10 Melhores Filmes de 2013 Que Não Passaram Pelos Cinemas

Embora a experiência de assistir a um filme no cinema seja praticamente insubstituível, um cinéfilo que se preze não consegue exercer sua paixão dependendo exclusivamente das telonas, por razões que vão desde decisões comerciais das distribuidoras até a não rara existência de filmes produzidos diretamente para a TV. Nessas circunstâncias, a equipe do Cinema de Buteco preparou uma lista especialmente voltada para filmes esnobados pelos cinemas brasileiros, reunindo 10 ótimas produções que, por razões variadas, passaram batidas (ou não foram lançadas comercialmente) em nossas telonas, mas merecem a sua atenção.

10 Anos de Pura Amizade

10 Years, 2011. Lançamento: Maio, em DVD e Blu-ray.

10 Anos de Pura Amizade

Chegando ao Brasil com quase dois anos de atraso, a estreia do roteirista Jamie Linden na direção reúne um elenco curioso e diversificado (que inclui Channing Tatum, Rosario Dawson, Justin Long, Kate Mara, Chris Pratt e vários outros rostos conhecidos ou ascendentes) para retratar o reencontro de uma turma de ensino médio 10 anos após a formatura. Abraçando várias subtramas com uma abordagem seca que beira o documental, o roteiro explora com bastante eficiência o carrossel de sensações e emoções que uma ocasião como aquela é capaz de aflorar e consegue trabalhar os dramas pessoais de alguns personagens de forma bastante satisfatória.

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À Procura de Sugar Man

Searching for Sugar Man, 2012. Lançamento: Setembro, no canal Max.

À Procura de Sugar Man

Confesso que ainda não tenho o hábito de parar em casa e escolher assistir a um documentário sem que seja por livre e espontânea pressão. No entanto, depois de ser convencido pelo nosso querido podcaster e crítico Lucas Paio (que usou de ameaças do tipo: “não vou mais gravar nenhum Podcast se você não assistir a esse filme agora”, dentre outras coisas que não merecem ser ditas aqui), finalmente vi o vencedor do Oscar de Melhor Documentário em 2013: À Procura de Sugar Man.

Se você for um apaixonado por música, a minha sugestão é bem simples: pare tudo que estiver fazendo e esqueça que existem outros títulos na sua lista de “Preciso Assistir”. Experimente entrar no mundo do cantor Rodriguez e na busca implacável de dois homens apaixonados pelo seu som e sedentos por descobrir o paradeiro de um verdadeiro gênio da música. É até meio inacreditável aceitar que o filme não é ficção muito bem bolada. E justamente por ser real, À Procura de Sugar Man já entrou no meu top 3 de melhores filmes sobre música. E, sem dúvida, é um dos maiores destaques do ano. (Tullio Dias)

Behind the Candelabra

Behind the Candelabra, 2013. Lançamento: Outubro, na HBO.

Behind the Candelabra

Produzido para a televisão pela HBO após ser rejeitado por diversos estúdios, o filme que supostamente coloca um ponto final na carreira do diretor Steven Soderbergh retorna à década de 70 e acompanha a passagem de Scott Thorson (Matt Damon) pela vida de extravagâncias do pianista Liberace (Michael Douglas), incluindo a conturbada separação dos amantes. Com atuações secundárias marcantes (Rob Lowe, em particular, se destaca no papel de um perturbador cirurgião plástico), Behind the Candelabra chama a atenção não só pela forma como adentra na intimidade do músico e eventualmente desconstrói a imagem glamourosa que este exibia nos palcos, como também pela naturalidade com que Damon e Douglas, em performances dignas de aplausos, assumem a natureza homossexual de seus personagens, incluindo cenas de nudez, sexo e trocas de carícias que jamais deixam transparecer qualquer traço de desconforto por parte dos atores.

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Bernie – Quase um Anjo

Bernie, 2011. Lançamento: Agosto, em DVD e Blu-ray.

Bernie - Quase um Anjo

O mercado brasileiro de cinema não gosta de Richard Linklater. Embora o excepcional Antes da Meia-Noite tente timidamente derrubar esta constatação (afinal, mesmo com poucos cópias, foi lançado nos cinemas), a realidade é que a maior parte da obra do diretor parece não ter apelo comercial suficiente para receber lançamentos cinematográficos dignos por aqui. E enquanto o eficiente Eu e Orson Welles (de 2008) tornou-se um privilégio exclusivo dos brasileiros que assinam HBO, Bernie (de 2011) recebeu o subtítulo tolo Quase um Anjo e atracou no Brasil diretamente nas locadoras.

No filme, Linklater repete a parceria com Jack Black oito anos após trabalharem juntos em Escola de Rock e, de certa forma, consegue dar uma sacudida na decadente carreira do ator, que oferece sua melhor performance em anos. No filme, baseado em uma inusitada história real, Black dá vida a um extremamente amigável agente funerário de uma pequena localidade do Texas, onde é amado por todos. Eventualmente, Bernie acaba se aproximando de uma senhora viúva, rica e, sobretudo, bastante ciumenta e possessiva, o que motiva uma reviravolta inesperada na trajetória do protagonista.

O Sistema

The East, 2013. 

The East

Brit Marling vem aparecendo em diversos filmes menores e roubando a cena em todos com uma atuação que combina delicadeza com imponência. No thriller O Sistema, que é uma mistura de Os Infiltrados com A Hora Mais Escura e Os 12 Macacos, a atriz contracena com o lindo do Alexander Skarsgård e da maravilhosa Elle Page. A personagem de Marling se infiltra num grupo criminoso e acaba se afeiçoando aos seus integrantes e ideais. (Tullio Dias)

O Incrível Mágico Burt Wonderstone

The Incredible Burt Wonderstone, 2013. Lançamento: Agosto, em DVD e Blu-ray.

O Incrível Mágico Burt Wonderstone

Jim Carrey não é mais tudo aquilo que era antigamente. Na verdade, podemos quase afirmar que ele só voltará a ser relevante quando revisitar alguns de seus principais sucessos. E isso é uma pena. Em O Incrível Mágico Burt Wonderstone, Carrey vira coadjuvante do personagem principal vivido por Steve Carell. Para quem tem não sabe/se lembra, a dupla havia trabalhado junta em Todo Poderoso. Na época, Carell ainda começava a trilhar o seu caminho e construir a sua reputação em Hollywood. Hoje os dois atores inverteram posições e quem realmente dá as cartas é o engraçado Steve Carell.

Prova disso é que a trama sobre um mágico decadente que precisa se renovar e vencer a concorrência de um novo ilusionista que surgiu na cidade, foi lançada direto em DVD no mercado nacional. Felizmente, a comédia garante alguns bons momentos e diverte o público fã dos dois atores. (Tullio Dias)

Martha Marcy May Marlene

Martha Marcy May Marlene, 2011. Lançamento: Março, em DVD.

Martha Marcy May Marlene

Há uma razão muito boa para que, com míseros dois anos de carreira, a jovem Elizabeth Olsen tenha se tornado uma das novas queridinhas de Hollywood: sem a necessidade de utilizar as outrora badaladas (e agora decadentes) irmãs Ashley e Mary-Kate como trampolim para a própria carreira, Elizabeth surpreendeu o público com sua complexa atuação no perturbador Martha Marcy May Marlene, que chegou ao Brasil com dois anos de atraso e sem fôlego para ganhar nossas telonas.

Restou ao cinéfilo atento correr para as locadoras para conferir o longa de estreia do diretor Sean Durkin, que retrata a fratura psicológica de uma jovem garota durante e após a passagem por uma estranha seita, notoriamente inspirada na família Manson. Mesmo fugindo de convenções, respostas e soluções fáceis, Martha Marcy May Marlene é um suspense digno de nota; os calafrios que senti com o plano final do filme  não me deixam mentir.

Clique aqui para ler a crítica completa.

O Segredo da Cabana

The Cabin in the Woods, 2012. Lançamento: Março, em DVD e Blu-ray.

O Segredo da Cabana

Filmes de terror, de modo geral, possuem um público fiel caracterizado por expectativas muitíssimo bem delimitadas – e, por essa razão, confesso que compreendo perfeitamente a decisão da Universal Pictures de não lançar O Segredo da Cabana nos cinemas brasileiros, o que poderia gerar um boca-a-boca negativo (e injusto) e prejudicar a carreira do filme. Apostando justamente na constante quebra de expectativa, o suspense dirigido por Drew Goddard e co-roteirizado por Joss Whedon é talvez um dos filmes que mais dividiram opiniões em 2013: propositalmente clichê e formulaico em sua trama de horror, o roteiro introduz uma linha narrativa paralela e destoante que gradativamente revela suas reais pretensões e culmina em uma crítica inteligente e elaborada ao desgaste que o gênero vem sofrendo graças às baixas pretensões artísticas, ao excesso de repetição e à intensa e eterna reciclagem de convenções. Mas isso, claro, só poderá ser percebido por aqueles que conseguirem assistir ao filme com a mente aberta o menor número possível de expectativas.

Leia as críticas de Tullio Dias e Eduardo Monteiro para o filme.

Spring Breakers – Garotas Perigosas

Spring Breakers, 2012. Lançamento: Outubro, em DVD e Blu-ray.

Spring Breakers - Garotas Perigosas

Não é apenas pela nudez ou pelo clima provocante que domina boa parte do longa-metragem do sujeito que faz estudos antropológicos dos jovens de cada geração. Em 1995, Harmony Korine escreveu o roteiro do polêmico Kids, e agora retoma seus “estudos” com Spring Breakers, que é tão transgressor que coloca duas meninas da Disney para virarem bandidas semi-nuas sedentas por dinheiro, fama, drogas e sexo. O charme de Spring Breakers está na pretensão do cineasta em ser mais do que é, numa grande tentativa de ser amado e cultuado pelos jovens que cresceram com a internet. A grande verdade é que se não fosse James Franco, nem as bundinhas bonitas das protagonistas salvariam o filme de ser um fiasco. Um fiasco especial, claro, mas um grande desastre..

Clique aqui para ler a crítica completa do filme.

Sujeito a Termos e Condições

Terms and Conditions May Apply, 2013. Lançamento: Novembro, no GNT (e exibido no Festival do Rio).

Sujeito a Termos e Condições

Você já leu os termos ou as condições de uso e privacidade de algum programa, aplicativo ou serviço antes de clicar no botão “Aceito” e prosseguir com o cadastro ou processo de instalação? Se a resposta for não (e acredito que seja), você já parou para pensar nas consequências desse ato? Pois o documentarista Cullen Hoback o fez e, em Sujeito a Termos e Condições, cria um alarmante panorama do mercado de informações pessoais que, atualmente, utiliza essencialmente toda e qualquer página da internet como fonte coletora de dados. Através de exemplos elucidativos, Hoback chama a atenção do espectador para a circulação desenfreada de dados pessoais lançados espontaneamente na rede pelos próprios usuários e levanta uma discussão extremamente pertinente sobre o limiar que separa a segurança pública do direito à privacidade.

 

Menções Honrosas:

Sem Segurança Nenhuma

Safety Not Guaranteed, 2012. Lançamento: Fevereiro, em DVD e Blu-ray.

Sem Segurança Nenhuma

Aubrey Plaza é um dos casos de typecasting mais marcantes da atualidade. Mais conhecida pela April da série cômica Parks and Recreation, a atriz é sabotada pelas próprias limitações e acaba comprometendo o resultado final de Sem Segurança Nenhuma, comédia romântica indie lançada sem maior alarde nas locadoras brasileiras esse ano (mas que provavelmente será descoberta em um futuro próximo, já que se trata do longa de estreia do diretor do próximo Jurassic Park). No filme, acompanhamos o envolvimento da antipática (embora não devesse ser) protagonista com um sujeito paranoico que publicou um anúncio de jornal em busca de companhia para uma viagem no tempo. Felizmente, o filme possui sua porção de méritos, que nos leva a relevar a atuação de Plaza e motiva a desfrutar os reais acertos dos realizadores.

Valentine Road: O Assassinato de Lawrence King

Valentine Road, 2013. Lançamento: Dezembro, na HBO.

Valentine Road - O Assassinato de Lawrence King

Faltando cerca de 15 minutos para o encerramento do documentário Valentine Road, meus olhos se arregalaram e minha mão se instalou diante da minha boca (e por ali permaneceu por um bom tempo), em um sinal claro e involuntário da mais absoluta incredulidade pela qual fui tomado ao ver alguns dos depoimentos inseridos pela documentarista Martha Cunningham na reta final do longa. Relatando o trágico caso e o consequente julgamento do assassinato brutal de um jovem de 15 anos (cuja particularidade – e uma das alegadas motivações do crime – era sua sexualidade ainda indefinida) por um colega de classe diante do restante da turma e de uma professora, o filme é particularmente desolador justamente por não oferecer respostas prontas ou soluções fáceis: a brutalidade do crime, a personalidade violenta do réu e seu passado conturbado são praticamente inquestionáveis, mas isso é o bastante para que Brandon seja julgado como adulto, mesmo tendo apenas 14 anos? O mais chocante do documentário, entretanto, está contido nos depoimentos de algumas das juradas, que assumem a postura absurda de atribuir a culpa do crime à vítima (que teria “insultado” o réu com seu comportamento afeminado) e tentam amenizar a responsabilidade de Brandon no crime com base no fato de que o jovem chegou a ter a oportunidade de abortar o plano de matar Larry, mas fora “provocado” novamente quando o garoto anunciou aos colegas que gostaria de passar a ser chamado por um nome feminino – como essa linha de raciocínio fizesse o menor sentido que fosse. Apavorante.

Frank e o Robô

Robot & Frank, 2012. Lançamento: Fevereiro, por Video On Demand.

Frank e o Robô

O limite cognitivo dos mecanismos internos de computadores ou robôs humanoides é algo que vem intrigando a humanidade há décadas e, no Cinema em particular, já rendeu boas discussões sobre a natureza de sentimentos e emoções. Lançado no início do ano pelo sistema de video on demand, o drama indie Frank e o Robô chega para se juntar a esse grupo e peca justamente por avançar pouco em relação ao que já foi debatido anteriormente, embora possua charme e méritos próprios. Na história, o personagem de James Marsden compra um robô zelador cuja programação inclui o desenvolvimento de algum projeto que estimule a mente de seu pai, Frank (vivido por Frank Langella), um aposentado rabugento, solitário e cleptomaníaco que sofre de mal de Alzheimer – mas ao invés de trabalhar no jardim de casa, por exemplo, o homem opta por planejar e voltar a executar aquilo que sempre fez de melhor: roubos

Usando a tradicional temática da substituição do antigo/homem pelo(a) novo/máquina para comentar a exclusão de idosos na sociedade, o filme parte do Alzheimer do protagonista para refletir sobre a importância e o valor da memória, seja através dos esforços de preservação do acervo físico de uma biblioteca local (ameaçado pela praticidade de computadores) ou do dilema envolvendo a possibilidade de formatação do sistema do robô a certa altura do longa. Neste último caso, a memória é colocada pelo roteirista Christopher Ford e pelo diretor Jake Schreier como um elemento definidor da identidade de um indivíduo: embora o robô não seja humano (algo que ele próprio insiste em reforçar), os registros do período em que conviveu com Frank o tornam um equipamento singular e a forma como estes influenciam sua programação original cria diretrizes que, de certa forma, podem ser encaradas como equivalentes a sentimentos. Pela beleza das analogias e pelo desempenho do elenco, o filme vale a conferida.

Campeonato em Família

The Do-Deca-Pentathlon, 2012. Lançamento: Janeiro, no Telecine On Demand.

Campeonato em Família

Não acho que nenhuma família está livre do fantasma da competição. É algo que começa cedo, e é estranhamente legitimado pela família em si, pelos patriarcas e matriarcas que disputam a posição de dominância, o posto de “mais bem sucedido(a)” e utilizam nessas disputas seus filhos. Irmãos mais velhos querem dominar irmãos mais novos, disputar a atenção dos pais. A psicologia explica e o cinema já tocou em tal ferida várias vezes, mas nunca de maneira tão objetiva e despida de esteticismos como em Campeonato em Família. Os irmãos Duplass, que, como outros membros do movimento Mumblecore, já partiram para o mainstream e já podem contar com orçamentos mais amplos e atores do circuito hollywoodiano, aqui partem das raízes do movimento, emulando vídeos de família em uma estética quase VHS. É como se você visse, sem que eles soubessem, o cotidiano de uma família real – ou o cotidiano de sua própria família, filmado e enviado para ti como em Caché de Haneke.

Para completar tanta teoria? O resultado ainda é irresistivelmente engraçado. (Ana Clara Matta, do Ovo de Fantasma)

Autor: Eduardo Monteiro

Eu poderia estar matando, poderia estar roubando, mas estou aqui tentando convencê-los que Encantada é um estudo de personagens subestimado, que Ela Dança, Eu Danço 4 não é um desperdício total de tempo ou que o documentário da Katy Perry tem mais camadas que muitas bacias de sedimentação por aí. E plantando outras sementes de discórdia em terrenos férteis nas horas vagas.

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