Crítica: Rocky III, de Sylvester Stallone
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Filme: Rocky III – O Desafio Supremo

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EM 1982 SYLVESTER STALLONE VISITOU A SUA FRANQUIA QUERIDA MAIS UMA VEZ. Assinando o roteiro pela terceira vez e a direção pela segunda, o cineasta precisa contar com um pouco mais de boa vontade do espectador desta vez. Não é que Rocky III seja uma bomba, não é, mas a repetição dos elementos vistos anteriormente começa a incomodar.

Após defender o título de campeão mundial em diversas oportunidades, Rocky Balboa finalmente encontra um adversário que não pode vencer. Acomodado pelo seu sucesso nos ringues (e fora), o boxeador precisa recorrer ao antigo rival Apollo Creed para buscar forças para vencer o homem que o derrubou e lhe tirou o reinado de campeão mundial dos pesos pesados.

Rocky III promove uma das sequências mais bizarras da franquia até então. Com uma participação inusitada do gigantesco Hulk Hogan, temos uma luta extremamente insana em que nada parece respeitar qualquer regra. Chega a ser engraçado, claro, mas também tem uma parcela de constrangimento.

No entanto, é preciso se esforçar para ver esse constrangimento como parte fundamental do desenvolvimento da narrativa. Ao contrário do que é apresentado em Rocky e Rocky II – A Revanche, o boxeador deixou de ser o banana com intelecto reduzido para se tornar um homem de negócios. Um verdadeiro campeão, assim como Apollo Creed no primeiro longa-metragem. Justamente por ter adquirido uma certa “civilidade”, Rocky perde o seu brilho e intensidade. Há um paralelo muito interessante entre o Rocky desse terceiro filme e o Apollo do primeiro: ambos estão no topo do mundo e deixam a arrogância tomar conta, dispensando atenção para os futuros adversários e com os treinamentos (vide as cenas em que Rocky treina numa academia aberta ao público, que interrompe cada série de exercícios que ele finge fazer).

Rocky III tem pelo menos um grande mérito em sua narrativa, que é a morte do treinador Mick (Burgess Meredith). Tudo é construído com naturalidade, infelizmente, já que velhote começa a demonstrar cansaço e riscos de um infarto desde o começo da trama. Quando acontece, temos motivos para odiar Clubber (e o roteiro não trabalha isso em momento algum, preferindo mostrar Rocky se sentindo uma farsa) e desejar que ele seja surrado até perder todos os dentes.

Mr. T aparece em cena como o histérico Clubber Lang, um boxeador com um corte de cabelo digno dos anos 1980 e uma vontade incontrolável de cheirar o cangote de Rocky Balboa e Apollo Creed – ao mesmo tempo. Totalmente unidimensional, o personagem é irritante e não sentimos o menor interesse de acompanhar a sua história. Na verdade, o roteiro de Stallone não nos informa qualquer coisa sobre esse babaca cuja única função na série é desempenhar o papel de primeiro grande vilão.

O curioso é que sempre imaginei que “Eye of the Tiger”, do Survivor, fosse um tema usado desde o primeiro filme da franquia. Me surpreendi completamente ao ouvir a canção no terceiro longa-metragem e perceber automaticamente que ela não toca em momento algum das duas obras anteriores. Melhor ainda é que a letra da música descreve literalmente as coisas que o treinador Apollo Creed diz para seu parceiro Rocky Balboa: “para vencer é preciso ter o olho do tigre”. Seja lá que merda isso signifique.

Rocky III é uma obra menor na história da franquia e está bem abaixo do segundo filme, que por sua vez já possuía uma distância considerável para ser comparado com o excelente longa-metragem original. Ainda assim, vale pela curiosidade de acompanhar todas as etapas da história da série estrelada por Sylvester Stallone.

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.