenções idiotas presentes do segundo ao quarto longa, para trabalhar numa trama adulta, madura e que trata com respeito o legado do boxeador mais conhecido da história do cinema, e também respeita os seus espectadores.

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.