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Demolidor – Review de temporada

A parceria Marvel/Netflix tem nos apresentado o melhor que séries de super-heróis tem a oferecer, além de serem a prova de que a Marvel Studios também consegue ser sombria e densa (claro que o mérito maior disso é da Netflix mas enfim…). E a cada nova série/temporada lançadas a confiança nessa parceria só aumenta, como a excelente segunda temporada de Demolidor, uma verdadeira aula de como se adaptar quadrinhos para a tv.

Como essa temporada teve mais de um plot principal, vou falar um pouco de cada um e o que cada tem trouxe de melhor à série, começando pela chegada do tão esperado Frank Castle, aka O Justiceiro.

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Nessa temporada fomos apresentados a um dos principais anti-heróis da Marvel: o Justiceiro (The Punisher no original), um vigilante sem escrúpulos que não mede esforços para trazer justiça à sua família, morta em um tiroteiro que envolvia a máfia e a polícia, e à Nova York. E seus métodos não-ortodoxos (para dizer o mínimo) chamam a atenção do Demônio de Hell’s Kitchen, que não acredita neles e tenta impedi-lo de continuar essa busca desenfreada por justiça.

Com base nos trailers parecia que esse seria o mote principal da temporada, mas, diferente da onda recente de trailers que estão cada vez mais reveladores (estou falando de você mesmo Batman Vs Superman), os dessa temporada não apresentaram nem metade do que realmente se tratava a chegada do Justiceiro a Hell’s Kitchen, o que, além de ser uma ótima surpresa, serve de prova concreta e incontestável que, quanto menos for mostrado nos trailers, melhor. A tão esperada rixa entre os dois vigilantes não dura mais do que quatro episódios, e depois disso dá-se início a uma batalha judicial digna das melhores séries de tribunal atuais, se tornando o maior caso da Nelson & Murdock (da qual falaremos mais a frente)

Além das surpresas do rumo que sua história tomou, o Justiceiro agradou as expectativas sendo um excelente personagem, com profundidade e complexidade suficientes para nos deixar o tempo todo confusos sobre o que realmente pensar sobre ele, se devemos considerá-lo um herói ou um vilão, e ao final da temporada chegamos à conclusão de que ele não é nenhum nem outro; ele é um cara atrás de justiça à sua própria maneira, e nos faz pensar em como agiríamos na mesma situação. Não podemos deixar de creditar o trabalho excepcional de Jon Bernthal, que conseguiu traduzir em sua performance todas as camadas do personagem. Agora é ficar na torcida para a Marvel realmente investir em sua série solo, e principalmente mais crossovers com o Demolidor para vermos mais ótimos embates ideológicos (e físicos também) entre os dois vigilantes.

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Partindo para o núcleo “civil” da série (o meu preferido, especialmente nessa temporada), mencionei à cima que o caso The People V Frank Castle foi o maior da carreira da firma Nelson & Murdock, e com base nos acontecimentos recentes, o último (por enquanto pelo menos). Vimos todos os membros da firma chegarem ao seu extremo limite, e consequentemente uma evolução de todos os personagens, em especial Foggy e Karen.

Foggy sempre foi tudo o que um bom sidekick deve ser, e desde a primeira temporada isso e outras qualidades fizeram dele um ótimo coadjuvante, mas nessa temporada conhecemos outro lado de Foggy; um lado ativo, inconformado e nervoso que, se unindo ao seu talento natural para o Direito, o colocaram em evidência para outras firmas, chamando a atenção inclusive da já conhecida advogada Jeri Hogarth (uma das referências a Jessica Jones presentes na temporada) que o convidou para ser sócio de sua firma.

Toda essa raiva e inconformidade de Foggy partiram não só do stress envolvendo o caso, mas também devido à displicência de Matt para com a firma, deixando seu cargo de vigilante se sobrepor ao de advogado e, principalmente, o de amigo de Foggy. E tudo isso o fez chegar ao limite e, apesar de ele e Matt já terem tido discussões feias no passado, dessa vez não foi um conflito de opiniões como no passado, dessa vez foi apenas Foggy descarregando toda sua frustração em Matt, que por sua vez apenas escutou pois Foggy tinha toda a razão. Pessoalmente sempre achei ele o melhor personagem da série, e essa temporada só serviu para reafirmar isso e que ele só tende a ficar melhor.

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Não dá para não falar também da evolução nítida de Karen Page. Outra personagem que também me agrada desde o início, Karen felizmente nunca foi apenas o interesse amoroso do Demolidor, tendo sempre espaço suficiente para crescer enquanto personagem, e nessa temporada ela cresceu ainda mais, estando na linha de frente dos acontecimentos sempre que possível, sendo essencial inicialmente para a firma no caso do Justiceiro, e depois se tornando a única ligação do vigilante implacável com a realidade, e até mesmo descobrindo seu talento jornalístico trabalhando para o New York Bulletin (jornal onde Ben Urich trabalhava), sempre sendo relevante à trama de forma positiva, tanto que seu romance com Matt, apesar de ter tido um belo desenvolvimento nessa temporada, acaba ficando em segundo plano.

O que mais me agrada em Karen é que ela sempre tenta colocar seus limites à prova, sempre se forçando a fazer coisas perigosas e fora de sua zona de conforto, e isso a torna um ótimo role model não só para mulheres, mas para qualquer pessoa que assista à série.

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Agora vamos para o plot mais importante e surpreendente dessa temporada, que inclusive tem tudo para ser o ponto de partida para a série dos Defensores: Elektra Natchios, que chegou à série não só redimindo a personagem depois da desastrosa tentativa de Jennifer Garner de interpretá-la, mas também trazendo toda uma nova dinâmica à história do Demolidor. Uma ótima introdução para dizer o mínimo.

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Elektra sempre foi essencial para a vida e para as histórias do Demolidor, devido não só à suas habilidades extraordinárias de combate e do caso de longa data dos dois, mas principalmente devido aos seus constantes conflitos morais, que volta e meia a levam para o caminho do mal. Na série essa luta interna foi adaptada da melhor maneira possível, revelando Elektra como a o tão temido Céu Negro, arma misteriosa da seita O Tentáculo que quer usá-la para dominar Nova York. Além de elevar a qualidade da personagem (que apesar de ter sua história muito bem construída não vai muito além do estereótipo da femme fatale), ainda tivemos o pontapé inicial para o que muito provavelmente será a grande ameaça que irá unir os vigilantes de Nova York (Demolidor, Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro) e se tornarem os Defensores.

Além do roteiro extremamente bem trabalhado, a segunda temporada de Demolidor também apresentou uma evolução nítida nas cenas de ação e no desenvolvimento do suspense. A tensão construída durante os episódios é tão visível que a qualquer momento você espera uma tragédia iminente. Fazia muito tempo em que eu não me sentia tão ansioso e angustiado assistindo uma série. E claro, não poderia faltar a clássica luta em plano-sequência no corredor, que provavelmente deve rolar em todas as temporadas (a dessa temporada teve cortes mas a intenção estava lá).

Quem está acostumado a acompanhar séries da Netflix sabe o quão imersivo pode ser fazer maratonas, principalmente quando temos uma temporada tão incrível quanto foi a segunda temporada de Demolidor, o que mostra o quanto a Netflix é boa no que faz, diversificando sempre seu catálogo mas sem nunca esquecer da qualidade. Pode soar tendencioso da minha parte pois sou fã hardcore do trabalho deles, mas é inegável que eles sabem exatamente o que estão fazendo, e séries fantásticas como Demolidor só servem para comprovar isso.

 

Lucas Victor

Estudante de Produção Multimídia, nerd e escritor de contos inacabados que ninguém lê. Percebeu que era cinéfilo aos 4 anos, quando estragou um vídeo cassette assistindo A Bela e a Fera sem intervalos, e desde então o vício só aumentou. Prefere DC à Marvel (fato pelo qual é extremamente criticado) e seu maior objetivo é escrever um episódio de Doctor Who.