Lucas Paio e os filmes assistidos em janeiro | Cinema de Buteco
Destaques Listas O que assisti esse mês

Lucas Paio e os filmes assistidos em janeiro

Seguindo o post de Tullio Dias, resolvi embarcar no mesmo projeto e fazer breves comentários sobre cada um dos filmes vistos durante o ano. Com um janeiro produtivo em termos cinéfilos, aqui estão as 39 películas a que assisti durante o primeiro mês de 2016:

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1- Casa Grande: Começando a tirar o atraso com tantos filmes brasileiros que deixei de ver no ano passado, iniciei 2016 com este estudo sobre as classes sociais, que trata de temas como racismo e machismo sem nunca deixar de oferecer uma história envolvente.

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2- Entre Abelhas: A turma do Porta dos Fundos mostra que não sabe fazer apenas comédia rápida no YouTube. O longa pega uma premissa fantástica com cara de filme de comédia – as pessoas ao redor do personagem de Fábio Porchat começam a sumir, mas só para ele – e, embora salpique boas piadas aqui e ali, entrega drama, melancolia e maturidade.

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3- A Visita: Depois do indefensável Fim dos Tempos, parei de acompanhar a ex-promissora carreira de M. Night Shyamalan e pulei O Último Mestre do Ar e Depois da Terra sem peso na consciência. Mas resolvi dar uma nova chance ao diretor depois de topar com este A Visita em algumas listas, e tive uma boa surpresa. A cena em que os protagonistas fazem uma descoberta ao conversar com a mãe no Skype me fez até pausar o filme e levantar pra tomar um ar.

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4- O Homem Irracional: Woody Allen no piloto automático. Já abordou os mesmos temas de forma muito melhor: por exemplo, o relacionamento entre uma jovem e um homem mais velho em Manhattan e os crimes sem remorso de Match Point e Crimes e Pecados.

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5- Branca de Neve e o Caçador: Uma Branca de Neve sem sal, um Caçador esquecível e sete anões compostos de um Mestre e seis Zangados (até os anões de O Hobbit têm personalidades mais diferenciáveis). Pelo menos a Charlize Theron não decepciona em seu papel de Cersei Lannist– digo, Rainha Má.

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6- Spotlight – Segredos Revelados: Os elementos que tornam o filme menos “dramático” (a falta de um protagonista único ou de revelações que realmente surpreendam) o deixam justamente mais realista e menos glamouroso. Uma aula de como o bom jornalismo deve ser.

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7- Homem-Formiga: Nunca saberemos como seria a versão de Edgar Wright, mas certamente teria sido menos genérica do que esta. A obra tem lá suas cenas divertidas, mas passa o tempo inteiro a sensação de ser só “mais um filme da Marvel”.

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8- Chico e Rita: Uma animação espanhola muito simpática (indicada ao Oscar em 2012), que cativa não exatamente pelo visual, mas por sua história adulta, sua melancolia e, claro, a trilha sonora de músicas cubanas.

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9- Amy: Inevitável a comparação com Kurt Cobain: Montage of Heck, outro documentário recente sobre um astro da música que morreu no auge aos 27. Amy é menos inventivo em termos de estilo, mas é mais uma biografia competente de Asif Kapadia, diretor do excelente e emocionante Senna.

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10- Pai em Dose Dupla: Meu retorno após mais de um ano ao Sneak Preview (uma pré-estreia surpresa, em que você só descobre o que vai ver no momento em que o filme começa). Eu esperava algum filme do Oscar, mas o que veio foi essa comédia previsivelmente fraca com Mark Wahlberg, com quem não vou muito com a cara, e Will Ferrell – um ator que curto, mas que raramente capricha em suas escolhas.

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11- Creed – Nascido Para Lutar: Um Episódio VII que utiliza as melhores características de sua franquia quarentona (incluindo um ex-protagonista interpretado por um ator muito querido e que aqui vira mentor) ao mesmo tempo em que abre caminho para novos filmes com uma nova geração. Soa familiar?

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12- Ponte dos Espiões: Spielberg volta à boa forma após dramas melosos e chochos como Cavalo de Guerra e Lincoln. Uma história de espionagem sem firulas ou exageros, mas sem perder o suspense e a tensão. De quebra, é sempre bacana ver a Berlim de outrora reconstruída no cinema e presenciar gente que eu conheço pessoalmente dividindo a tela com o Tom Hanks como figurante.

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13- Steve Jobs: Pra mim o filme poderia ter sido uma versão estendida daquele primeiro terço, antes do lançamento do Macintosh em 1984. Com a repetição da mesma estrutura outras duas vezes, acaba ficando um pouco repetitivo e improvável, com todas aquelas pessoas reaparecendo com os mesmos problemas justamente nas mesmas ocasiões. Mas os ótimos diálogos e atuações ainda seguram as pontas até o final.

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14- A Grande Aposta: Todo mundo elogiando e premiando, e acabou sendo o que menos gostei dos indicados a Melhor Filme este ano. Adam McKay bem que tentou fazer o tema descer mais redondo, com Margot Robbie falando de economia na banheira e tudo mais, mas nunca é um bom sinal quando o filme acaba e você pensa “até que enfim”.

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15- O Lobo Atrás da Porta: Um suspense de primeira, que começa com uma situação já bastante preocupante (uma garotinha sequestrada) e vai se embrenhando cada vez mais em mentiras, becos sem saída e revelações de gelar a espinha. Leandra Leal, com justiça, integrou a nossa lista de Melhores Vilões do Cinema em 2014.

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16- Brooklyn: Romance à moda antiga, sem grandes inovações estilísticas, mas que conta com competência a história de uma imigrante irlandesa em Nova York. Numa observação à parte, quando é que Domnhall Gleeson – que só em 2015 esteve em Ex Machina, Star Wars, O Regresso e neste filme – vai tirar férias?

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17- As Aventuras do Príncipe Achmed: Considerado o primeiro longa de animação da História a ter sobrevivido aos dias atuais (houve uns dois antes desse, mas que infelizmente se perderam), este filme alemão de 1926 precede Branca de Neve e os Sete Anões (o primeiro longa de animação americano) em nada menos do que 11 anos. O visual é radicalmente diferente das obras de Disney, usando silhuetas filmadas quadro a quadro com uma trama tirada de “As Mil e Uma Noites”. Não apenas um filme de imensa importância histórica, As Aventuras do Príncipe Achmed é obrigatório não só para fãs de animação e do cinema mudo, mas para qualquer cinéfilo.

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18- Beavis & Butt-Head Detonam a América: Versões adolescentes de Débi e Lóide sem o carisma que os personagens de Jim Carrey e Jeff Daniels passavam apesar de toda a sua idiotice, Beavis e Butt-Head fazem rir justamente por serem os escrotos de quem jamais seríamos amigos. Neste longa próprio, eles saem da frente da TV e partem em uma aventura pelos Estados Unidos, num filme divertido cheio de participações especiais (Bruce Willis, Demi Moore e David Letterman emprestam suas vozes) e com aquela música dos Chili Peppers, “Rollercoaster”, que tocava todo dia no Disk MTV.

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19- As Tartarugas Ninja (2014): Não foi o desastre que imaginei que fosse ser. As Tartarugas gigantes e musculosas não me incomodaram muito (já que mantêm suas personalidades e características) e as cenas de ação, quem diria, evitam o costumeiro estilo epiléptico de Michael Bay – ajuda bastante que o diretor de fotografia seja Lula Carvalho, que também esteve por trás das lentes nos dois Tropa de Elite. Por outro lado, toda aquela história do passado de April O’Neill e um Mestre Splinter mais saltitante que o Yoda de Episódio II definitivamente não colaram.

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20- O Regresso: Arrogâncias do diretor à parte (foi mal, Iñárritu, não estava passando em nenhum templo perto da minha casa), O Regresso merece sim ser visto na maior tela que você conseguir encontrar. Paisagens, planos longos, DiCaprio rastejando, Tom Hardy balbuciando, o melhor urso digital desde Ted e a melhor cena com um cavalo morto desde O Poderoso Chefão tornam esta uma experiência memorável.

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21- Lilo & Stitch: Havaí, alienígenas e Elvis Presley. Essa salada improvável faz desta simpática animação da Disney uma bem-vinda alternativa aos contos de fadas e princesas.

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22- What Happened, Miss Simone?: Documentário que, embora use uma estrutura tradicional de cinebiografias (ascensão, auge, decadência, volta por cima), apresenta a problemática e genial Nina Simone de forma cativante para quem, como eu, pouco conhecia de sua vida.

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23- Trumbo – Lista Negra: É bom ver Bryan Cranston protagonizando um filme depois de tantas participações pequenas em obras pífias – vide o terrível Godzilla. Trumbo (que, é bom lembrar, não é a parte III de “Dumbo”) não inova nem faz feio ao retratar este período tão controverso da história de Hollywood, mas Cranston está consistentemente ótimo. Que venham mais papéis de destaque.

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24- 360: Sou fã do Fernando Meirelles e vinha enrolando há muito tempo para ver este tão malhado 360. Não é a porcaria que pintaram por aí, mas com todas aquelas histórias paralelas que acabam não dando em nada, também está muito, muito longe de ser um Cidade de Deus.

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25- Sob a Pele: Já deu pra ver que seria um filme estranho nos primeiros cinco minutos, com uma introdução lenta e poucas explicações. Gostei do clima lynchiano e há um punhado de cenas visualmente incríveis, mas pra mim sobrou pretensão e faltou substância.

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26- 45 Anos: Uma carta recebida às vésperas do aniversário de casamento (adivinha de quantos anos?) muda, pouco a pouco, a vida deste casal de septuagenários. 45 Anos é construído com cuidado, onde cada cena traz um elemento importante sem esfregar nada na cara do público, e com dois atores excelentes (Charlotte Rampling e Tom Courtenay) que carregam o filme nas costas.

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27- Floresta Maldita: Minha segunda ida ao Sneak Preview em 2016 foi um desastre ainda pior que a anterior: basta dizer que ri mais vendo este “terror” do que na comédia Pai em Dose Dupla. Sabe filme que te passa um susto gratuito só pra mostrar em seguida que era tudo um pesadelo? Floresta Maldita faz isso umas quinze vezes e nem a Natalie Dormer, que geralmente é competente em Game of Thrones, se salva aqui. E ainda causou indignação por tratar como fantasia barata um problema sério e bem real (a onda de suicídios na floresta japonesa do título). Pior filme que vi em janeiro e, por enquanto, o pior a ser lançado em 2016.

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28- O Profeta: Engraçado: esta animação baseada na obra de Kahlil Gibran tem seu maior diferencial na grande variedade de estilos de cada um dos segmentos dirigidos por Tomm Moore, Nina Paley, Bill Plympton e outros nomes de peso na animação. Mas por serem eles interpretações de poemas filosóficos, acabam quebrando um pouco o ritmo da narrativa principal. Ainda assim, se você curte ir além das animações dos grandes estúdios, não deixe de conferir.

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29- Complicações do Amor: Começa como uma história convencional sobre um casal que faz uma viagem para revitalizar o casamento, para surpreender logo em seguida com uma reviravolta fantástica e intrigante que se sustenta bem, ainda que a coisa toda não faça muito sentido no final.

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30- Aaaaaaaah!: Como seria se os humanos se comportassem como macacos nos dias de hoje? Parece premissa de comédia – e dá pra rir, às vezes de incredulidade, com as situações deste filme –, mas este Aaaaaaaah!, cheio de escatologia, sexo, grunhidos (não há nenhum diálogo compreensível) e muitas incongruências (como os humanos-macacos criaram TV, videogame e microondas?), é experimental demais para agradar qualquer um. Mas provavelmente é melhor que o Planeta dos Macacos do Tim Burton.

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31- Nausicaä do Vale do Vento: Com seus cenários pós-apocalípticos, insetos gigantes e reinos em guerra, passeia pela linha tênua entre a ficção científica e a fantasia com a maestria costumeira de Hayao Miyazaki, neste que é apenas o seu segundo longa.

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32- Circle: Cinquenta estranhos acordam ao redor de um círculo e, um a um, começam a morrer. A premissa lembra Cubo (e não só pelas formas geométricas), e o filme apresenta problemas parecidos: um elenco grande demais, pouca identificação com algum personagem específico e a certeza de que no final, como ditava Highlander, só vai haver um.

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33- Obediência: Situado quase totalmente dentro de uma lanchonete fast-food que recebe um trote telefônico levado às últimas consequências, este filme tem situações que beiram o implausível, mas o mais bizarro é que praticamente tudo aconteceu de verdade. Estranho muito tudo isso.

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34- Dente Canino: Três adolescentes quase adultos que nunca saíram de casa, acham que “zumbi” é uma florzinha amarela, matam um gato por acreditaram que é “uma das criaturas mais perigosas do mundo” e aguardam ansiosamente o dia em que seus dentes caninos vão cair, pois finalmente serão permitidos por seus pais a conhecer o mundo exterior. Este filme grego é tão estranho quanto essa descrição sugere, com uma situação absurda atrás da outra, mas nunca deixa de ser um fascinante estudo de personagens que mesmeriza o espectador até a última cena. O melhor filme que vi em janeiro.

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35- A Todo Volume: Uma ode à guitarra que coloca Jimmy Page, The Edge e Jack White contando histórias do passado e se juntando numa jam session no final. Há bons momentos para agradar qualquer músico e fã de música, mas sei lá: sei que a ideia era colocar três guitarristas de origens e estilos totalmente distintos e parecer mesmo fora de lugar, mas acabou com cara de um encontro meio forçado.

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36- Kingsman – Serviço Secreto: Apesar de ter gostado de Spectre, o filme de espionagem de 2015 que melhor resgatou o espírito do 007 de outrora foi Kingsman, com seus “cavalheiros” da Távola Redonda, um vilão megalomaníaco de língua presa e cenas de ação memoráveis – destaque, claro, para aquela na igreja.

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37- Instinto Selvagem: Muito além da cruzada de pernas de Sharon Stone, este “thriller erótico” de Paul Verhoeven pode ter seus furos de roteiro, mas o clima neo-noir funciona do início ao fim.

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38- Amante a Domicílio: É bom ver Woody Allen atuando novamente (já que, em seus próprios filmes, ele anda aparecendo muito de vez em quando). Mas este filme protagonizado e dirigido por John Turturro parece nunca ir para lugar nenhum, com Woody soltando lá umas piadas divertidas, mas que parecem emular seus próprios filmes, e um resultado decepcionante.

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39- Carrie, a Estranha (2013): Famoso remake dispensável. Quando copia o clássico de Brian De Palma, é redundante; quando se diferencia, peca pelo excesso (como em tornar Carrie quase uma X-Men que passa o filme estudando seus poderes). Julianne Moore está ótima como sempre na pele da mãe fanática da protagonista, mas Chloë Moretz, por mais que seja boa atriz, simplesmente não carrega a estranheza que tornava a personagem de Sissy Spacek tão plausível no filme de 1976.

Lucas Paio

Lucas Paio é mineiro de Belo Horizonte, passou quatro anos na China e agora vive em Berlim, onde passa o tempo livre no cinema (os poucos que exibem filmes sem dublagem em alemão) e conhecendo a cerveja, digo, a cultura local.