Crítica: Lion: Uma Jornada Para Casa (Lion), de Garth Davis
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Crítica: Lion: Uma Jornada Para Casa (2016)

poster-lion-202x300 Crítica: Lion: Uma Jornada Para Casa (2016)QUEM DIRIA QUE DEV PATEL SE TORNARIA UM ATOR TÃO EFICIENTE… Protagonista de Lion: Uma Jornada Para Casa (Lion, 2016), de Garth Davis, o ator surpreende positivamente com uma atuação emocionante nessa adaptação de uma história real sobre o quanto uma ferramenta tecnológica pode ser importante na vida das pessoas.

Desde que conheci o trabalho de Patel em Quem Quer Ser Um Milionário?, de Danny Boyle, e uma referência muito óbvia para Lion, nunca tive problemas de achar que era um ator limitado. Até porque ele está ótimo nesse vencedor do Oscar e posteriormente teve poucas oportunidades para estrelar grandes produções. Em Lion, sem trocadilhos, ele aproveita a chance como um leão e consegue cativar o público rapidamente – embora só entre em cena na metade final da narrativa.

A obra conta a história de uma pequena criança da zona rural da Índia que se perde do irmão e vai parar a mais de 1600 km de casa. Sozinho no mundão, o pequeno Saroo passa por muitas enrascadas (como os terríveis sequestradores/abusadores de crianças que moram na rua) até ser levado para um orfanato e acabar adotado por uma família australiana (Nicole Kidman e David Wenham). A metade final apresenta o personagem, já adulto, buscando uma maneira de usar o Google Earth para encontrar a sua verdadeira família.

O grande lance aqui é que Saroo em momento algum se rebela como um adolescente mimado faria com seus pais adotivos. Ele é um cara bem centrado, cuja motivação é acabar com os pesadelos e a dor de imaginar sua família procurando por ele há mais de 25 anos. Esse drama devora a sua vida pessoal e profissional. Saroo passa a dedicar todo o tempo trabalhando duro para encontrar pistas apenas apoiado na sua vaga memória e no Google Earth.

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Trabalhando sutilmente questões de preconceito e diferenças raciais, Lion foca realmente na busca de seu protagonista. Tudo é feito com uma elegância envolvente, na qual estamos diante uma autêntica sessão da tarde, e torcemos para que Saroo descubra o paradeiro de seus familiares e possa encontrar a sua paz. Há uma grande cena em que Patel contracena com Kidman, que revela o motivo porque escolheu adotar uma criança – e esse é o auge do longa-metragem. A partir desse momento, os nervos ficam aflorados e passa a ser questão de segundos para o espectador se emocionar.

Lion é tão eficiente nessa construção do arco dramático que nem mesmo sei se posso considerar apelativa a sequência final com cenas das pessoas reais que inspiraram esse filme. Esse recurso, felizmente desacompanhado de uma trilha sonora cafona e/ou invasiva, está lá para garantir que você não deixará a sessão sem derramar boas quantidades de lágrimas. E porra, funciona demais, viu? Até para explicitar a mensagem social presente na obra, é compreensível que os produtores tentem conscientizar o mundo sobre um problema real que acontece na Índia e em diversos outros países.

Se você amou Quem Quer Ser Um Milionário? irá se derreter com o trabalho do cineasta Garth Davis e perceber todo o potencial presente em Dev Patel. Lion é uma verdadeira aventura dramática sobre a busca de nossas origens e como vencer nossos próprios traumas para nos encontrar como pessoas. Linda história.

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.