Crítica: Quatro Vidas De Um Cachorro (2017) | Cinema de Buteco
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Crítica: Quatro Vidas De Um Cachorro (2017)

A produção de Quatro Vidas De Um Cachorro foi grandiosa. O orçamento aplicado foi de US$ 22 milhões, e o filme é resultado da união entre Universal e a Amblin, duas empresas altamente potentes. O roteiro é baseado na obra literária de mesmo nome, escrita por W. Bruce Cameron e lançada em 2010.

A estreia estava marcada para o dia 19 de janeiro. Porém, essa data foi adiada, pois um dia antes do longa entrar em cartaz, o site TMZ publicou na internet um vídeo gravado no set de filmagens de Quatro Vidas De Um Cachorro, no qual um Pastor Alemão que faz parte do elenco é colocado forçosamente na água para filmar uma cena. As imagens causaram grandes polêmicas e muitas manifestações nas redes sociais, despertando a fúria de protetores de animais e de ativistas. Uma organização de proteção ao meio ambiente, a PETA (People for the Ethical Treatment of Animals, em Português: Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais), mostrou-se indignada com a situação é tentou, inclusive, boicotar o filme.

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Quando as imagens vazaram, Lasse Hallstrom, diretor da produção, escreveu em seu Twitter que se sentia perturbado com o vídeo e que não testemunhou pessoalmente tais ações. De acordo com Hallstrom: “Estávamos todos empenhados em proporcionar um ambiente amoroso e seguro para todos os animais no filme. Foi-me dito que uma investigação completa dessa situação está em andamento e prometeram-me que qualquer irregularidade será relatada e punida”. O diretor da Universal declarou que “a polêmica cercando os protestos gerados por um vídeo altamente editado é difícil de ignorar. Entretanto, a bilheteria mostra que o longa-metragem está acima disso”. E realmente, até o momento, a bilheteria de Quatro Vidas De Um Cachorro, provavelmente tem surpreendido qualquer alcance esperado. Apenas no primeiro dia de exibição, ele arrecadou 4 milhões nos EUA.

Esse sucesso é justo. Diferentemente de grande parte dos blockbusters, o filme é bem conduzido e mantém-se coerente de início ao fim. A história, em si é bem tocante. Se você já teve perdeu um cão de estimação, provavelmente se perguntou se o animalzinho possuía alma e/ou para onde ela iria. O que será que acontece com os animais depois que eles morrem? E, se o ser humano, por acaso possui uma missão existencial, será que os animais também não possuem? Quatro Vidas De Um Cachorro possui um viés espiritual como ponto de partida, pois aborda como temática o processo de desencarnação canina.

Quatro-Vidas-De-Um-Cachorro Crítica: Quatro Vidas De Um Cachorro (2017)

A narrativa apresenta quatro reencarnações de um cachorro, que as vive conscientemente em busca de uma compreensão para sua existência. Durante tal jornada, o animal prende-se especialmente ao seu dono da primeira vida, com quem cria um elo singular e diferenciado dos que vive em outras experiências com outros donos. O roteiro carrega frases comoventes que injetam um tom dramático nas cenas, encobrindo-as com emoção. Como consequência disso, muitos trechos do filme são aptos a levar os espectadores a derrubarem lágrimas (especialmente os que são amantes de cachorro). Entretanto, há também alguns diálogos que propõe comicidade (a maior parte destes, pertence ao cão protagonista), e alguns são realmente engraçados, nem tanto pelas falas, em si, mas pelas graciosas poses e ações do animal. Aliás, o filme é um verdadeiro show de fofuras, o cinema com certeza estava carente de produções com atores e atrizes caninos.

Em contrapartida às qualidades acima citadas, como já é de se esperar de qualquer produção hollywoodiana, há alguns momentos clichês, embora nenhum deles comprometa sua qualidade integral. Quatro Vidas De Um Cachorro vale o ingresso. É um drama coeso, com medidas oscilantemente corretas entra ondas de emoção e comédia. O final do filme também é ótimo e as reflexões que tanto intrigavam o cachorro, são devidamente respondidas, pois o que o animal buscava descobrir, estava oculto em sua experiência de vida.

Mas apesar disso, não há como negar que toda a fofura e meiguice dos animais, tal como todos acertos referidos anteriormente, perdem todo o encanto diante da situação de maus tratos flagrada no set de filmagens. Uma pena que eu não soubesse disso antes de ter ido ao cinema.

Juliana Vannucchi