Crítica: Um Bom Ano, de Ridley Scott
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Filme: Um Bom Ano

a_good_year02-838x539 Filme: Um Bom Ano
Uma história de amor e família no sul da França. Nem parece um filme do diretor de Blade Runner, Gladiador e Prometheus, não é mesmo? Pois é, Ridley Scott também explora outros gêneros além de ação e Um Bom Ano (A Good Year, 2006) está entre eles. Dói no meu coração o fato do filme ter tido uma repercussão minúscula no mundo, uma vez que temos aqui uma comédia romântica deliciosa e com um casal protagonista ainda mais atraente: Russell Crowe e Marion Cotillard.

O que há de tão especial nessa história? Bom, a maneira que ela é narrada é contagiante, como se estivéssemos em um filme da Nancy Meyers, mas com o toque único de Scott. Tudo se desenvolve naturalmente e se encaixa perfeitamente, desde quando Max (Crowe/Fredie Highmore) é uma criança rabugenta que passa várias férias com o tio Henry (.), até o momento em que cresce, vira uma pessoa não muito agradável e passa por uma nova transformação quando o parente morre. Todo o período em que passa no sul da França é cativante e isso mantém nossa atenção até o minuto final.

Seja em partidas de tênis com o jardineiro ou tentando tornar o péssimo vinho do tio em algo comprável ou indo aos tapas e beijos (quase atropelamento e afogamento no meio do caminho) até conquistar Fanny (Cotillard), a jornada de Max é divertidíssima. E sexy. Nas cenas românticas você vê claramente que Scott está por trás da câmera, especialmente na dança dos pés de Max e Fanny na primeira noite em que passam juntos. A química de Crowe e Cotillard é tão boa que você vai se apaixonando por ambos os personagens à medida em que o tempo passa e, quando chegamos ao fim, não é suficiente; queremos mais, eles são lindos.

Outro destaque da produção é como o roteiro mescla o passado e o presente, algumas vezes até ao mesmo tempo, na mesma cena. A dinâmica estabelecida entre os dois tempos dá sempre certo e nos ajuda a compreender os personagens e suas características e atitudes. Os jogos de tênis são umas das partes mais hilárias da produção, podemos ver claramente como existes resquícios do pequeno Max em sua versão adulta.

E o cenário. Ah, o cenário é uma pequena cidade na região de Provença, simples e aconchegante, perfeita para ser o palco da conexão de Max com o seu passado e sua consequente transformação pessoal e profissional. Nada contra Londres, mas depois que vemos Um Bom Ano a vontade é de fazer as malas e pegar o primeiro avião para a França. É muito charme para resistirmos; é muito vinho para bebermos; é muita simpatia para nos contagiar; é Marion Cotillard para nos seduzir com seu olhar 43 e sorriso (ela devia fazer mais comédias); é Russell Crowe para nos surpreender com sua performance excelente de Max.

Pode ser que ninguém conheça o filme e nem venha a conhecê-lo, pois Ridley Scott ganhou fama por outros longas. Mas todo diretor tem pelo menos um projeto que foi subestimado e, no caso de Scott, um deles é Um Bom Ano. Esse é daqueles que você assiste cinco ou dez anos depois de seu lançamento e pensa: “onde é que eu estava nessa hora?”. Nunca é tarde para conhecermos o trabalho de um cineasta, Um Bom Ano é uma oportunidade de conhecer uma outra faceta de Scott, extremamente romântica e engraçada.

Daniela Pacheco

Fascinada por cinema desde pequena. Ídolos? River Phoenix, Audrey Hepburn, Wagner Moura e Marion Cotillard.