Crítica do filme: Rua Cloverfield, 10, de Dan Trachtenberg
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Crítica: Rua Cloverfield, 10 (2016)

Orçamento baixo, suspense 99% do tempo, diversas reviravoltas e uma heroína marcante. Esses são os ingredientes de Rua Cloverfield, 10 (10 Cloverfield Lane, EUA, 2016), nova aposta do produtor J.J. Abrams.

Praticamente o filme todo se passa em um esconderijo subterrâneo de Howard (John Goodman), no qual ele mantém Michelle (Mary Elizabeth Winstead) e Emmett (John Gallagher Jr). A razão para permanecerem ali é a seguinte: a Terra foi atacada por extraterrestres e, caso saiam daquele local seguro, podem ser contaminados ou mortos pelas criaturas que estão ali. Obviamente, a mulher não acredita nessa história mal contada, assim como nós, e no decorrer do longa vamos descobrindo o que realmente aconteceu à medida em que os personagens fuxicam e fazem revelações sobre quem os prende no bunker.

O pouco dinheiro gasto na produção fica claro ao vermos as imagens na tela: basicamente um cenário até o desfecho – o esconderijo – e uma narrativa regada a uma trilha sonora arrepiante e diálogos. O que fixa nossa atenção são os dois itens citados anteriormente, os quais contam tudo e nos envolvem com o enredo. A música de Bear McCreary é daquelas que nos deixa aflitos em momentos específicos, depois reduz sua intensidade e depois nos afeta novamente. Ficamos muito nesse jogo de acontece e não acontece e as reviravoltas são constantes, ou seja, é recomendável ter um coração preparado.

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A protagonista, interpretada pela ótima Winstead, é um dos pontos fortes da ficção. Ela é uma mulher independente, frágil e durona ao mesmo tempo, permitindo que o espectador se envolva com sua luta física e mental para descobrir o que se passa naquele local misterioso e na parte de fora. Do início ao fim, estamos praticamente junto dela na história: não sabemos as intenções de Howard e se a história de alienígenas é verdadeira; vamos descobrindo aos poucos, junto da mulher. Goodman também está impecável na tela. Ele consegue manter o suspense em relação ao seu papel por bastante tempo e nos surpreende diversas vezes (e nos engana também).

Quando tudo é revelado e o desfecho abre possibilidades para uma ou até mais continuações, fica uma forte sensação Mad Max na tela. Um personagem solitário, forte e abalado emocionalmente, um carro e um mundo destruído que precisa de alguém corajoso para salvar o dia. E você vai querer ver isso.

Daniela Pacheco

Fascinada por cinema desde pequena. Ídolos? River Phoenix, Audrey Hepburn, Wagner Moura e Marion Cotillard.