Crítica: Speed Racer, de Andy e Lana Wachowski
Aventura Críticas de filmes

Speed Racer (2)

por João

speedracer_08 Speed Racer (2)

de Andy Wachowski e Larry Wachowski. Elenco: Emile Hirsch, Matthew Fox, Christina Ricci, John Goodman, Susan Sarandon, Paulie Litt.
Era uma espécie de rotina semanal: a alguns anos atrás, domingão, depois de acordar, correr pra frente da tv, umas 10 da manhã se não me engano… A “musiquinha” característica não deixava dúvidas! Era Speed Racer que começava! É fato que o desenho foi criado na década de 60, mas fora reprisado por um bom tempo na Record (será que alguém mais se lembra disso?), e aquele clima de corridas loucas, carros improváveis, um corredor com um q de detetive, vilões caricaturais e um mistério que rondava toda a trama, davam o tom da série.
Pra falar a verdade, se me perguntassem que desenho animado eu imaginaria transposto em película, Speed Racer não seria uma opção (Caverna do Dragão talvez? rsrs). Só mesmo um diretor que não se importasse em ousar, em utilizar recursos sem nenhum pudor, em outras palavras, que não se levasse muito a sério, seria o mais capacitado para a tarefa. Ou melhor: dois! Os irmãos Wachowski, aqueles que no fim do século passado revolucionaram o cinema misturando filosofia, artes marciais e cultura pop, no celebrado Matrix, ficaram a cargo do desafio. Um próximo trabalho deles era bem esperado desde então. Posso dizer que foram muito bem sucedidos.
A importância desse “não se levar muito a sério”, se deve ao fato de que os diretores não pensaram duas vezes antes de lançar mão de recursos que remetessem todo o tempo àquela atmosfera do animê sessentista: muitas cores, cenários improváveis (por isso mesmo delirantes, como o caso da estrutura da empresa Royalton, que tenta cooptar Speed para o seu casting), tomadas onde vemos os atores em duas dimensões, corridas e lutas imaginárias (o universo infantil é muito bem retratado), enfim: quem é fã da série não se decepciona. É um desenho com gente de verdade praticamente.
E os aspectos humanos do personagem também estão lá, como sua forte ligação com a família, sua fascinação pelas pistas desde criança, seu amor pelo irmão mais velho Rex (a seqüência da primeira corrida onde os dois carros se sobrepõem é fascinante e muito bem feita, simbolizando como Speed acredita que seu irmão é o melhor de todos os tempos). E até um senso de realismo é adicionado a trama, quando vemos que mesmo os esforços de Speed, no sentido de ganhar uma corrida e impedir os planos dos vilões, são ineficazes quando a lógica do lucro das empresas está em jogo.
O elenco foi escolhido a dedo pelos diretores: a semelhança com os personagens é admirável. Emile Hirsch se estabelece como um protagonista dos bons, capaz de carregar o peso de um personagem tão icônico quanto Speed, Mathew Fox também convence como o Corredor X, o engraçado e carismático Paulie Litt, como o Gorducho… Enfim, todos fazem um bom trabalho.
Muito recomendável, a diversão é garantida… E 2t comediante… (haha) Vale a pena!

João

Filósofo, arte educador, amante de cinema, funk carioca e de uma boa conversa acompanhada de cerveja.

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