Crítica: Chuva Negra, de Ridley Scott
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Filme: Chuva Negra

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RIDLEY SCOTT É UM CINEASTA INQUIETO. Sua filmografia é toda zoada. Começou tudo num drama de guerra (Os Duelistas) em 1977, depois enveredou pelo horror sci-fi em Alien, o Oitavo Passageiro, em 1979, e Blade Runner: O Caçador de Andróides, em 1982. Depois disso lançou filmes de romance, suspense, guerra, de época etc. O cara simplesmente não se conformava em pegar um estilo e ficar apenas nele, em permitir que os cinéfilos fossem capazes de identificar a sua assinatura mesmo sem precisar ver o seu nome nos créditos. Chuva Negra (Black Rain, 1989) é um belo exemplo do camaleão que é Ridley Scott. Infelizmente, a obra policial não é digna de outros produtos que Scott já lançou em sua carreira.

Nick (Michael Douglas) e Charlie (Andy Garcia) são dois policiais de Nova York que vão parar no Japão para escoltar um criminoso da Yakuza. Depois de entregarem seu prisioneiro para criminosos disfarçados, a dupla fica um tempo no país para tentar consertar o erro. Mas o que acontece é que acabam se envolvendo profundamente numa trama que os obriga a agir de acordo com as regras japonesas.

Scott geralmente tem o hábito de criar protagonistas masculinos bem machões. Nick não poderia ser diferente. Aliás, eu não conseguia parar de me lembrar do personagem de Douglas em Instinto Selvagem, de Paul Verhoeven. São muito parecidos, embora em Chuva Negra não há nenhum momento sexual parecido com aqueles que Douglas deu vida ao lado de Sharon Stone. Charlie, por sua vez, já é um cara mais pacífico, de boa na lagoa. Ambos os atores possuem uma química eficiente e nos conquistam com pouco tempo.

Nos minutos iniciais de Chuva Negra temos uma bela maneira de apresentar o personagem de Douglas. Nick aparece para fazer um pega de moto em plena Nova York. Depois de conversar com um sujeito lá (Luiz Guzmán com cara de criança), ele desafia seu adversário e vence mais por sua imprudência do que qualidades como motociclista. Sem muito esforço, o roteiro apresenta Nick como um rebelde sem limites que faz o que quer. Interessante observar a rima da sequência inicial com o conflito com o vilão no terceiro ato, que também envolve motos em alta velocidade.

Primeira parceria de Scott com Hans Zimmer, que não produziu uma trilha sonora onipresente. Na verdade, os temas criados por Zimmer combinam perfeitamente com os efeitos sonoros para as cenas de luta. Qualquer semelhança com Street Fighter será mesmo mera coincidência? Juro que só conseguia lembrar do Ryu dando socos ou daqueles clássicos do Van Damme. Bem trash, sabe? Por algum motivo além da compreensão humana, Chuva Negra foi indicado ao Oscar de efeitos sonoros e mixagem.

Versatilidade é a palavra de ordem quando se refere a Ridley Scott. De vez em quando ele acerta e outras vezes fica no meio do caminho, mas nunca produzindo alguma obra de qualidade questionável. Apesar de datado e desprovido de humanidade, a frieza de Chuva Negra acaba o colocando como uma obra curiosa para ser estudada na filmografia de Scott.

https://www.youtube.com/watch?v=h43kW_96xTU

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.