Crítica: Rocky IV, de Sylvester Stallone
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Filme: Rocky IV

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EM PLENA ÉPOCA DA GUERRA FRIA, Sylvester Stallone confundiu as suas franquias e deixou Rocky IV existir como uma propaganda norte-americana bem idiota contra a União Soviética no período de tensão que antecedeu a Guerra Fria. Rocky é bem diferente de Rambo, Sly! 

Apollo Creed é assassinado por um lutador russo (Dolph Lundgren) e Rocky Balboa parte para vingar o seu amigo e ex-adversário em um território hostil, e contra um adversário muito mais poderoso que qualquer outro que já tenha aparecido na série anteriormente. Blá, blá, blá.

Mais uma vez começamos com os tradicionais flashbacks, embora desta vez tenham funcionado de maneira mais discreta e ocupado menos tempo de tela. Uma necessidade da época? Ok. Não deixa de ser inconveniente e um recurso preguiçoso.

Apollo continua orgulhoso e ensinando para os espectadores que às vezes é melhor aceitar a realidade. O arco do personagem é bem interessante, afinal temos um homem que perde o seu trono e depois une forças com o ex-adversário, mas sem nunca perder o topete e o tal “olho do tigre”. Ainda assim é lamentável que os efeitos da morte de Apollo tenham sido pouco sentidos na narrativa, ao contrário do que acontece na morte do treinador Mick no terceiro filme. Mesmo sem investir profundamente nisso (culpa do roteiro furado de Stallone), aquela morte causou um impacto na história e no personagem. Agora temos a morte usada apenas como gatilho para o desenvolvimento dessa história. E vou te dizer: que história escrota.

Rocky IV é uma longa (e cansativa) propaganda norte-americana musical contra o governo da antiga União Europeia. É ridículo assistir ao terceiro ato com os russos todos aplaudindo e vibrando pela vitória do boxeador (incluindo o alto escalão político). Depois de um filme espetacular e duas continuações razoáveis que se respeitavam, Rocky se tornou um peão para interesses dos EUA para mobilizar a opinião de gente menos esclarecida contra a “tirania” de Gorbachev. Sem querer entrar no mérito político de apoiar um lado ou o outro, o fato é que usar uma série de cinema como propaganda é ofensivo.

Pela segunda vez consecutiva, Stallone abusa da sorte com sequências assustadoras que acabam encaixando na narrativa. A participação de James Brown na abertura do confronto de Apollo e Drago é mais bizarra que Hulk Hogan arremessando o Stallone do ringue no filme anterior. Esse carnaval fora de época funciona para reforçar tanto o orgulho de Apollo (representando aqui o povo norte-americano) quanto para mostrar a reação dos estrangeiros, já que é um momento extremamente brega.

Me perguntei muitas vezes se Rocky IV é um filme de ação ou a droga de um imenso video-clipe musical. Tenho minhas dúvidas se a produção passou nos cinemas ou apenas na programação da MTV. Eu amo música mais até que o que sinto por cinema, sexo, zumbis e pizza, mas tudo tem um limite. O bom senso mandou um abraço para Stallone.

Rocky IV é um dos exemplares mais fracos da franquia e peca especialmente pela falta de vida própria, quando comparado com os dois primeiros. Há uma mensagem política desconfortável que afeta o andamento da narrativa e transforma o quarto filme da série no que eu menos gosto. Uma pena.

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.