Descubra quais são os 10 melhores filmes de 1966
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Os 10 Melhores Filmes de 1966

Meio século, esse é o tempo de existência desses filmes. Se fosse uma mulher talvez estaria na menopausa, se fosse um homem estaria sentindo a crise da meia idade. Mas essas produções são como vinho, o tempo só as valorizou ainda mais. Em 1966 tivemos Billy Wilder em uma produção junto a Jack Lemmon; um fotógrafo que pode ter registrado um assassinato; um dos mais marcantes faroestes da história e vários filme-arte.

Confira nossa lista de 10 filmes que fazem 50 anos, com corpinho de 20, esse ano:

Uma-Loura-Por-Um-Milhao-The-Fortune-Cookie-Billy-Wilder-Melhores-Filmes-de-1966 Os 10 Melhores Filmes de 1966

10- Uma Loura por um Milhão (The Fortune Cookie, Billy Wilder, 1966)

Do que se trata:
Uma Loura por um Milhão conta a história de Harry Hinkle (Lemmon), um câmera de televisão que é ferido durante uma partida de futebol americano. Willie Gingrich (Matthau) é um advogado inescrupuloso que convence Harry a fingir ter uma lesão muito maior para conseguir receber uma grande indenização.

Por que é especial:
Ah, o cinema de Billy Wilder! Tinha algum tempinho que não me deliciava com uma de suas narrativas e essa maratona para produzir essa lista com os melhores filmes de 1966 foi bem vinda para me apresentar a primeira produção estrelada por Walter Matthau e Jack Lemon juntos. (Tullio Dias)

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9- Como Conquistar as Mulheres (Alfie, Lewis Gilbert, 1966)

Do que se trata:
Alfie (Caine) é um charmoso conquistador que coleciona relacionamentos amorosos com as mulheres de Londres. No entanto, Alfie descobre que sua vida não faz muito sentido e começa a questionar suas escolhas e comportamento.

Por que é especial:
Extremamente politicamente incorreto, o Alfie original de 1966 é um daqueles filmes irresistíveis que a gente aprende verdadeiras lições de vida. Detalhe é que nunca pensei que Michael Caine pudesse ser um tipinho sedutor. Toda a ironia característica dos personagens do ator já está presente, mas a parte de galã é uma grata novidade. (Tullio Dias)

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8- Andrei Rublev (Andrey Rublyov, Andrei Tarkovsky , 1966)

Do que se trata:
A vida de Andrei Rublev, um dos artistas russos mais importantes da Idade Média, é retratada através das dificuldades sofridas pela Rússia num cenário de pobreza, invasões tártaras e rigidez da igreja ortodoxa.

Por que é especial:

Independente do olhar quase messiânico de Tarkovsky, Andrei Rublev é tudo o que um filme deveria ser. Mesmo com mais de três horas de duração, a película não é nada enfadonha graças ao primor visual e narrativa épica. Não é um filme para os que desconhecem a filmografia de Tarkovsky, mas nem por isso deixa de ser um clássico atemporal e indispensável para quem gosta de cinema. (Marcus Celestino)

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7- Armadilha do Destino (Cul-de-sac, Roman Polanski, 1966)

Do que se trata:
Richard (Lionel Stander) e Albert (Jack MacGowran) são dois criminosos que sofrem com uma fuga mal-sucedida e vão se esconder num castelo medieval. O que eles não imaginavam era que encontrariam um excêntrico casal cheio de manias esquisitas e que criam situações insólitas.

Por que é especial:
Sempre bom redescobrir parte do trabalho de Roman Polanski, diretor dessa divertida comédia sobre um sequestro que dá muito errado. Diversão garantida com diálogos afiados, personagens interessantes e a sempre genial direção de Polanski. (Tullio Dias)

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6- O Incrível Exército de Brancaleone (L’armata Brancaleone, Mario Monicelli, 1966)

Do que se trata:
Liderados por um atrapalhado cavaleiro chamado Brancaleone, um grupo de foras-da-lei parte numa longa jornada enfrentando os mais diversos perigos até chegarem em seu destino.

Por que é especial:

Nove anos antes do Monty Python produzir Em Busca do Cálice Sagrado, Mario Monicelli já havia entregue uma aventura de cavaleiros medievais atrapalhados para entrar na história do cinema. Há muito que Vittorio Gassman já era uma sensação na Itália ao viver Brancaleone da Norcia, um homem sem traços de heroísmo escalado como cavaleiro por um grupo que pretende ter uma posição privilegiada no feudo de Aurocastro. Claramente movido por “Dom Quixote”, Monicelli, com a parceria de Agenore Incrocci e Furio Scarpelli no roteiro, faz um registro hilariante, debochado mesmo, de um período que, assim como hoje, parece movido pelas relações de poder e a institucionalização da igreja. Rendeu uma sequência quatro anos depois, Brancaleone nas Cruzadas, mas é o original que segue em nossa memória com mais afeto. ♪ Branca Branca Branca! Leon Leon Leon! ♪ (Alex Gonçalves)

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5- Blow-up: Depois Daquele Beijo (Blowup, Michelangelo Antonioni, 1966)

Do que se trata:
Thomas (David Hemmings) é um fotógrafo de moda vivendo um momento de crise em sua carreira. Desiludido com jovens mulheres que enchem o seu saco querendo realizar o sonho de se tornarem grandes modelos, decide sair de casa e fotografar o mundo ao seu redor. Ao se deparar com um casal, Thomas saca a sua câmera e tira algumas fotos, mas é flagrado por Jane (Vanessa Redgrave), que pede para que ele entregue os negativos. Depois de negar o pedido, Thomas percebe que pode ter documentado um assassinato.

Por que é especial:
Antonioni concebeu a Trilogia da Incomunicabilidade no começo da década de 1960 e, pouco depois disso, em 1966, ele fez uso de toda a sua maturidade cinematográfica para construir a história do fotógrafo que acredita ter testemunhado um assassinato. Um dos pontos favoráveis ao filme é conseguir manter, do começo ao fim, belíssimas cenas e nos deixar encantados com o seu visual. É ainda mais delicioso aproveitar de algumas partes da obra do que, de fato, tentar descobrir o mistério que cerca a história. (Graciela Paciência)

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4- Quando Duas Mulheres Pecam (Persona, Ingmar Bergman, 1966)

Do que se trata:
Uma enfermeira é contratada para auxiliar uma atriz numa casa de praia. Aos poucos, ela começa a perceber que está ficando profundamente envolvida com a sua paciente e descobre que a sua própria personalidade começa a se misturar com a da atriz.

Por que é especial:

Todos nós, em nossas relações sociais nos vemos obrigados a vestir máscaras. Nem sempre o filho é igual ao marido ou o pai. As atitudes de um funcionário não são as mesmas de um cliente e assim por diante.

O grande problema de usar máscaras é que por vez ou outra nos esquecemos quem somos de verdade.
Em Persona, Bergman faz um tratado sobre pessoas, personagens e personalidades. E como elas se misturam. Destaque para as atuações de Liv Ullman que interpreta uma atriz cansada de interpretar papéis; e Bibi Andersson, uma enfermeira que enxerga no silêncio de sua paciente a oportunidade de resgatar sua própria personalidade. (Leonardo Lopes Carnelos)

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3- Fahrenheit 451 (François Truffaut, 1966)

Do que se trata:
Inspirado no livro homônimo de Ray Bradbury, Fahrenheit 451 é uma distopia sobre bombeiros que são contratados não para apagar incêndios, mas para queimar todos os livros do mundo.

Por que é especial:
Antes de Jogos Vorazes e Divergente, a literatura e o cinema foram agraciados com três histórias que nos mostram uma dura realidade distópica. São elas: Admirável Mundo Novo, 1984 e Fahrenheit 451. O último foi adaptado em 1966 por François Truffaut e mostra o pesadelo de muitos ao apresentar um mundo no qual todos são proibidos de ler e as justificativas são deprimentes. Mas o mais interessante na história é a luta dos personagens para obter a liberdade. Além disso, fica evidente a alienação de todos os diante do sumiço do bombeiro Guy Montag. A futilidade impera e tudo o que é importante fica para trás. (Graciela Paciência)

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2- Quem Tem Medo de Virgínia Woolf? (Who’s Afraid of Virginia Woolf?, Mike Nichols, 1966)

Do que se trata:
George (Richard Burton) e Martha (Elizabeth Taylor) interpretam um casal maduro que, após deixarem uma festa levemente embriagados, recebem em sua casa um casal mais jovem que irá passar a noite dormindo num dos quartos. No entanto, George e Martha iniciam uma constrangedora discussão sobre o seu relacionamento e arrasta Nick (George Seagal) e Honey (Sandy Dennis) para uma noite intensa com muita lavação de roupa suja.

Por que é especial:
Para quem viu (e gostou) de Closer; Foi Apenas um Sonho, de Sam Mendes; ou Deus da Carnificina, de Roman Polanski; Quem Tem Medo de Virgínia Woolf? é uma obra obrigatória e uma dica perfeita para quem ainda vive as dúvidas sobre trocar alianças ou não. O mundo da ficção costuma reservar boas lições de vida para quem está disposto a aprender sobre a vida através da experiência de outros.

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1- Três Homens em Conflito (Il buono, il brutto, il cattivo, Sergio Leone, 1966)

Do que se trata:
O caminho de três sujeitos barra pesada se cruza no velho oeste quando todos eles começam a buscar por uma grande fortuna de ouro escondida num cemitério.

Por que é especial:
Última parte da chamada Trilogia dos Dólares, Três Homens em Conflito é um verdadeiro marco da história do cinema e indispensável na formação de qualquer cinéfilo que se preze.

Comandado pelo lendário Sérgio Leone, que anos depois ainda se superaria com Era Uma Vez no Oeste, o longa-metragem ainda conta com uma trilha sonora excepcional composta pelo genial Ennio Morricone. O vídeo abaixo é uma breve ilustração (que envolve spoilers) da beleza ímpar da produção. Mais que o melhor filme de 1966, Três Homens em Conflito é uma daquelas obras inesquecíveis que nos envolvem do começo ao fim com a sua história de mocinhos contra vilões, ainda que os mocinhos nem sejam lá tão inocentes assim. (Tullio Dias)

Redação do Buteco

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