Review: Black Mirror s03e05 - "Men Against Fire" | Cinema de Buteco
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Review: Black Mirror s03e05 – “Men Against Fire”

Apesar de ser uma série de sci-fi/terror que explora ao máximo o quão errado o avanço da tecnologia pode dar, Black Mirror é primeiramente uma série sobre pessoas e suas complexidades, com a tecnologia sendo o ponto de partida para explorar isso. Cada episódio aborda um tema ou sentimento humano diferente, e em “Men Against Fire”, podemos dizer que o tema abordado foi a empatia (ou a falta dela).

Escrito pelo criador da série Charlie Brooker e dirigido por Jakob Verbruggen (que já dirigiu episódios de House of CardsThe Bridge The Fall), “Men Against Fire” conta a história de Stripe (Malachi Kirby) um soldado integrante de uma tropa especializada na exterminação de Baratas, seres mutantes se espalharam pelo mundo (meio que como zumbis). Para ajudar os soldados na luta contra as Baratas, o Exército criou um dispositivo chamado Máscara, que melhora a percepção e mira dos soldados, os tornando mais ágeis.

O episódio começa coma primeira caça de Stripe às Baratas, com todos os seus colegas soldados o dando conselhos sobre como melhor agir ao dar de cara com o tal monstro. Quando o combate realmente acontece, ele consegue eliminar duas Baratas, mas uma delas, antes de morrer, consegue transmitir o sinal de um dispositivo estranho bem nos olhos de Stripe, e a partir daí sua Máscara começa a apresentar defeitos, e ele começa a questionar qual a real natureza da luta contra as Baratas, e o que realmente elas são.

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Em tempos onde a falta de empatia e a intolerância têm causado estragos terríveis na sociedade, “Men Against Fire” traz uma reflexão extremamente válida e digna sobre quem realmente é o nosso inimigo, e até mesmo sobre o que significa ter um inimigo, pois como vemos acontecendo na grande maioria das guerras, tentam nos fazer acreditar que o problema está nos outros, que eles são o mal que precisa ser eliminado, sem parar pra pensar que eles podem nos ver da mesma maneira, e que toda essa bagunça poderia ser resolvida se houvesse uma maior compreensão dos direitos humanos, e principalmente, se houvesse um verdadeiro diálogo entre as pessoas, para que cada um dos lados possa realmente entender o outro. Citando Harper Lee: “Você só consegue entender uma pessoa de verdade quando vê as coisas pelo ponto de vista dela.”

Além do roteiro e direção competentes e da ótima trilha sonora, o episódio também pode agradar bastante os fãs das produções originais da Netflix, trazendo dois atores interpretes de personagens muito queridos: Madeline Brewew, a Tricia Miller de Orange Is The New Black, e Michael Kelly, que já era um ator consagrado mas que alcançou a fama internacional interpretando Doug Stamper, o braço direito de Frank Underwood em House of Cards. E ambos apresentaram ótimas performances.

“Men Against Fire” pode não ser um dos episódios mais marcantes da série, mas ainda assim está no nível do que a série tem a oferecer, e traz a reflexão para um tema de extrema importância e que precisa de maior atenção.

 

Lucas Victor

Estudante de Produção Multimídia, nerd e escritor de contos inacabados que ninguém lê. Percebeu que era cinéfilo aos 4 anos, quando estragou um vídeo cassette assistindo A Bela e a Fera sem intervalos, e desde então o vício só aumentou. Prefere DC à Marvel (fato pelo qual é extremamente criticado) e seu maior objetivo é escrever um episódio de Doctor Who.