Crítica: SOS Mulheres ao Mar 2, de Cris D'Amata
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Filme: SOS Mulheres ao Mar 2

sos-mulheres-ao-mar-2-critica-838x470 Filme: SOS Mulheres ao Mar 2

Se tem um filme que eu jamais esperava me decepcionar era SOS Mulheres Ao Mar 2 (Brasil, 2015). O primeiro foi hilário e divertido, principalmente em função do trio protagonista. No entanto, nesta nova aventura a história é confusa, estranha e o humor não chega nem aos pés do filme de 2014.

Como as mulheres vão parar novamente em um cruzeiro? André (Reynaldo Gianecchini) tem um desfile em um navio que sai de Miami e a modelo principal é sua ex-noiva (Rhaisa Batista). E como a mulher faz questão de mostrar à Adriana (Giovanna Antonelli) que também está ali para reconquistar o estilista, a namorada fica doida e vai atrás dele poucas horas depois. Com a desculpa de vários jovens atraentes a bordo, ele atrai a irmã, Luíza (Fabiula Nascimento), e chama também a empregada Dialinda (Thalita Carauta), atualmente trabalhando nos Estados Unidos.

Depois disso, uma série de acontecimentos se passa no enredo, como dois rapazes que as irmãs conhecem no avião (Gil Coelho e Felipe Roque), patrões criminosos que fazem de Dialinda uma suspeita e perseguida do FBI e todas as táticas pesadas da modelo para tentar acabar com o namoro de André e Adriana. A quantidade de histórias não é o problema no roteiro e, sim, como elas foram pobremente desenvolvidas e com personagens mal caracterizados ou mal interpretados pelo elenco.

Por exemplo, o agente do FBI (Felipe Montanari) que tenta prender Dialinda diz ser americano, mas o sotaque dele é bem estranho, dando a impressão de que é um brasileiro fingindo ser norte-americano. As cenas dele são bem fracas também, incluindo o desfecho que a empregada tem em relação ao governo dos EUA. Você pensa: “Estou vendo isso mesmo?”. Os dois primos que conhecem Adriana e Luíza na viagem foram uma mistura bem-vinda, mas Roque é um ator bem fraco, enquanto Coelho teve um início e meio promissor, só que um fim meio sem noção para o seu personagem; faltou imaginação!

Além disso, todos os problemas que André e Adriana enfrentam são clichês demais e a relação deles fica num vai e volta que chega a irritar em alguns momentos. Primeiramente, a mulher fica desesperada com a modelo e ele a acalma. Minutos depois ela escuta algo e, ao invés de conversar com ele, apronta um escândalo e o magoa. Ela salva a vida dele no clímax e ele decide largá-la na cena seguinte. Tudo bem o roteiro querer abalar a história de amor do casal, isso é clássico, mas tudo tem um limite.

É claro que o humor está presente e damos boas risadas certas vezes. As aventuras que os personagens enfrentam até finalmente chegarem ao cruzeiro são divertidas e a trilha sonora é uma delícia. Antonelli, Nascimento e Carauta estão magníficas e compartilham cenas inesquecíveis, com destaque para uma em que Luíza tenta seduzir Dialinda de brincadeira e faz a mulher cair por ela totalmente. Ou seja, o que estraga a comédia e deixa-a a desejar é o enredo mal construído; como rir de situações esquisitas ou bobas demais? O elenco faz o que pode, mas nem sempre consegue salvar uma situação ou diálogo ruim.

SOS Mulheres Ao Mar 2 foi uma decepção para mim. Outro filme que teve continuação este ano, Meu Passado Me Condena 2, também não me agradou muito, mas ele pelo menos conseguiu ter uma história que fizesse mais sentido e a quantidade de risos esperados vieram. A produção da diretora Cris D’Amata não fez o mesmo, infelizmente.

 

Daniela Pacheco

Fascinada por cinema desde pequena. Ídolos? River Phoenix, Audrey Hepburn, Wagner Moura e Marion Cotillard.