Crítica: Moana: Um Mar de Aventuras (2016) | Cinema de Buteco
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Crítica: Moana: Um Mar de Aventuras (2016)

Moana-Poster-203x300 Crítica: Moana: Um Mar de Aventuras (2016)A Disney está tentando aos poucos restabelecer o subgênero que gostamos de chamar de “filmes de princesa”, aperfeiçoando a narrativa de cada filme e tornando-a mais atual e menos presa a clichês típicos do gênero. Tivemos um grande avanço com Frozen, que conseguiu trazer reflexões sociais muito interessantes, além de criticar o método da própria Disney de contar histórias (como o fato das princesas dos seus filmes geralmente se casarem com um homem que acabaram de conhecer. E agora, parece que finalmente eles conseguiram encontrar o caminho certo com Moana: Um Mar de Aventuras, novo filme do estúdio que consegue provar que uma boa “história de princesas” não precisa de nenhum desses clichês para ser bem-sucedida.

Dirigido por Ron Clements e John Musker (dupla responsável por clássicos como A Pequena Sereia Alladin) O filme acompanha Moana, a filha do Chefe do vilarejo de Motonui, que precisa aprender a se tornar uma líder apropriada para o seu povo mas sonha em se aventurar no mar, algo que seu pai proíbe veementemente. Mas quando o futuro de sua ilha corre perigo, ela decide velejar em busca do semideus Maui para que ele a ajude a salvar a ilha e também como uma forma de provar a si mesma que é capaz de correr atrás dos seus sonhos e realizá-los.

Como eu disse acima, A Disney está tentando se desvencilhar ao máximo dos estereótipos presentes em grande parte dos seus filmes, e a impressão que temos é que a cada novo filme eles tentaram eliminar alguma coisa, até chegar em Moana, e o resultado é maravilhoso. O foco da história é simples: Moana encontrar Maui, salvar sua ilha e realizar seu sonho de navegar. Não há sequer uma indicação de um possível romance. Claro que não é necessariamente um problema haver romance em um filme de princesa da Disney, o problema acontece quando esse é sempre o mote das histórias. Mesmo Frozen, cujo plot principal é o relacionamento das irmãs Elsa e Anna e que tenta desconstruir esse conceito o tempo todo, ainda o usa como recurso em muitos momentos. Em Moana isso é totalmente descartado, e o melhor: o roteiro constrói tão bem a jornada de Moana que você só percebe que não teve romance no filme depois que acaba. Prova de que as histórias de princesa estão evoluindo e não precisam de estereótipos engessados para funcionar.

Moana-Poster-203x300 Crítica: Moana: Um Mar de Aventuras (2016)

Apesar disso o roteiro não é livre de problemas, e o que mais incomoda é o mau desenvolvimento de alguns personagens. Maui, dublado pelo Dwayne Johnson, tem pouquíssimas cenas realmente boas, e tanto seus motivos para justificar suas atitudes quanto seu humor não convencem. Já o pai de Moana tem mudanças de humor totalmente repentinas e fora de lugar que simplesmente não o tornam crível, e mesmo depois que explicam os motivos para isso ainda não soa natural, assim como acontece com Maui. Nenhum dos dois cresce na trama de forma fluída.

Mas se o roteiro não consegue desenvolver bem os coadjuvantes, ele compensa esse problema com a protagonista. Moana é corajosa, decidida, bem-humorada, carismática e totalmente independente, que também é algo que prejudica Maui: ela não precisa dele em momento algum do filme realmente. Todos os osbtáculos enfrentados pelos dois durante a viagem são vencidos por ela, e no clímax ela descobre o que realmente está acontecendo com a ilha e resolve e salva o dia (em uma cena épica de auto-descobrimento e auto-afirmação de quem você é). Um excelente role model tanto para as meninas quanto para os meninos que assistirem ao filme.

Moana-Poster-203x300 Crítica: Moana: Um Mar de Aventuras (2016)

E não dá pra não falar sobre a excelente trilha sonora composta por Lin-Manuel Miranda, responsável pelo hit da Broadway Hamilton. Geralmente o que mais determina o sucesso de filmes da Disney é a qualidade da trilha, e felizmente em Moana isso é um ponto extremamente positivo. Todas as músicas são cativantes e nenhum número musical do filme é cansativo, o que é muito difícil de acontecer até mesmo nos melhores musicais. Momentos decisivos na trama inclusive acontecem com uma música ilustrando a cena, e a música-tema “How Far I’ll Go” define com êxito a personalidade de Moana, além de criar uma identificação enorme entre o público e a personagem.

Moana: Um Mar de Aventuras traz um frescor muito bem vindo aos filmes de princesa da Disney, ultrapassando barreiras e nos deixando muito otimistas com as próximas produções do estúdio. Com certeza uma das melhores e mais gratificantes animações de 2016.

Lucas Victor

Estudante de Produção Multimídia, nerd e escritor de contos inacabados que ninguém lê. Percebeu que era cinéfilo aos 4 anos, quando estragou um vídeo cassette assistindo A Bela e a Fera sem intervalos, e desde então o vício só aumentou. Prefere DC à Marvel (fato pelo qual é extremamente criticado) e seu maior objetivo é escrever um episódio de Doctor Who.