Review: Black Mirror s03e03 - "Shut up and Dance" | Cinema de Buteco
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Review: Black Mirror s03e03 – “Shut up and Dance”

DECIDIMOS FAZER UM TRABALHO EM EQUIPE PARA ANALISAR A TERCEIRA TEMPORADA DE BLACK MIRROR. Apesar de ter sido lançada em 2011, a série possui apenas três temporadas e um total de 13 episódios (incluindo a atual). Recentemente os seus direitos foram comprados pela Netflix, que além de lançar uma temporada com o dobro dos episódios das duas anteriores, ainda garantiu que em 2017 já teremos o quarto ano.

Para quem não sabe, Black Mirror é uma série sci-fi de terror que coloca a tecnologia como a maior vilã de suas narrativas e mostra o pior que existe dentro de cada um de nós, como participantes ativos dessa sociedade moderna e opressora. A Graciela Paciência produziu uma matéria especial falando de Black Mirror e você pode ler tudo aqui para entender melhor os motivos da série ser tão elogiada.

Dirigido por James Watkins, do excelente thriller Sem Saída e do horroroso A Mulher de Preto, “Shut up and Dance” apresenta a história de um adolescente de 19 anos, Kenny (Alex Lawther), que trabalha numa lanchonete e gosta de passar o seu tempo livre se masturbando na frente do computador (como qualquer outra pessoa na sua idade). Mas a sua intimidade entra em risco depois que começa a receber mensagens ameaçadoras de alguém que diz ter visto o que ele fez. Para preservar a sua integridade, Kenny começa a seguir as instruções que chegam no seu telefone celular.

Como era de se esperar, ter a vida íntima divulgada na internet não é algo que um adolescente gostaria. Mesmo se tratando de uma mera punheta, não é o tipo de coisa que os seus pais precisam receber como anexo de um e-mail anônimo. Kenny entra em desespero e a atuação de Lawther é arrepiante na cena em que o personagem percebe que está vulnerável e exposto. Aliás, “Shut up and Dance” é exatamente sobre a nossa vulnerabilidade ao descobrirmos que nossos segredos mais obscuros podem ser descobertos.

No meio da jornada para tentar manter sua integridade moral, Kenny cruza o caminho de Hector (Jeremy Flynn, familiar para os fãs de Game of Thrones), um homem casado que quis fugir da rotina sexual e contratou os serviços de uma prostituta chamada Mindy. Antes de ser feliz, Hector descobre que também foi flagrado e chantageado, e passa o dia realizando missões com o “coitado” do Kenny.

Para completar o nível de excelência do episódio, ainda podemos ouvir “Thats the Way I Like It”, do KC and the Sunshine Band, “Have a Nice Day”, do Stereophonics, e “Exit Music”, do Radiohead, encarregada de servir de trilha sonora para a derradeira conclusão. A escolha da faixa é, no mínimo, épica. Afinal, os minutos finais deixam claro que os pecadores não escaparão da justiça e que foram todos trollados por uma ação anônima de algum grupo de justiceiros. Imagine se Julian Assange decide atormentar a vida de meros mortais com seus segredinhos sujos?

Um dos grandes motivos de “Shut Up and Dance” ser tão assustador é o fato de ser um dos raros episódios que apresentam uma tecnologia familiar para a gente. Ou seja, é algo que poderia realmente acontecer.

Tullio Dias

Dizem que sou legal, mas eles estão mentindo só para me agradar. Gosto de Molejo, acho Era Uma Vez no Oeste uma obra-prima, prefiro baixo de quatro cordas do que os de cinco, tenho um MBA de MKT Digital e um curso de Publicidade, não tenho filhos, não tenho um coração, mas me derreto por caipirinhas.